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Autismo: ninguém aprende quando está excluído
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Publicado por Márcia Pimentel em 25/03/2014

O aumento do número de crianças diagnosticadas com algum tipo de Transtorno Global de Desenvolvimento (TGD) tem levado diversos profissionais a se debruçarem sobre a síndrome que, hoje, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atinge 70 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 2 milhões no Brasil.

Autismo-3-pgmEnquanto o autismo não é totalmente desvendado pela comunidade científica, médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e educadores buscam otimizar os conhecimentos já existentes para construir processos que incluam, na vida social, os indivíduos nascidos com um dos tipos de {{TGD}Transtorno Global de Desenvolvimento}.

Uma das maiores preocupações atuais é realizar o diagnóstico precoce para minimizar seus efeitos – como a agitação e a grande dificuldade de comunicação –, provocados pela causa biológica primária que gera a síndrome.

De acordo com Renata Mousinho, fonoaudióloga e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o autista, entre outras coisas, não consegue se colocar no ponto de vista do outro. Para ele, também é muito custoso ver o todo e não se fixar apenas em um detalhe. Essas e outras questões levam a déficits na capacidade de imitação, dificultando seu processo de socialização, além de gerarem comportamentos repetitivos e alterações na fala.

A psiquiatra francesa Catherine Milcent, que, além de especialista no assunto, tem um filho com TGD, falou, durante a I Jornada Científica sobre Autismo Mundo Azul, no Rio de Janeiro, sobre a necessidade de estimular a criança autista a desenvolver, o mais cedo possível, alguma forma de comunicação. “Também é muito importante conseguir ampliar seus interesses e saber lidar com as raivas e o comportamento difícil que ela apresenta. O adulto não pode permitir que essa criança o ignore por muito tempo. É preciso aprender a se impor diante dela.”

Incluir para aprender

AUTISMO-CARLYS-VOICEPara a psicóloga Maryze Suplino, doutora em Educação Especial e diretora do Instituto Ann Sulivan, no Rio de Janeiro, a inclusão é a chave da aprendizagem das crianças especiais: “Elas não são diferentes de ninguém nesse aspecto. Todos nós só aprendemos a nos comportar nos espaços sociais se frequentamos esses espaços. Ao se deslocar uma pessoa para uma cultura com códigos diferentes dos seus, ela só aprenderá a se comportar adequadamente nesse lugar se frequentar os ambientes dessa nova cultura”. E quando Maryze diz isso, não está se referindo apenas à inclusão da criança no ambiente escolar e externo, mas também no familiar.

Nas visitas profissionais que faz à casa de crianças com TGD, conta que observa comportamentos de exclusão. “Já presenciei situações em que elas estão comendo em um lugar separado da família. Quando pergunto o porquê disso, me dizem que é por causa da bagunça que fazem. Ora, mas como querem que aprendam a se comportar à mesa se nunca sentam ali?”

Segundo a psicóloga, também não se pode permitir que o autista se torne o rei da casa. “Não se deve, por exemplo, deixar que ele domine o controle remoto da TV, inibindo o restante da família de ver outros programas. É fundamental produzir interação e reciprocidade. Sem troca, não há inclusão, seja em casa, na escola ou em qualquer outro espaço social.”

Ainda na opinião de Maryze, para que essa interação aconteça, é preciso ter um mediador que faça a ponte entre o autista e o grupo – ponte essa que tem que ser, obrigatoriamente, removível e transitória, até que ele aprenda o que foi ensinado.

Na escola

Há, basicamente, duas formas pedagógicas de inserir as crianças com TGD no processo de ensino-aprendizagem. Uma delas é incluí-las nas turmas ordinárias das escolas, tratando-as como se tratam todos os outros alunos, mas com um professor atento às suas necessidades específicas. Outra é educá-las em escolas de Educação Especial. Na verdade, a opção por uma ou outra forma de educação depende do tipo da síndrome e deve passar pela opção dos pais.

AUTISMO-1-PGMA rede pública de ensino da cidade do Rio de Janeiro atende, atualmente, a aproximadamente 800 crianças autistas. De acordo com a professora Izabel Moura, do Instituto Helena Antipoff – órgão da Secretaria Municipal de Educação (SME) responsável pela implementação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e pelo acompanhamento dos alunos público-alvo da Educação Especial –, a especificidade pedagógica do aluno indica o melhor atendimento especializado, e o tipo de apoio necessário é acordado com o responsável, no momento da matrícula.

A criança autista que frequenta a escola comum tem, além das aulas regulares, Atendimento Educacional Especializado no contraturno, pelos professores da Sala de Recursos Multifuncional, especializados em Educação Especial. São eles que fazem a avaliação das necessidades dos alunos e orientam os professores que dão aula para eles. “Também oferecemos cursos para os educadores que têm em sua sala de aula alunos com Deficiências, alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento e com Altas Habilidades/Superdotação, para que possam ter estratégias para incluí-los e ensiná-los”, explica Izabel Moura.

Na pesquisa O Professor da Educação Especial e o Processo de Ensino-Aprendizagem de Alunos com Autismo, realizada no interior de São Paulo pela pedagoga Ana Carla Lourenço, com as professoras Andrea Boettger e Vera Lucia Capellini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi constatado que uma das questões mais importantes para a aprendizagem do autista é conseguir estabelecer uma rotina em sala de aula. “Ele precisa disso para se organizar e aprender.”

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