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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
Território que Conta, Arte que Encanta: Identidades, Histórias e Artistas da Periferia
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EM Rainha Fabíola - 8ª CRE
Rua Raul Azevedo 442 Jabour - Senador Camará
Unidade não vocacionada
Anos Iniciais

AUTORES

MARIANE DEL CARMEN DA COSTA DIAZ

Pedagoga (UFRRJ), Mestra em Educação (PPgeduc/UFRRJ), Especialista em Literatura Infantojuvenil (UFF) e Doutoranda em Educação (UFRJ). Atua como professora dos anos iniciais do ensino fundamental no município do Rio de Janeiro, na 8ª CRE. Pesquisa e escreve sobre Literatura Negra, e compartilha reflexões sobre a prática docente no perfil do instagram @olubayoeducacao.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF

TALITA FIGUEIRA DECIO

Tenho 38 anos, nasci em Campo Grande, bairro do RJ. Sou professora formada há quase 20 anos e atuo na Rede Municipal há 15 anos com turmas do Ensino Fundamental I. Tenho muito prazer em lecionar, durante a minha trajetória profissional centenas de alunos já passaram pela minha vida e isso agrega bastante na minha carreira e na minha vida pessoal.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF - Anos iniciais

ALESSANDRA SILVA DA FONSECA

possui curso de Libras , graduada em Letras (Português /Inglês ) pela Universidade Estácio de Sá e Pós-Graduada em Gestão Escolar pela Faculdade São Luiz , professora alfabetizadora desde 2011, na rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, atuando do 1º ao 5º ano, buscando dentre os objetivos principais, abordar temas como racismo, desigualdade social, respeito e diversidade . Fomentando um ambiente em que os discentes possam pensar , entender e construir conhecimento.
“A diferença entre possível e impossível está na vontade humana.” - Louis Pasteur

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor II

ELBA DOS SANTOS DA SILVA

Especializanda no curso de Ciência, Arte e Cultura na Saúde (Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz), professora efetiva de Artes Plásticas na SME-RJ há 13 anos, professora concursada na rede estadual 2008/2009, criadora da empresa Hora Bolas - Arte com Balões, organizadora, palestrante, instrutora, avaliadora e staff em seminários e cursos de arte com balões desde 2009.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Prof I - Artes Plásticas

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
1º ano
2º ano
3º ano
4º ano
5º ano
OBJETIVOS
O projeto “Território que Conta, Arte que Encanta” tem como objetivo apresentar aos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental uma visão ampla sobre as Artes presentes no território onde vivem, valorizando artistas locais e reconhecendo a potência cultural das periferias em diálogo com Gomes (2017) e Trindade (2010). Busca-se promover a compreensão crítica e contextualizada da arte e as formas de expressão artísticas presentes no território (Senador Camará) para se entender a ideia de produções artísticas inspirado na Agenda da GERER - Território (2021). O projeto, em desenvolvimento, fomenta discussões não só sobre a cultura urbana, mas também sobre a valorização da cultura periférica, do seu próprio território e da sua própria identidade. A proposta utiliza recursos multimídia, debates e produções artísticas, articulados às habilidades da BNCC e a Lei 10.639/2003, especialmente no desenvolvimento da linguagem, do pensamento crítico e da sensibilidade estética.
HABILIDADES
1º ano - Artes Visuais - Valorizar a sua própria imagem, reconhecendo-se como parte integrante de grupos de convívio
1º ano - Língua Portuguesa - Expor, oralmente, ideias a respeito dos fatos, relatos e narrativas ouvidas.
2º ano - Artes Visuais - Reconhecer a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais
2º ano - Língua Portuguesa - Produzir textos de acordo com as condições de produção (finalidade, gênero, interlocutor), utilizando recursos gráficos.
3º ano - Artes Visuais - Reconhecer a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade
3º ano - Língua Portuguesa - Escrever, espontaneamente ou por ditado, palavras e frases de forma alfabética – usando letras/grafemas que representem fonemas
4º ano - Artes Visuais - Identificar as formas distintas das artes visuais, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético
4º ano - Língua Portuguesa - Identificar a presença ou ausência de patrimônios históricos e culturais na Cidade do Rio de Janeiro.
5º ano - Artes Visuais - Analisar formas distintas das artes visuais, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais
5º ano - Artes Visuais - Debater sobre a obra e a vida de diferente autores para alcançar sentidos plurais
5º ano - Artes Visuais - Reconhecer algumas categorias do sistema das artes visuais (museus, galerias, instituições, artistas, artesãos, curadores etc.)
5º ano - Língua Portuguesa - Identificar informações implícitas em situações de interação oral (fazer inferências de sentido).
5º ano - Língua Portuguesa - Reconhecer os elementos da narrativa: - Narrador (foco narrativo); -personagem (principal e secundários, protagonista e antagonista) e suas características físicas e psicológicas; - tempo/espaço da narrativa; - aspectos descritivos do tempo/espaço da narrativa.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Maio/3/20 até atualmente
O projeto nasce a partir da 3ª edição da Muvuca Literária, realizada em março de 2025 que contou com a presença do autor Caio Zero, finalista do Prêmio Jabuti 2025 com a obra O Maior Museu do Mundo. A leitura do livro provocou nas turmas reflexões sobre como reconhecer, no cotidiano, as belezas e expressões artísticas presentes no território. A proposta ampliou-se então para investigar e valorizar artistas locais, além das manifestações artísticas visíveis nas ruas, paredes, vielas e equipamentos culturais da região. Durante o segundo semestre, as turmas do 1º ao 5º ano participaram de um conjunto de atividades articuladas entre professoras dos anos iniciais, professoras do ensino fundamental e a docente de Artes. Alguns alunos do 4º e 5º ano realizaram uma visita ao Museu Bispo do Rosário, na Colônia (Jacarepaguá), conhecendo a história e o trabalho de Arthur Bispo do Rosário, cuja produção artística representa a potência criativa nascida em contextos periféricos e instituições marginais da cidade. A vivência ampliou repertórios e permitiu diálogos sobre diferentes modos de existir e produzir arte como confeccionar máscaras de bate-bola como o grupo KND de Realengo. Ao longo do ano letivo, as crianças tiveram contato com obras literárias que abordam a importância das expressões artísticas e receberam a visita do artista Fael (@artistafael) - artista plástico, visual, grafiteiro, MC, poeta e arte-educador, morador e atuante no próprio território da escola. A presença do artista foi especialmente significativa, pois Fael é irmão de um estudante e compartilhou com as crianças sua trajetória, suas referências e sua forma de transformar vivências periféricas em arte. O encontro proporcionou conversas ricas sobre fazer artístico, identidade, periferia e comunicação por meio da Arte. As turmas puderam observar, experimentar e criar junto ao artista compreendendo a relevância do grafite, da rima, das artes plásticas, da literatura como linguagem artísticas. O trabalho foi complementado por atividades de leitura, escrita, registros visuais, rodas de conversa e produções coletivas, abordando também conceitos de expressões artísticas, cultura urbana, memória e pertencimento. A prática integrou habilidades da BNCC em diálogo com a Lei 10.639/03 especialmente das áreas de Língua Portuguesa e Artes, promovendo leitura, análise, interpretação, registro, observação estética, produção artística e ampliação de repertório imagético. Assim, o projeto consolidou-se como uma experiência interdisciplinar, crítica e profundamente conectada ao território.
O projeto tem gerado impactos significativos para os estudantes da escola relacionados ao sentimento de pertença e valorização do território. Observou-se maior interesse e valorização das formas de produzir Arte, além de maior reconhecimento dos artistas locais e do próprio território como espaço legítimo de produção cultural. As crianças demonstraram crescente capacidade de identificar e reconhecer os artistas presentes no território, discutir ocupação dos espaços públicos e compreender a importância das expressões periféricas enquanto produção de Arte. Houve ampliação do repertório estético e imagético, a partir da Literatura com obras como “Pedras Mágicas” de Caio Zero, “Da minha janela” de Otávio Jr, a fim de fortalecer o sentimento de pertencimento e engajamento nas atividades de leitura, escrita e produção artística. Os alunos passaram a olhar seu território com mais sensibilidade e respeito, reconhecendo a arte como forma de comunicação e identidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico raciais e para o ensino da História afro-brasileira e africana. Brasília/DF: SECAD/ME, 2004.

