Celebrado em 21 de março, o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido na África do Sul em 1960.
Com o objetivo de combater o racismo em todas as suas formas, a data reforça a importância de garantir o exercício pleno dos direitos humanos para todas as raças e etnias, além de promover a valorização da diversidade.
No Brasil, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, mas ainda há muito a conquistar. Nos ambientes digitais, que ainda carecem de regulação, os desafios são ainda maiores.
O que é o cyber racismo
O cyber racismo consiste em discursos de ódio, assédio ou discriminação racial disseminados em plataformas virtuais, redes sociais e na internet como um todo.
Ele pode se manifestar de diversas formas, entre elas:
Racismo algorítmico: quando sistemas de IA reproduzem desigualdades raciais
O racismo algorítmico ocorre quando ferramentas de Inteligência Artificial reproduzem e/ou amplificam preconceitos raciais já presentes na sociedade. Isso gera resultados desiguais para grupos racializados, como pessoas negras, indígenas e periféricas.
Diversos estudos mostram que as ferramentas de IA não são neutras: elas são treinadas com dados históricos carregados de vieses raciais, o que as leva a reproduzir esses padrões em decisões automatizadas.
Na prática, isso aparece de várias formas:
Muitas vezes silencioso, o racismo algorítmico agrava desigualdades raciais já existentes na sociedade.
Combate ao racismo digital: desafios e caminhos
Mesmo com o avanço das leis que combatem a discriminação racial no Brasil, as interpretações do que é ou não racismo no âmbito online ainda são nebulosas. E faltam normas específicas para crimes raciais na internet. Hoje, denúncias são tratadas com base em legislações gerais de crimes de ódio e ofensas on-line. Essa lacuna cria dificuldades para punir condutas racistas de forma ágil e efetiva.
As plataformas de redes sociais possuem políticas próprias para avaliar denúncias e remover conteúdo. Na prática, são as próprias empresas que acabam definindo o que é ou não considerado discriminatório.
Nesse contexto, tornam-se urgentes:
As soluções passam, necessariamente, pela articulação entre legislação, fiscalização pública e responsabilização das empresas.
Como educar crianças e adolescentes nos ambientes digitais acerca do racismo online?

Educar as novas gerações para o uso da internet exige mais do que monitorar o tempo de tela: requer a construção de uma consciência crítica sobre os conteúdos consumidos. De acordo com a Prof.ª Natália Xavier, Diretora de Mídia e Educação da MultiRio:
“É urgente que crianças e adolescentes entendam que o espaço virtual não é um espaço de impunidade. Precisamos educar para que reconheçam que o racismo, mesmo quando praticado atrás de uma tela, muitas vezes disfarçado de “humor”, reforça preconceitos ou exclusões e permanece sendo um crime inafiançável e imprescritível no Brasil. Educar para o digital hoje significa ensinar a combater ativamente o preconceito, deixando claro que a violência online tem consequências no mundo real."
O combate ao cyber racismo começa no diálogo aberto sobre como o preconceito se disfarça em "memes" e outras manifestações que herdamos do mundo analógico.
A proteção de crianças e adolescentes passa por cobrar diretrizes claras de moderação das empresas de tecnologia e pela criação de leis que tornem o ambiente digital um espaço de valorização da diversidade.
Fontes:
https://www.veredas.org/2024/07/30/revista-parentese-cyber-racismo-desafios-e-estrategias-para-comb…
https://theconversation.com/racismo-online-como-funciona-a-pratica-do-crime-que-se-pulveriza-pelas-…
https://www.gov.br/prf/pt-br/noticias/uniprf/2023/marco/dia-internacional-contra-a-discriminacao-ra…
https://revistaft.com.br/o-racismo-nas-redes-sociaisuma-analise-sobre-como-a-tecnologia-amplifica-a…
https://futura.frm.org.br/conteudo/professores/artigo/inteligencia-artificial-e-racista