A E.M. Francis Hime, em Jacarepaguá, possui uma história de sucesso: 186 medalhas em Olimpíadas de Matemática (estaduais, nacionais e internacionais) e 6.6 no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Apenas para lembrar, a nota de qualidade para o Brasil atingir no Ideb, em 2020, é 6.
Os bons resultados se devem, em grande parte, ao trabalho de Luiz Felipe Lins, professor de Matemática que procura fazer do ensino um desafio prazeroso.
Os recursos que utiliza são variados e vão desde a história da disciplina até jogos diversos, passando pela Educopédia, com um senso agudo do que seja educação: “Minha filosofia é construir conhecimento, não importa em que medida. Lógico que alguns assimilarão mais e outros, menos. Faz parte da vida. Mas todos devem ter a mesma chance de aprender”.
Defasagens devem ser sanadas
Um exemplo concreto foi o trabalho realizado com um grupo que chegou à escola para cursar o 6º ano, em 2009. A maioria era semialfabetizada, não sabia fazer as quatro operações, tinha problemas de {{dislexia} Perturbação na aprendizagem da leitura pela dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas, bem como na transformação de signos escritos em signos verbais.} e {{discalculia} Dificuldade que apresentam algumas crianças de capacidade intelectual normal para aprender a realizar cálculos matemáticos.}. A partir de um projeto construído pelo grupo de professores, com apoio da Direção, conseguiram que todos chegassem ao 8º ano no mesmo nível das demais turmas.
O professor de Matemática lembra que “a cada aula tinha que chegar com algo que os fizesse crescer e se
sentirem capazes de realizar situações interessantes”. “Eles me fizeram buscar uma prática que não tinha na minha formação: aprender a construir conceitos das séries iniciais de forma eficiente, como o uso do Material Dourado, construir com dobras o Quadro Valor de Lugar, o uso da Régua de Cousinaire, Geoplano, etc.”
Aquela turma de 2009 não foi um caso isolado. Ano após ano, os profissionais da E.M. Francis Hime precisam agrupar alunos com defasagens no aprendizado transferidos para lá, para que possam receber atenção diferenciada e avancem. “Não adianta ensinar o conteúdo do 6º ano se a criança não aprendeu conceitos do 5º ou 4º ano.”
Jogos para ensinar
Mesmo nas turmas regulares, Luiz Felipe conta que não parte para um conceito novo sem que a maioria esmagadora tenha entendido o conceito anterior, sem ter explorado as diversas aplicações do que está ensinando. Para transmitir o conhecimento, usa jogos, rotineiramente, na sala de aula – tanto industrializados (Cara a Cara, Lig 4, Resta 1 e Contra Ataque) quanto os criados pelos próprios estudantes, sob sua orientação.
Em uma turma de 7º ano, por exemplo, divide os alunos em grupos de quatro ou cinco. Eles desenham o tabuleiro, pintam os pinos, recortam dados. Divertem-se e, ao mesmo tempo, aprendem a somar números negativos. Enquanto andam três casas para frente e duas para trás, assimilam que, como resultado final, avançam apenas uma casa.
O professor desperta o interesse da classe fazendo-os compreender que a Matemática faz – e fará – para sempre parte do seu cotidiano. Em vez do modelo tradicional de fórmulas, equações, conjuntos e afins, ele dá preferência ao raciocínio lógico. “Para que o cara precisa saber algarismos romanos tão a fundo? Como se escreve 5.037 em algarismos romanos? Eu não sei. E a Teoria dos Conjuntos? Quantas vezes nos lembramos dela depois que saímos da escola? Essa era a Matemática do século passado. Hoje, mudou tudo. O aluno tem que aprender a raciocinar, a pensar de maneira lógica. E isso vale para a vida, não é apenas uma lição matemática.”