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Amado em todas as mídias
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Publicado por Márcia Pimentel em 16/03/2012

 

ojuba moc_alegre_legendaSe, por um lado, como diria o antropólogo Roberto da Matta, Jorge Amado carnavalizou o Brasil, para abordar temas não oficiais da pauta do país, por outro, o escritor baiano também já virou motivo de muitos carnavais. Em 1989, a escola de samba carioca Império Serrano entrou na avenida cantando Jorge Amado, axé, Brasil! e, agora, em 2012, duas escola de samba, uma do Rio e outra de São Paulo, desfilaram com enredos que festejaram o centenário de Jorge Amado, o escritor brasileiro com o maior número de obras adaptadas para outras mídias. No Rio, a Imperatriz Leopoldinense entrou na Marquês de Sapucaí com o enredo Jorge, amado Jorge e, em São Paulo, a escola campeã do carnaval, a Mocidade Alegre, desfilou com o enredo Ojuobá. Nos céus, os olhos do rei. Na Terra, a morada dos milagres. No coração, um obá muito amado...

A campeã do carnaval paulistano reverenciou o candomblé, a capoeira e as festas populares do livro Tenda dos milagres. Já a imperatriz optou por narrar a vida e a obra do escritor. Obra que, de acordo com os estudiosos, é caracterizada por matrizes populares, elementos folhetinescos e uma escrita próxima da linguagem visual. Tais características, ainda segundo os estudiosos, teriam favorecido a adaptação de seus romances para cinema, rádio, televisão e até mesmo teatro e balé.

A primeira vez que isso ocorreu foi em 1941, quando a Rádio El Mundo, da Argentina, transformou o romance Mar morto em radionovela. Era realmente o início de muitas outras adaptações. Em 1946, a Rádio São Paulo transformou Jubiabá e São Jorge de Ilhéus em folhetim radiofônico e, em 1951, ano em que Amado conquistou o Prêmio Stalin de Literatura, foi a vez de a rádio oficial da antiga Tchecoslováquia transmitir uma radionovela adaptada do livro O cavaleiro da esperança.

Nas telas e nos palcos

terra-violenta-legA primeira vez que uma obra de Jorge Amado chegou ao cinema foi em 1948, quando a produtora cinematográfica Atlântida lançou Terras violentas, dirigido pelo americano Eddie Bernoudy. O filme foi adaptado do livro Terras do sem fim, que viraria novela de TV em duas outras ocasiões: em 1966, na extinta Tupi, e em 1981, na Globo. Mas a primeira obra de Amado que chegou à televisão foi Gabriela, dirigida por Maurício Sherman, em 1961, na Tupi. Neste mesmo ano, os estúdios Metro Goldwyn Mayer compraram os direitos de adaptação do livro para o cinema, mas o projeto não foi adiante. Só em 1983 foi que o romance chegou às salas de cinema, em filme dirigido por Bruno Barreto e estrelado pelo ator italiano Marcelo Mastroianni, no papel de Nacib, e por Sônia Braga, no papel-título.

Em 1976, Bruno Barreto já havia dirigido outro filme adaptado de uma obra de Jorge Amado: Dona Flor e seus dois maridos, com José Wilker (no papel de Vadinho), Mauro Mendonça (Dr. Teodoro) e, mais uma vez, Sônia Braga que, um ano antes, havia interpretado a personagem Gabriela, na novela homônima veiculada pela TV Globo. A atriz ainda estrelou o filme Tieta do Agreste, dirigido pelo cineasta Cacá Diegues, em 1996, mas, na novela televisiva, adaptada por Aguinaldo Silva, coube a Betty Faria a interpretação da personagem-título.

soniabraga armandobogusOutros romances de Amado também foram adaptados pela TV Globo. Em 1995, a emissora levou ao ar a novela Tocaia Grande e, em 2001, Porto dos milagres, baseada nos livros Mar morto e A descoberta da América pelos turcos. Já os livros Tenda dos milagres, Capitães da areia, Tereza Batista cansada de guerra, Dona Flor e seus dois maridos e Pastores da noite foram transformados em minisséries nos anos de 1985, 1989, 1992, 1997 e 2002, respectivamente.

Jorge Amado também teve vários de seus romances adaptados por produções estrangeiras. Em 1970, por exemplo, o diretor norte-americano Hall Bartlett levou Capitães da areia para as telas do cinema. Cinco anos depois, foi a vez de o cineasta francês, Marcel Camus, fazer o mesmo com Os pastores da noite. Dona Flor, um dos maiores sucessos de Jorge Amado, virou musical da Brodway, em 1979, sob o título de Sarava, e peça de teatro em Buenos Aires (1983), Lima (1984) e Bogotá (1990). No Brasil, o romance também foi adaptado para os palcos várias vezes e, em 1987, ainda foi transformado em espetáculo de balé, em coreografia de Helfany Peçanha e Vanessa Miller.

Neste ano do centenário de seu nascimento, Jorge Amado estará, de novo, em alta nas mídias. E não apenas como homenageado de  escolas de samba. A companhia de balé Dançando para Não Dançar vem apresentando o espetáculo Gabriela: ritmos amados em várias cidades do país. Um remake de Gabriela, protagonizado pela atriz Juliana Paes, também vai ao ar pela TV Globo, no horário das 23h. E, desde o ano passado, a editora Companhia das Letras tem se ocupado com o lançamento da obra completa do escritor. Muito embora Jorge Amado tenha sido, em vida, muito mais celebrado pela cultura popular do que pela alta cultura acadêmica, ele também estará em pauta em várias atividades, abertas ao público, da Academia Brasileira de Letras.

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