Boas PráticasFERNANDA TEIXEIRA MOREIRA
Formada em História pela UFRRJ e doutora também em História pelo CPDOC/Fundação Getúlio Vargas. Sou professora da rede há 13 anos e, além de lecionar na minha disciplina de origem, fui professora de projetos de aceleração e correção de fluxo (2017-2023) e, em 2024, aceitei o desafio de ser Professora Articuladora dos colaboratórios dos GETs Mário Fernandes Pinheiro e Campo dos Afonsos. Nesses espaços, a cultura maker e a concepção construcionista da educação têm sido os elementos norteadores da prática pedagógica que desenvolvo e das atividades realizadas com as turmas do Ensino Fundamental II, principalmente, baseadas numa abordagem interdisciplinar das habilidades específicas do currículo carioca, a formação cidadã e a construção do pensamento crítico e colaborativo dos estudantes. Em 2025, fui orientadora (junto aos discentes e professores da comunidade escolar) do projeto "Costura Sustentável e Solidária" que foi contemplado com prêmio/reconhecimento Shell Nxplorers.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora Articuladora
- Reconhecer os saberes ancestrais dos povos africanos e afrodiaspóricos como elementos fortalecedores da representatividade e identidade negra;
- Valorizar a diversidade cultural e histórica dos povos africanos e afrodiaspóricos como forma de combater o racismo e a discriminação no ambiente escolar e na sociedade;
- Valorizar a diversidade da cultura popular brasileira e afrodiaspórica.
O trabalho surgiu como proposta para a Feira Literária da escola que tinha como tema central a literatura de cordel. A ideia central foi desenvolver atividades para a feira que correlacionassem diferentes matizes da cultura popular brasileira (representada pelo cordel) e a diversidade das culturas africanas e afrodiaspóricas. A escolha de um tema centrado na história da África e da diáspora africana no Brasil se deu por dois pontos principais: a data da Feira Literária ser em novembro (mês dedicado à consciência negra) e da necessidade de desenvolver atividades que reforçassem a aplicação da Lei 10.639/03 num ambiente escolar ainda marcado por vivências discriminatórias e racistas. No processo de construção do trabalho, os alunos e as alunas do 9º ano visitaram o Instituto dos Pretos Novos e visitaram a "Pequena África". Foi nessa vivência que os estudantes tiveram contato com a história do Baobá e demonstraram bastante curiosidade.
A história do Baobá se tornou o elemento central na construção dos cordéis para a Feira Literária. O Baobá foi trabalhado como uma grande árvore ancestral que unia diferentes histórias de vida a partir do continente africano. Os estudantes pesquisaram sobre o Baobá, viram filmes sobre a resistência negra e a luta contra o racismo, ouviram e debateram os sambas-enredo "Igi Osé Baobá" (2022) da Escola de Samba Portela e "Histórias Pra Ninar Gente Grande" (2019) da Escola de Samba Mangueira e pesquisaram nomes de diferentes intelectuais, artistas, lideranças e ativistas negros e negras, além de buscarem a própria história e de familiares, para escreveram diferentes cordéis sobre tais trajetórias.
Na semana da Feira Literária, os estudantes junto com as professoras orientadoras montaram um Baobá no colaboratório ornamentado com as histórias/cordéis construídos sobre as trajetórias de vida de personalidades e também de alunos, alunas, familiares, professores e funcionários da escola negros. Outro material produzido foi um "livro cordel ancestral" com gravuras pintadas pelos estudantes e com cordéis narrando histórias sobre o Baobá.
A Feira Literária foi aberto ao público. Além da visitação ao colaboratório para ver a estrutura montada do Baobá, a comunidade escolar fez um passeio para visitar o Baobá através do óculos VR, ouviram as explicações proferidas pelos alunos e pelas alunas e também puderam levar cópias dos cordéis.
O Baobá e o Livro Cordel Ancestral ainda estão em exibição no colaboratório.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O Perigo de uma História Única. São Paulo: Cia das Letras, 2019.
ANDRADE, Inaldete Pinheiro de. Uma aventura do velho Baobá. São Paulo: Pequena Zahar, 2022.
SOARES, Bárbara Carine. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Editora Planeta, 2023.
SOARES, Bárbara Carine. A História Preta das Coisas: 50 invenções científico-tecnológicas de pessoas negras. São Paulo: Editora LF, 2021.
Agenda GERER. Guia: Educação para as relações Étnico-raciais (Lei n° 11.645/08), volume 02.
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