Boas PráticasFERNANDA DA SILVA DE SOUZA NASCIMENTO
Professora: Fernanda Nascimento
Graduação em Pedagogia
Pós-graduação em: Educação Infantil pela PUC/RJ; Gestão Educacional pela Universidade Castelo Branco; Psicopedagogia Pela Faculdade São José, Neuropsicopedagogia pela FAVENI. Mestrado em educação pelo COLÉGIO PEDRO II
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
OBJETIVO GERAL:
Promover a valorização da identidade e da cultura afro-brasileira por meio do estudo da vida e da obra de Heitor dos Prazeres, possibilitando às crianças experiências de apreciação artística, diálogo e expressão estética, culminando na releitura de suas obras e na valorização do continente africano e de suas tradições, como o uso de máscaras, ervas e demais elementos culturais.
OBJETIVOS ESPECIFICOS:
• Conhecer a vida e a obra de Heitor dos Prazeres e sua importância para a cultura afro-brasileira.
• Analisar produções do artista, desenvolvendo pensamento crítico.
• Explorar tradições do continente africano, como máscaras e ervas.
• Valorizar a diversidade étnico-racial e a contribuição de artistas negros no Brasil.
• Fortalecer autoestima, respeito e identidade cultural das crianças.
• Cumprir o Art. 26-A da LDB nº 9.394/96, promovendo o ensino da cultura afro-brasileira.
O projeto “Heitor dos Prazeres: Arte, Cultura e Expressão na Educação Infantil” surgiu do olhar sensível da professora, que percebeu o entusiasmo das crianças ao pintar com tintas e pincéis. A partir desse interesse, foi desenvolvida uma proposta que integrasse arte, identidade e experiências sensoriais, tendo como eixo central a vida e a obra do artista brasileiro Heitor dos Prazeres. Realizado com crianças de cinco anos no EDI Marcos Flaminio, o projeto dialoga com o PPP “Pequenos leitores e escritores: brincando e aprendendo desbravando um mundo escrito”, fortalecendo a leitura de mundo por meio de múltiplas linguagens.
A proposta atende ao que determina a LDB nº 9.394/96, especialmente o Art. 26-A, que institui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, conforme as Leis 10.639/03 e 11.645/08. Ao estudar a trajetória de um artista negro e suas contribuições para a cultura brasileira, as crianças vivenciaram práticas alinhadas à educação antirracista.
A metodologia foi qualitativa, baseada no diálogo, na apreciação estética e na investigação do cotidiano das crianças. Inicialmente, rodas de conversa abordaram arte, cultura brasileira e as obras de Heitor dos Prazeres. As crianças assistiram a vídeos, observaram imagens e identificaram cores, movimentos e cenas do cotidiano presentes nas telas do artista. Também exploraram o pandeiro, vivenciando ritmos e sonoridades do samba, elemento essencial na obra de Heitor.
O estudo da ancestralidade africana incluiu uma vivência com ervas tradicionais, como boldo e erva-cidreira, que fazem parte de práticas culturais afrodescendentes. As crianças plantaram essas ervas na horta da escola, acompanharam o crescimento, sentiram o cheiro, a textura e as cores das plantas, e finalizaram a experiência com a degustação de um chá preparado com as ervas colhidas. A partir dessa prática, a escola passou a organizar semanalmente o “momento do chá”, incorporando-o à rotina para valorizar saberes ancestrais. Como continuidade, o projeto prevê ampliar a horta com a plantação de mais ervas, fortalecendo práticas pedagógicas vivas e sensoriais.
As crianças também estudaram máscaras africanas, identificando simbologias, formas e cores, e produziram suas próprias criações. O ponto culminante foi a releitura da obra “Soltando Pipa”, que originou uma bandeirola temática, exposta no pátio da escola e pendurada até os dias atuais.
A escola pretende dar continuidade ao trabalho, propondo que cada turma estude anualmente um artista ou autor, ampliando o repertório cultural com especial foco em artistas e autores negros, cujas produções serão expostas por meio de bandeirolas, fortalecendo identidade, representatividade e diversidade cultural.
O projeto possibilitou uma compreensão mais profunda sobre a importância da valorização da identidade e da cultura afro-brasileira, levando as crianças e a comunidade a reconhecerem artistas negros como protagonistas da história da arte no Brasil. Muitos participantes relataram que não conheciam Heitor dos Prazeres, surpreendendo-se com sua trajetória e relevância artística, o que evidencia o impacto formativo da proposta.
Houve também ampliação significativa do repertório cultural das crianças, que passaram a identificar elementos presentes nas obras do artista e relacioná-los a diferentes manifestações culturais brasileiras. Além disso, durante as atividades com a horta e o momento do chá, observou-se que muitas pessoas não conheciam algumas ervas, como boldo e cidreira, tornando a vivência ainda mais rica e educativa.
O projeto contribuiu de forma expressiva para o desenvolvimento do pensamento crítico, a partir das análises de imagens, comparações, formulação de hipóteses e expre
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Brasília, 2017.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2009.
BISPO, Nego. Escritos sobre cultura, identidade e ancestralidade.
Registros
A releitura da obra “Soltando Pipa”, que originou uma bandeirola temática, exposta no pátio da escola e pendurada até os dias atuais. 