Como fazer para que os jovens se interessem mais pelo ensino de Ciências em sala de aula? Para os especialistas no tema, uma das soluções seria os cientistas irem até onde os jovens estão. Ou seja, favorecer a divulgação científica no país é estimular os estudantes a desmistificar a Ciência de um modo geral, entendendo melhor a atividade desse profissional que tem como função principal realizar pesquisas.
Quem saiu na frente foi o físico e astrônomo Marcelo Gleiser, ao sugerir, durante audiência no Senado Federal, ano passado, que se passe a exigir que alunos de graduação e pós-graduação dediquem um determinado número de horas por mês à participação em eventos em escolas públicas, para que falem aos estudantes sobre como é a vida do cientista.
Segundo ele, nenhum pesquisador vai às escolas para falar o que é Ciência, por que é cientista. Por isso, “as crianças não têm a menor ideia do que é ser cientista. Eles sabem o que é ser engenheiro, mas cientista é uma incógnita”. Como reforço à iniciativa, os alunos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) já participam de um programa do gênero junto às escolas públicas próximas ao campus da Ilha do Fundão.
Outro que abraçou a ideia foi o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ministro da Educação entre 2003 e 2004, ele apresentou, no início de julho de 2012, um projeto (PLS 224/12) para tornar essa participação compulsória. De acordo com a proposição, “todo beneficiário de bolsas de estudos custeadas pela União deverá dedicar no mínimo quatro horas semanais em serviços de divulgação, formação e informação científicas e educacionais em estabelecimentos públicos de educação básica. Os que forem ao exterior cumprirão o compromisso quando voltarem ao país, por período igual ao de duração da bolsa”.
Em muitos países, essa atividade já é uma rotina. Nos Estados Unidos, quando se pede uma bolsa a instituições como o National Science Foundation, é preciso incluir no pedido a previsão de dedicação ao ensino público — na forma de palestras públicas e seminários ou por meio de publicação de artigos para revistas especializadas. Já na Royal Society, de Londres, os cientistas membros também se encarregam de dar palestras abertas ao público.
Outra solução para melhorar a divulgação científica entre os estudantes seria buscar um mecanismo que leve os canais de TV do país a abrirem espaço para a Ciência, no horário nobre, de maior alcance popular. Além disso, os estudiosos ainda apontam, como reforço, uma campanha em todo o país sobre a importância do ensino da Ciência e a criação de mais prêmios para os cientistas, para que eles tenham o trabalho reconhecido pelo público, como já ocorre nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.
Para isso, é imprescindível que a alfabetização científica comece a ser desenvolvida desde os primeiros anos de vida escolar. As crianças já convivem, de uma forma ou de outra, com produtos da área da informática e com os meios de comunicação de massa. Tudo isso pode ser um subsídio não só para a alfabetização científica, mas também para o ensino de forma geral.
Textos informativos em revistas de divulgação científica, em jornais e outras mídias impressas que falam sobre ciência ou que, da mesma forma, divulgam a Ciência igualmente podem servir como pontes para simplificar o ensino dessa matéria.
Para os estudiosos do assunto, os textos de divulgação científica mostram-se adequados para o uso em sala de aula, já que proporcionam melhor compreensão aos alunos por trazer os assuntos ligados à Ciência em uma linguagem mais clara do que a maioria dos livros didáticos. Estes, muitas vezes, exibem como conteúdo assuntos desvinculados da realidade dos alunos, o que causa desinteresse.
Seguindo de novo nessa linha, muitos professores afirmam que se deve não só ensinar a ler textos, mas desenvolver também a capacidade de ler/interpretar imagens. Além disso, esse recurso de ler/interpretar imagens pode ser uma motivação, um incentivo para quem não gosta de ler.