A Inteligência Artificial está em todos os lugares, inclusive nas salas de aula. Como entender, aprender e ensinar a utilizar essa ferramenta de forma consciente? Com os avanços da IA, principalmente os modelos generativos, cresce também a discussão sobre regulação e integração dessa tecnologia em ambientes educacionais.
Atento a esse debate, o Ministério da Educação (MEC) realizou, no dia 8 de abril, o webinário “IA na educação básica: caminhos para o currículo e a prática docente”. Durante o encontro, foram discutidas diretrizes para o uso pedagógico da inteligência artificial nas escolas e apresentado o documento orientador “Inteligência Artificial na Educação Básica”.
O webinário marcou também o lançamento do curso “IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico”, voltado a professores do ensino médio. A formação, que integra as ações da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), está disponível na Plataforma Mais Professores.
O encontro contou com a presença de gestores públicos, especialistas e educadores, que discutiram como integrar a inteligência artificial às práticas pedagógicas da educação básica, com foco em um uso crítico, responsável e alinhado às políticas educacionais brasileiras.
Para Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, a presença da IA no cotidiano de docentes e estudantes não é mais opcional, por isso, as redes de ensino devem estar preparadas para utilizá-la de forma consciente e pedagógica.
“A inteligência artificial já é uma realidade, não é mais uma escolha. Então, nós da educação básica, nessa frente de diretrizes e políticas, precisamos estar ao lado das redes educacionais e das escolas, apoiando cada vez mais o fortalecimento do uso dessa ferramenta por professoras e professores e, também, por parte dos nossos estudantes. Não vamos ter medo, vamos aprender a usar”.
Documento orientador abrange fundamentos de IA e implementação de estratégias
O documento orientador do Ministério da Educação apresenta diretrizes que apoiam as instituições de ensino na elaboração de currículos, práticas pedagógicas e políticas institucionais voltadas à integração da inteligência artificial de maneira ética, crítica e segura. As recomendações estão alinhadas aos princípios da educação digital e midiática e têm como objetivo assegurar qualidade e equidade no acesso às tecnologias educacionais.
Saiba mais sobre a Estratégia Brasileira de Educação Midiática
Organizado em cinco capítulos, que orientam redes e escolas desde os fundamentos até a implementação, o documento fomenta o ensino sobre IA e o ensino com IA. No material, são abordados os seguintes temas:

Riscos, benefícios e a importância da mediação no uso de IA nas salas de aula
De acordo com o documento orientador, o uso da inteligência artificial envolve tanto riscos quanto benefícios. Pesquisa realizada pelo Cetic.br em 2025, com especialistas e comunidades escolares (CGI.br, 2025b), indica que gestores escolares apontam como principal benefício o aumento da eficiência, com redução do tempo e da sobrecarga de atividades.
Entre os riscos, destacam-se as dificuldades práticas para a implementação das ferramentas de IA e os possíveis impactos no processo de aprendizagem.
Em relação aos estudantes, a pesquisa mostra que muitos já demonstram compreender o funcionamento da inteligência artificial generativa, inclusive ao questionar a confiabilidade das respostas e seus efeitos sobre a aprendizagem. O estudo também aponta uma diferença significativa no uso da IA entre escolas públicas e privadas: enquanto as primeiras tendem a evitar o uso, as segundas apresentam um cenário mais aberto. Em ambos os casos, no entanto, a mediação do professor ainda é limitada.

O documento apresenta caminhos para a integração da inteligência artificial ao currículo e define aprendizagens essenciais alinhadas à BNCC e à educação digital e midiática.
Importante destacar que a discussão sobre o uso da inteligência artificial na educação não se restringe a professores e gestores, mas envolve toda a comunidade escolar. Essa compreensão é fundamental para promover um uso ético, seguro e pedagogicamente responsável das ferramentas.
Clique aqui e confira o documento orientador na íntegra.
Curso IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico
Disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação, o curso foi desenvolvido para docentes do ensino médio, educadores, estudantes de Pedagogia e das licenciaturas, coordenadores pedagógicos e demais profissionais da educação interessados em integrar a inteligência artificial às práticas pedagógicas de forma crítica e responsável.
O curso tem os seguintes objetivos específicos:
A proposta formativa está alinhada às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aos Saberes Digitais Docentes, aos referenciais de competências em IA para professores e estudantes da UNESCO e às discussões internacionais sobre letramento em inteligência artificial, considerando os desafios contemporâneos da sociedade digital.
As inscrições para o curso estão disponíveis em: https://avamec.mec.gov.br/v2/#/instituicao/seb/curso/21119/informacoes
Comprometida com a discussão sobre esta pauta, a MultiRio se destaca ao ser a única instituição do estado do Rio de Janeiro selecionada no edital “Inteligência Artificial para Educação, da Fundação Itaú”. A iniciativa, realizada em 2024, reúne projetos de todo o Brasil com o objetivo de promover inovação e inclusão social no ensino básico público por meio da tecnologia.
O projeto escolhido para desenvolvimento foi o Aí, Prof!, uma plataforma digital interativa que visa democratizar o acesso à informação sobre Inteligência Artificial aplicada à educação. Com implementação prevista até dezembro de 2026, a plataforma é voltada a professores do ensino fundamental e oferecerá um ambiente personalizado, alinhado às necessidades dos educadores.
Juliana Silva, mestre em Educação, especialista em tecnologia na educação e líder pedagógico do AÍ Prof, também acredita que essa tecnologia já é uma realidade estabelecida no nosso cotidiano.
“A cultura digital faz parte da contemporaneidade, atravessando de forma transversal as múltiplas esferas da vida cotidiana. É inegável que essas tecnologias incidem sobre as nossas práticas sociais e subjetividades, influenciando modos de pensar, agir e interagir”.
Justamente por isso, Juliana destaca a importância do conhecimento sobre essas novas tecnologias para que elas sejam incorporadas nos ambientes educacionais sem perda de autonomia humana.
“Entender essas tecnologias, como elas operam e quais interesses orientam seu desenvolvimento é o que diferencia uma relação passiva de uma apropriação crítica e intencional desses recursos. É possível ter uma perspectiva de integração dessas tecnologias, preservando aspectos da nossa humanidade, como a autonomia, a criatividade, o protagonismo dos sujeitos, sem que esses recursos se sobreponham à dimensão da ação humana e da produção de sentido”.
Fontes:
- https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/documentos/ia-educacao-basica.pdf
- https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/documentos/resumo-ia.pdf