“O Méier sempre foi o maioral
É a capital dos subúrbios da Central”
(Trecho do Samba do Méier, de João Nogueira)
A ocupação da região começou quando Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro, doou aos jesuítas a extensa Sesmaria de Iguaçu, que incluía os atuais bairros do Grande Méier, além do Catumbi, Tijuca, Benfica e São Cristóvão. No entorno de onde hoje é o Méier, os religiosos instalaram três engenhos de açúcar, com o emprego maciço de mão de obra escrava. Mas, quando em 1759 o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas, a posse das terras passou para Manuel Gomes, Manuel da Silva e Manuel Teixeira.
Em pouco tempo, os três mandaram devastar a vegetação natural para explorar a madeira e, mais tarde, aproveitaram o terreno para o cultivo de frutas e hortaliças. Posseiros e foreiros foram atraídos para os espaços vazios que restaram, o que indiretamente facilitou o processo de ocupação. Escravos alforriados construíram barracos no Morro dos Pretos Forros, também conhecido como Serra dos Pretos Forros, que fica na região próxima à atual Água Santa.
Mais tarde, o povoamento se intensificou devido à descoberta de ouro nas proximidades da Rua Frei Fabiano, em especial nas encostas do Morro do Vintém, assim chamado em função do pagamento, com poucas moedas, pelo trabalho no garimpo, tanto de escravos como de homens livres à procura de riqueza.
Nome alemão batizou o bairro
No século XIX, Jerônima Duque Estrada casou-se com o encarregado pelas roupas da corte imperial, o comendador Miguel João Meyer, descendente de alemães. O primogênito de seus nove filhos, Augusto Duque Estrada Meyer, se destacou como acompanhante do imperador Dom Pedro II, recebendo o título de camarista e extensas terras que se estendiam desde a Estrada Grande, atual Rua Dias da Cruz, até a Serra dos Pretos Forros.
O camarista Meyer abriu várias ruas e deu a elas os nomes de parentes, como os filhos Carolina, Frederico e Joaquim. Era o início do atual bairro do Méier, versão aportuguesada do sobrenome Meyer. Por aquela época, a região tinha crescido em importância como polo de abastecimento de alimentos para a cidade do Rio.
Já a partir de 1858, quando começaram a circular os trens da Estrada de Ferro D. Pedro II, se tornou mais efetiva a ocupação dos subúrbios que surgiam ao longo da linha férrea e nas redondezas das estações. Após a proclamação da República, ela passou a se chamar Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1879, por iniciativa de Lucídio Lago – que, aliás, também virou nome de rua na localidade –, a Companhia Ferro-Carril, com tração animal, chegou à área. Atualmente, o Méier faz divisa com os bairros do Lins de Vasconcelos, Engenho de Dentro, Cachambi, Engenho Novo e Todos os Santos e se destaca como um dos cenários mais emergentes da cultura alternativa da cidade, sem deixar de manter o vínculo com sua mais forte tradição musical: o samba.