_________ . Lei n° 10.639 “Que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática – História e Cultura Afro – brasileira – e, dá outras providências”.Ministério da Educação. Brasília, 9 de janeiro de 2003.

_________. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: vozes, 2017.

RIO DE JANEIRO. Secretaria Municipal de Educação. Gerência de Relações Étnico-Raciais. Guia: Educação das relações étnico-raciais - 20 anos da Lei 10.639/03. Rio de Janeiro: SME/RJ, Set. 2021. Disponível em: https://multi.rio/materialrioeduca/pdf/viewer.php?arquivo=guia-educacao-para-as-relacoes-etnico-raciais&pdf=../arquivos/pdf_06161_guia-edrelacoesetnicoraciais-miolo-grafica-rev24102023-alterado-1.pdf&id=6162

________ . Secretaria Municipal de Educação. Gerência de Relações Étnico-Raciais. AGENDA da GERER – Território: pertencimentos, culturas e movimentos. Rio de Janeiro: SME/RJ, Set. 2021. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1AVClNzVwX7me6DjYVmOPlptHHbAqdPOO/view

TRINDADE, A. L. da. Valores civilizatórios afro-brasileiros e educação infantil: uma contribuição afro-brasileira. In: BRANDÃO, A. P.; TRINDADE, A. L. da. (org.). Saberes e fazeres v. 5: Modos de brincar. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2010. p. 11-15.

Registros
IMAGENS
Artista Fael com algumas de suas obras e estudantes do 5º ano
Visita do grupo Bate-Bola KND de Realengo.
Trabalhos desenvolvidos sobre os bate-bolas, Patrimônio Cultural Carioca do carnaval suburbano do Rio de Janeiro.
Apreciação ao Manto do artista Arthur Bispo do Rosário
Visita ao Museu Bispo do Rosário com alguns estudantes da nossa escola
Apreciação e ilustração a partir de uma das obras do Arthur Bispo do Rosário.
Registro do grafite "Futebolzin dos Crias" do artista poull.og próximo à nossa escola
Visita do autor e ilustrador Caio Zero na 3ª edição da Muvuca Literária (Março de 2025)
Abraço coletivo no artista Fael.
Criação coletiva de música a partir de palavras que os estudantes falam utilizando rima.
O que pensam as crianças sobre a manifestação cultural Funk? (Turma 1.202)
Artista Fael e seu irmão Mayke em frente a arte em homenagem à Rainha Fabíola.
Fragmento da música criada por Fael com os estudantes do 1º e 2º ano
Leitura do livro "Pedras Mágicas" de Caio Zero
Visita ao Museu Bispo do Rosário (Colônia - Jacarepaguá) com alguns alunos do 4º e 5º ano.
Visita ao Museu Bispo do Rosário
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