Campo Grande é a região do Rio que, historicamente, apresenta o maior potencial de crescimento. Esse fato acontece por diversas razões. Por estar situado nos limites do município, o bairro, de acordo com especialistas, foi favorecido desde o nascimento da cidade por estradas que atravessaram sua planície. Somam-se a isso seus abundantes mananciais de água, a fertilidade de suas terras e, principalmente, a chegada de pessoas com vocação empreendedora. Atualmente, a atividade econômica local é composta por cerca de 3.700 estabelecimentos, 87,2% dos quais são do segmento de comércio e serviços, empregando aproximadamente 49 mil pessoas. O volume de negócios gera R$ 956,9 milhões de ICMS – sexta arrecadação do município.
Mas tudo começou muito tempo atrás. Entre 1760 e 1770, na antiga Fazenda do Mendanha, o padre Antônio Couto da Fonseca plantou as primeiras mudas de café. Os estudiosos apontam ser este o momento responsável pelo desenvolvimento que a cafeicultura teve em todo o estado, no século XIX, “espalhando-se pelo Vale do Paraíba aos contrafortes da Serra do Mar, atingindo, em sua expansão, a província de Minas Gerais”.
Com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, em janeiro de 1808, todas as regiões tipicamente rurais sofreram sua influência. As atividades econômicas e culturais aceleraram-se, e a zona rural voltou-se para o abastecimento da cidade e para os benefícios trazidos pela corte. Apesar disso, a região continuou a manter suas características rurais.
No início do século XX inicia-se o cultivo da laranja, e foi a família Peixoto, formada por imigrantes portugueses, a pioneira no manejo da cultura no lugar. Após a Segunda Guerra Mundial, multiplicaram-se as lavouras de hortaliças e culturas frutíferas, característica que marcou a região até recentemente.
Com a crise do café, iniciada no final do século XIX e persistindo no século seguinte, durante a Primeira Guerra Mundial, até a depressão que se seguiu ao colapso de Wall Street, em 1929 – com suas consequências no comércio internacional (influenciando na cotação do produto) –, a região voltou-se fortemente para a citricultura. Desde os primeiros anos do século XX e até os anos 1940, Campo Grande foi considerado a grande região produtora de laranjas, o que lhe rendeu o nome de Citrolândia.
Embora desde o começo do século XX toda aquela área – até hoje zona de plantio, principalmente de coco, chuchu, aipim, batata doce e frutas – ainda fosse voltada para a plantação de laranjas, nessa época já se delineava a vocação industrial do lugar. Na última década do século XIX, a instalação da Fábrica Bangu e a implantação de unidades militares em Bangu e Realengo afetaram toda a região, inclusive Campo Grande.
A partir da década de 1960, surgiram os distritos industriais em Campo Grande e Santa Cruz, resultando na instalação de grandes empresas. Hoje, apresenta uma economia bastante diversa, com áreas rurais, uma zona industrial importante para a cidade e um comércio que tem experimentado crescimento significativo nos últimos anos. O bairro, por dispor de vasta rede de serviços e um comércio que foi se expandindo e se diversificando, cresceu extraordinariamente.
Seu comércio é autossuficiente, exercendo atração sobre outras regiões, sem contar com opções de compras no mercado atacadista, em supermercados e em shopping centers. Já o setor industrial também está em crescimento. O bairro conta, ainda, com 37 agências bancárias, além do famoso calçadão, importante centro comercial popular, localizado próximo à estação ferroviária e ao terminal de ônibus. Mas nada disso conseguiu terminar com os bolsões agrícolas nas regiões da Serrinha, do Mendanha e do Rio da Prata. Na pecuária e avicultura destacam-se criações de aves, caprino, suínos, bovinos e coelhos. Tudo isso reforçando a inclinação empreendedora do bairro.