Boas PráticasMARCUS VINICIUS DA ROCHA RIBEIRO
Marcus Vinicius da Rocha Ribeiro é licenciado e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em Literatura Brasileira e mestrado pelo programa PROFHISTÓRIA/UERJ, onde desenvolveu como dissertação o trabalho intitulado “Machado de Assis como possibilidade pedagógica para uma educação antirracista no ensino de história” (2022). Nesse estudo, propõe usar a literatura de Machado de Assis como recurso didático para abordar o fim da escravidão e suas persistências no Brasil, com o objetivo de fomentar uma educação histórica. Desde 2007, atua como professor de História na rede pública estadual e municipal do Rio de Janeiro, lecionando para alunos do Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio. Sempre com um forte compromisso com a integração entre história, literatura e práticas pedagógicas críticas — buscando promover no ensino de História reflexões sobre memória, racismo estrutural e os impactos da escravizacão na sociedade contemporânea.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor Docente I
A prática pedagógica consistiu na criação de um podcast antirracista produzido juntamente com algumas alunas do 9º ano, tendo como foco o debate sobre identidade, racismo e representatividade. O trabalho teve início com rodas de conversa e leitura de textos introdutórios sobre questões étnico-raciais, priorizando o acolhimento das vivências das estudantes negras. Essa etapa foi fundamental para diagnosticar seus conhecimentos prévios, fortalecer a autoconfiança e construir um ambiente seguro de diálogo. Em seguida, realizou-se um estudo guiado sobre racismo estrutural, história da população negra no Brasil e mídia como ferramenta de voz e resistência. As aulas foram organizadas de forma participativa, com debates coletivos, análise de vídeos, reportagens e trechos de podcasts já existentes.
A estratégia central foi o uso da produção midiática como recurso didático, pois permitiu que as alunas se tornassem autoras de suas narrativas. Após a fase teórica, elas elaboraram pautas, escreveram roteiros, selecionaram trilhas sonoras, criaram identidades visuais e conduziram entrevistas internas. O processo de gravação e edição foi orientado passo a passo, envolvendo divisão de funções, testes de áudio, organização de blocos temáticos e revisões colaborativas. O objetivo foi desenvolver habilidades de argumentação, comunicação oral, pensamento crítico, uso de tecnologias digitais e trabalho em equipe.
A prática dialoga diretamente com o Projeto Político-Pedagógico ao promover educação para as relações étnico-raciais, valorização da diversidade e protagonismo estudantil. O público envolvido — alunas negras do 9º ano — teve oportunidade de se reconhecer como sujeito histórico e produtor de conhecimento, ampliando a autoestima e a percepção de pertencimento. Ao final, o podcast tornou-se não apenas um produto final, mas um processo formativo que possibilitou que as participantes compreendessem como a mídia pode combater o racismo, por que é necessário falar sobre ele na escola e para que suas vozes ecoem além dos muros da instituição.
CABENGELE, Munanga. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil.
GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano.
DAVIS, Angela. Mulheres, Raça e Classe.
RIBEIRO, Djamila. Lugar de Fala / Pequeno Manual Antirracista.
KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação — episódios de racismo cotidiano.
SOUZA, Jessé. A Invenção do Racismo à Brasileira.
SILVA, Petronilha B. Educação das Relações Étnico-Raciais na Escola.
Registros