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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
Tia Elza vive aqui: um teatro de varas para celebrar memórias, território e identidades
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
CM Elza Machado dos Santos - Tia Elza - 2ª CRE
Rua Saint Roman 173 - Copacabana
Unidade não vocacionada


AUTOR

TATIANA DO SOCORRO PANTOJA RIBEIRO

Tatiana Pantoja é professora da Rede Municipal do Rio de Janeiro, atuando na Creche Municipal Elza Machado dos Santos - Tia Elza, no Pavão-Pavãozinho. Trabalha com crianças de 4 e 5 anos na Pré-Escola 1, articulando práticas fundamentadas na Educação das Relações Étnico-Raciais, no Construtivismo, na Psicanálise e na abordagem Montessori. Seu trabalho valoriza o território, a autoria infantil e a construção de vínculos afetivos como caminhos para uma educação integral, criativa e sensível às potências das infâncias.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de Educação Infantil (PEI)

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
Pré I
OBJETIVOS
A prática tem como objetivo valorizar a história e o legado de Tia Elza, mulher preta e liderança comunitária, aproximando as crianças das memórias, afetos e potências do território do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Busca promover experiências que afirmem pertencimentos étnico-raciais de forma sensível e potente, reconhecendo referências negras locais e fortalecendo identidades positivas desde a primeira infância. Pretende ampliar repertórios culturais por meio da investigação, da oralidade, da criação artística e da dramatização, favorecendo a autoria e o protagonismo infantil. A proposta integra linguagem, arte e memória para que as crianças construam sentidos sobre si, sobre o outro e sobre a comunidade, transformando o texto coletivo em um teatro de varas e registrando a experiência em um curta que passa a compor a memória viva da creche.
HABILIDADES
Educação Infantil - Educação Infantil - Reconhecer a si mesmo e pessoas que lhes são mais próximas, a partir das narrativas produzidas na interação.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Maio/5/20 até atualmente

A trajetória de Tia Elza, mulher preta e liderança comunitária, conecta-se profundamente ao universo das crianças e do território. Ao trazer sua história para o cotidiano da creche, fortalecemos uma educação antirracista que valoriza memórias locais, reconhece potências do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo e contribui para a construção de identidades positivas desde a infância. A prática dialoga com as Leis 10.639/03 e 11.645/08, com a BNCC e com o Currículo Carioca, reafirmando o papel da escola na valorização das culturas afro-brasileira, africana e indígena, bem como da memória comunitária. Também se apoia em referenciais que reconhecem a criança como sujeito ativo, que aprende ao investigar, criar, brincar e partilhar narrativas.

A história de Tia Elza já vinha sendo estudada pela creche há algum tempo, tanto por ser a mulher que dá nome à instituição quanto pela importância de sua atuação no território. Em 2025, o Projeto Político-Pedagógico “Memórias que nos sustentam” ampliou esse processo. Visitamos a comunidade, conversamos com moradores e conhecemos a Creche Cantagalo, fundada por ela e por um coletivo que lutou por melhorias no PPG. Cada descoberta era trazida para as rodas de conversa, nas quais as crianças compartilhavam saberes, perguntas e interpretações.

Dessas rodas nasceu um texto coletivo, construído a partir das falas registradas. Em uma delas, uma criança disse: “Aí todo mundo vai saber quem é a Tia Elza”. Outra completou: “ela ainda vive no coração das pessoas que ela ajudou”. O desejo de espalhar essa história levou o grupo a propor a criação de um teatro. As crianças escolheram que seria um teatro de varas.

A produção começou pelo palco, feito de uma caixa de maçã pintada de azul celeste, “como o céu, onde ela vive agora”. O cenário foi criado com uma tinta aquarela caseira preparada pelas próprias crianças, que pintaram o pôr do sol da comunidade. As casas do PPG foram representadas com pedacinhos de papel colorido. Os personagens — Tia Elza criança com suas duas mães, seus amigos e sua família — foram confeccionados pelos pequenos artistas, revelando o quanto se apropriaram da narrativa.

Com tudo pronto, os ensaios aconteceram entre brincadeiras e recontações espontâneas. Para registrar essa memória, gravamos toda a encenação, que se transformou em um curta exibido nas sessões de Cine Pipoca da creche. O filme integrou o acervo da instituição, ampliando o acesso das famílias à história e fortalecendo vínculoA prática gerou impactos significativos no desenvolvimento das crianças e na construção de uma relação mais profunda com o território, com a memória coletiva e com a valorização de identidades negras. Ao longo do processo, observou-se um fortalecimento da oralidade, tanto pela participação ativa nas rodas de conversa quanto pela elaboração do texto coletivo e pela encenação da peça. As crianças ampliaram seu vocabulário, organizaram melhor seus relatos e demonstraram crescente segurança ao expressar ideias, sentimentos

A prática gerou impactos significativos na construção de identidades positivas e no fortalecimento do pertencimento étnico-racial das crianças, que passaram a reconhecer Tia Elza como uma referência afetiva, histórica e comunitária. O envolvimento nas rodas de conversa, na escrita coletiva e na criação do teatro ampliou a autonomia, a escuta e a participação, favorecendo interações mais colaborativas e respeitosas. As crianças demonstraram maior curiosidade sobre o território, valorizando moradores, histórias e memórias do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. A elaboração do cenário, dos personagens e do curta fortaleceu a autoria e a expressão artística, possibilitando que cada criança se visse como produtora de cultura. O filme ampliou o diálogo com as famílias, que reconheceram a importância de revisitar a figura de Tia Elza e de manter viva sua história na creche e na comunidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RIO DE JANEIRO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Agendas GERER – Educação para as Relações Étnico-Raciais.

RIO DE JANEIRO (Município). Guia Educação para as Relações Étnico-Raciais: 20 anos da Lei 10.639/03.

RIO DE JANEIRO (Município). Guia Educação para as Relações Étnico-Raciais – Volume 2: Lei 11.645/08.

Referências complementares:

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.

RIO DE JANEIRO (Município). Currículo Carioca – Educação Infantil. SME, 2020.

ARROYO, Miguel. Territórios do conhecimento e da infância.

SILVA, Petronilha B. Gonçalves. Educação das Relações Étnico-Raciais: perspectivas e desafios.

Registros
IMAGENS
Palco, cenário e personagens.
Confecção do palco.
Desenhando os personagens.
Aquarela caseira feita em sala.
Uma das rodas de conversa sobre a Tia Elza
Brincando com o teatro.
VÍDEOS
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