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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
PODCAST - CONSTRUINDO NARRATIVAS ANTIRRACISTAS NA ESCOLA
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EM Anibal Freire - 4ª CRE
Rua Professor Plínio Bastos 631 - Olaria
Escola do Programa Bilíngue
Anos Finais

AUTOR

MARCUS VINICIUS DA ROCHA RIBEIRO

Marcus Vinicius da Rocha Ribeiro é licenciado e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em Literatura Brasileira e mestrado pelo programa PROFHISTÓRIA/UERJ, onde desenvolveu como dissertação o trabalho intitulado “Machado de Assis como possibilidade pedagógica para uma educação antirracista no ensino de história” (2022). Nesse estudo, propõe usar a literatura de Machado de Assis como recurso didático para abordar o fim da escravidão e suas persistências no Brasil, com o objetivo de fomentar uma educação histórica. Desde 2007, atua como professor de História na rede pública estadual e municipal do Rio de Janeiro, lecionando para alunos do Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio. Sempre com um forte compromisso com a integração entre história, literatura e práticas pedagógicas críticas — buscando promover no ensino de História reflexões sobre memória, racismo estrutural e os impactos da escravizacão na sociedade contemporânea.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor Docente I

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
9º ano
OBJETIVOS
O projeto “Pantercas” promoveu um espaço de escuta, expressão e protagonismo de alunas negras, que desenvolveram um podcast para discutir questões raciais a partir de suas vivências. A iniciativa estimulou o pensamento crítico, o fortalecimento da identidade e a construção coletiva de narrativas que valorizam a voz e a experiência de mulheres negras. Por meio de roteiros, gravação e debates, as participantes refletiram sobre racismo estrutural, representatividade, autoestima e ancestralidade. O podcast tornou-se ferramenta de empoderamento e diálogo, ampliando a consciência social dentro e fora da escola, e possibilitando que outras pessoas conhecessem suas histórias, percepções e lutas cotidianas.
HABILIDADES
9º ano - História - Identificar a ausência de mecanismos para inserção dos negros na sociedade brasileira no pós-abolição e as formas de resistência à exclusão no processo de conquista por cidadania plena.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Abril/3/20 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET

A prática pedagógica consistiu na criação de um podcast antirracista produzido juntamente com algumas alunas do 9º ano, tendo como foco o debate sobre identidade, racismo e representatividade. O trabalho teve início com rodas de conversa e leitura de textos introdutórios sobre questões étnico-raciais, priorizando o acolhimento das vivências das estudantes negras. Essa etapa foi fundamental para diagnosticar seus conhecimentos prévios, fortalecer a autoconfiança e construir um ambiente seguro de diálogo. Em seguida, realizou-se um estudo guiado sobre racismo estrutural, história da população negra no Brasil e mídia como ferramenta de voz e resistência. As aulas foram organizadas de forma participativa, com debates coletivos, análise de vídeos, reportagens e trechos de podcasts já existentes.

A estratégia central foi o uso da produção midiática como recurso didático, pois permitiu que as alunas se tornassem autoras de suas narrativas. Após a fase teórica, elas elaboraram pautas, escreveram roteiros, selecionaram trilhas sonoras, criaram identidades visuais e conduziram entrevistas internas. O processo de gravação e edição foi orientado passo a passo, envolvendo divisão de funções, testes de áudio, organização de blocos temáticos e revisões colaborativas. O objetivo foi desenvolver habilidades de argumentação, comunicação oral, pensamento crítico, uso de tecnologias digitais e trabalho em equipe.

A prática dialoga diretamente com o Projeto Político-Pedagógico ao promover educação para as relações étnico-raciais, valorização da diversidade e protagonismo estudantil. O público envolvido — alunas negras do 9º ano — teve oportunidade de se reconhecer como sujeito histórico e produtor de conhecimento, ampliando a autoestima e a percepção de pertencimento. Ao final, o podcast tornou-se não apenas um produto final, mas um processo formativo que possibilitou que as participantes compreendessem como a mídia pode combater o racismo, por que é necessário falar sobre ele na escola e para que suas vozes ecoem além dos muros da instituição.

Na prática observou-se alto engajamento das alunas, e de toda a turma, o fortalecimento da autoestima, especialmente ao perceberem que suas vozes e experiências tinham valor social e intelectual e serem ouvidas e validadas por todos que ouviram o podcast. Os objetivos propostos foram alcançados, pois o podcast possibilitou aprofundar discussões sobre racismo, representatividade e identidade negra de forma crítica e sensível. A metodologia — baseada em debates, pesquisa, produção colaborativa e uso de tecnologia — mostrou-se adequada ao contexto, pois dialogou com o interesse das estudantes e favoreceu o protagonismo juvenil. Como contribuição, o projeto desenvolveu habilidades de comunicação, argumentação, trabalho em equipe e leitura crítica de mídia, além de ampliar o repertório cultural e a consciência antirracista. A iniciativa também impactou a comunidade escolar ao incentivar escuta, respeito à diversidade e abertura para debates que ultrapassam a sala de aula.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CABENGELE, Munanga. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil.

GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano.

DAVIS, Angela. Mulheres, Raça e Classe.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de Fala / Pequeno Manual Antirracista.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação — episódios de racismo cotidiano.

SOUZA, Jessé. A Invenção do Racismo à Brasileira.

SILVA, Petronilha B. Educação das Relações Étnico-Raciais na Escola.

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