Boas PráticasROSINEIA DE LIMA NASCIMENTO
Rosinéia de Lima Nascimento, 46 anos, é professora de Educação Infantil da Rede Municipal do Rio de Janeiro, onde atua há 3 anos. Possui experiência de 5 anos como professora na Rede Municipal de Mesquita. É graduada em Pedagogia e Licenciatura em Letras e Literatura, além de ser pós-graduada em Libras e ABA aplicada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Atualmente, dedica-se ao estudo das relações étnico-raciais, buscando compreender de forma mais profunda as dinâmicas sociais e históricas que moldam essas relações e fortalecer práticas pedagógicas antirracistas na Educação Infantil. Sua formação e atuação se fundamentam nas Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena nas escolas, e na Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial), como instrumentos de promoção da equidade e valorização da diversidade cultural no ambiente escolar.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEI
Descrição Geral da Prática: “Realeza da EI-51 – Valorizando as Identidades Negras na Educação Infantil”
A prática “Realeza da EI-51” foi desenvolvida com a turma do Pré-II (EI-51) da EDI Medalhista Olímpico Evandro Motta Marcondes Guerra, no Complexo da Maré, sob a condução das professoras Rosinéia de Lima Nascimento e Edirlene Soares (adjunta). Integrada ao PPA “Yes! Criança em Ação: Futuro em Construção” e ao PPP da unidade, a proposta teve como foco valorizar as identidades das crianças, reconhecendo a ancestralidade africana e fortalecendo a autoestima e o pertencimento étnico-racial por meio de vivências artísticas, literárias e culturais que envolveram escola, famílias e comunidade.
O ponto de partida foi a leitura do livro “Meu Pé de África”, que despertou nas crianças o interesse por suas origens e deu início a uma sequência de atividades sobre ancestralidade e identidade. A partir dessa leitura, foram realizadas rodas de conversa e a criação de um mural coletivo com fotos e desenhos enviados pelas famílias, culminando em um piquenique partilhado, fortalecendo os laços afetivos e comunitários.
Na sequência, as crianças exploraram os símbolos Adinkra de Gana, confeccionando carimbos e pulseiras com miçangas, associando forma, cor e significado. As danças africanas em roda ampliaram a expressão corporal e a escuta rítmica, reforçando o trabalho coletivo e o respeito às diferenças.
Inspiradas nas figuras de Akosua Busia, Sikhanyiso Dlamini, Elizabeth Bagaaya, Sarah Culberson, Keisha Omilana e Angela de Liechtenstein, as crianças conheceram princesas e rainhas negras reais da África e da Europa, reconhecendo nelas símbolos de força, beleza e inteligência. Com o apoio do artista Átila, realizaram oficinas de criação de trajes, colares e coroas reais, e na Exposição “África em Nós”, as famílias participaram de oficinas de tranças, sessões fotográficas com tecidos africanos e atividades com inteligência artificial, recriando imagens das crianças em cenários africanos.
A vivência também incluiu uma visita ao Museu da Maré, onde o grupo reconheceu o território como espaço de memória e resistência. O relato de um aluno descendente direto de Angola inspirou uma “viagem cultural a Luanda”, explorando vestimentas, danças e feiras angolanas, ampliando o conhecimento sobre o continente africano e suas conexões com o Brasil.
O projeto culminou na Amostra Cultural da escola, integrando todas as turmas em torno da temática da consciência étnico-racial. Nesse dia, as crianças participaram de pinturas faciais com grafismos africanos, assistiram a uma peça teatral e vivenciaram uma roda de capoeira, marcando um momento coletivo de celebração e valorização das origens africanas.
Participaram da prática 23 crianças, com idades entre 5 e 6 anos, além das professoras, famílias, equipe escolar e comunidade. Entre as habilidades desenvolvidas, destacam-se o reconhecimento da diversidade étnico-racial, a autoestima, a expressão corporal e artística, a escuta, a empatia e o respeito às diferenças.
As ações dialogam com os campos de experiência da BNCC — O Eu, o Outro e o Nós, Corpo, Gestos e Movimentos e Traços, Sons, Cores e Formas — e com o PPP da unidade, que preconiza uma educação inclusiva, plural e antirracista. A experiência promoveu orgulho, pertencimento e valorização das identidades negras na infância, consolidando o compromisso da escola com uma educação afetiva, cultural e transformadora.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394/1996, incluindo no currículo oficial a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2017.
CABRERA, Rogério. Meu Pé de África. São Paulo: Editora Mostarda, 2022.
GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra. Realeza Africana: 8 belas princesas negras reais da África e Europa. São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.geledes.org.br/realeza-africana-8-belas-princesas-negras/. Acesso em: nov. 2025.
REFERÊNCIAS LITERÁRIAS E INFANTIS
CABRERA, Rogério. Meu Pé de África. São Paulo: Editora Mostarda, 2022.
OLIVEIRA, Bell Hooks (trad.). Meu Crespo é de Rainha. São Paulo: Boitatá, 2019.
BISPO, Kiusam de Oliveira. O Velho Baobá. São Paulo: Mazza Edições, 2012.
GOMES, Moisés. O Pequeno Baobá. São Paulo: Ed. Cia das Letrinhas, 2020.
ALVES, Taís. Pixaim Sim!. Salvador: Editora Malê, 2021.
SANTOS, Heloisa Pires Lima. A África que Você Fala. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2018.
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