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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
A Negra, um novo olhar para a negritude a partir da arte
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EM Anibal Freire - 4ª CRE
Rua Professor Plínio Bastos 631 - Olaria
Escola do Programa Bilíngue
Anos Finais

AUTOR

MARCUS VINICIUS DA ROCHA RIBEIRO

Marcus Vinicius da Rocha Ribeiro é licenciado e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em Literatura Brasileira e mestrado pelo programa PROFHISTÓRIA/UERJ, onde desenvolveu como dissertação o trabalho intitulado “Machado de Assis como possibilidade pedagógica para uma educação antirracista no ensino de história” (2022). Nesse estudo, propõe usar a literatura de Machado de Assis como recurso didático para abordar o fim da escravidão e suas persistências no Brasil, com o objetivo de fomentar uma educação histórica. Desde 2007, atua como professor de História na rede pública estadual e municipal do Rio de Janeiro, lecionando para alunos do Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio. Sempre com um forte compromisso com a integração entre história, literatura e práticas pedagógicas críticas — buscando promover no ensino de História reflexões sobre memória, racismo estrutural e os impactos da escravizacão na sociedade contemporânea.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:professor docente I

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
9º ano
OBJETIVOS
O projeto propôs que alunos do 9º ano realizassem uma releitura da obra "A Negra", de Tarsila do Amaral, articulando-a a uma crítica social sobre a vida da população negra hoje. A prática iniciou-se com o estudo da Semana de Arte Moderna, contexto histórico da pintura e análise estética da obra original, destacando corpo, força, resistência e silenciamento representados na figura retratada. A partir disso, os estudantes investigaram dados, relatos e situações de desigualdade racial presentes hoje — educação, trabalho, violência, identidade, cultura e representatividade. Munidos desse repertório, criaram novas versões visuais da obra, incorporando símbolos, cores, palavras e imagens que traduzissem denuncia, memória e orgulho. O objetivo foi promover reflexão crítica sobre racismo estrutural e ancestralidade, valorizando a arte como linguagem de contestação e afirmação. O projeto resultou em produções potentes, que dialogaram passado e presente, evidenciando que a questão racial.
HABILIDADES
9º ano - Artes Visuais - Valorizar, a partir de análises, o patrimônio cultural, material e imaterial de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas. Analisar aspectos históricos, sociais e políticos de produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.); Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. Identificar pela apreciação práticas musicais diversas reconhecendo os usos e as funções da música em diversos contextos de circulação, especialmente da vida cotidiana.
9º ano - História - Identificar a ausência de mecanismos para inserção dos negros na sociedade brasileira no pós-abolição e as formas de resistência à exclusão no processo de conquista por cidadania plena.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Fevereiro/10/2 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET

A prática consistiu em uma releitura crítica da obra A Negra, de Tarsila do Amaral, desenvolvida com estudantes do 9º ano a partir do debate sobre racismo estrutural e a desconstrução do mito da democracia racial. Iniciamos com o estudo da pintura e do contexto modernista, analisando como a imagem representa um corpo negro central, porém silenciado e exotificado. Em seguida, discutimos o conceito de democracia racial e suas contradições: a ideia de que vivemos harmoniosamente como povos misturados, enquanto dados atuais revelam desigualdade no acesso à educação, renda, segurança e representatividade.

Com esse repertório, os alunos pesquisaram realidades contemporâneas da população negra e produziram releituras visuais da obra, inserindo elementos que denunciam violência, resistência, ancestralidade e luta por direitos. A arte foi utilizada como instrumento de crítica social, permitindo que os estudantes compreendessem que a ausência de conflito aparente não significa igualdade. O projeto evidenciou que a escola deve questionar discursos naturalizados e formar sujeitos capazes de reconhecer e enfrentar injustiças históricas que ainda estruturam o país.

O projeto resultou em forte crescimento crítico e sensível dos alunos, que passaram a compreender a arte como ferramenta de denúncia e reflexão sobre o racismo. A análise da obra A Negra e o debate sobre democracia racial ampliaram o repertório cultural da turma, gerando questionamento sobre desigualdades ainda presentes no Brasil. As releituras produziram autonomia criativa e consciência social, fortalecendo a autoestima, especialmente entre estudantes negros, que se reconheceram como protagonistas. Observou-se melhora na argumentação, pesquisa, leitura de imagens e expressão artística. A exposição final impactou a comunidade escolar, provocando diálogo e interesse sobre relações raciais e sobre o mito da harmonia entre grupos étnicos. A prática ultrapassou o espaço da sala e incentivou continuidade, tornando a escola ambiente de crítica, memória e transformação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Democracia Racial

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra.

NASCIMENTO, Abdias do. O Genocídio do Negro Brasileiro.

ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista e Lugar de Fala.

RIO DE JANEIRO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Gerência de Relações Étnico-Raciais. Guia Educação para as Relações Étnico-Raciais: 20 anos da Lei nº 10.639/03. Rio de Janeiro: SME/Gerer, [2023].

RIO DE JANEIRO (Município). Secretaria Municipal de Educação. Gerência de Relações Étnico-Raciais. Guia Educação para as Relações Étnico-Raciais: Volume 2 – Lei nº 11.645/08. Rio de Janeiro: SME/Gerer, 2025.

HOOKS, bell. Olhares Negros: raça e representação.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano.

Estética

AMARAL, Aracy. Tarsila do Amaral: a modernista.

BARROS, José. Modernismo brasileiro e identidade cultural.

MARTINS, Leda. Performances da Oralitura: corpo, memória e ancestralidade.

Registros
IMAGENS
Exposição das obras produzidas
Exposição das obras produzidas
Exposição das obras produzidas
Exposição das obras produzidas
uma das obras produzidas
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