Boas PráticasFLAVIA DE OLIVEIRA RAMOS
Flávia de Oliveira Ramos, 45 anos, é professora de Educação Física da rede municipal do Rio de Janeiro desde 2003, atuando na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (anos finais). É licenciada plena e bacharel em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com pós-graduação em Educação Física Escolar, e também é formada em Nutrição pela Universidade Estácio de Sá.
Atua na Escola Municipal Ministro Alcides Carneiro e Edi Ludmila Moreira Máximo onde desenvolve práticas pedagógicas antirracistas, utilizando a Educação Física como ferramenta para a formação integral, valorização da cultura negra, diversidade e enfrentamento ao racismo estrutural. Moradora da Zona Oeste do Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande, articula sua prática docente às vivências do território, com compromisso com a educação pública, inclusiva e socialmente referenciada.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor 1 educação física
A prática pedagógica consistiu na culminância realizada em 27 de novembro, em celebração ao Dia da Consciência Negra, com o tema “Favela, orgulho e lazer: resistência e mobilização”, como resultado do trabalho desenvolvido ao longo do ano com os alunos dos 8º e 9º anos. A proposta teve como ideia central valorizar a favela como espaço de produção cultural, histórica, esportiva e de resistência, rompendo estigmas e fortalecendo identidades.
Os estudantes foram protagonistas do processo, produzindo materiais para uma feira temática, como maquetes, faixas, jogos de tabuleiro, jogos da memória e de perguntas e respostas, utilizados como ferramentas de aprendizagem e socialização do conhecimento. A culminância contou ainda com oficinas abertas a toda a escola, realizadas com a participação de colaboradores parceiros do território da Zona Oeste, o que ampliou os saberes, fortaleceu os vínculos comunitários e enriqueceu significativamente a prática.
A finalidade foi celebrar a importância dos povos africanos e afro-brasileiros na construção do país, evidenciando contribuições culturais, sociais e econômicas, heranças linguísticas e históricas presentes na formação das favelas, além de promover o desenvolvimento do senso crítico, da consciência racial e de uma educação antirracista.
A prática pedagógica intitulada “Favela, orgulho e lazer: resistência e mobilização” foi desenvolvida ao longo do ano com alunos dos 8º e 9º anos, culminando em um evento no dia 27 de novembro, em celebração ao Dia da Consciência Negra. A proposta teve como objetivos promover uma educação antirracista, valorizar as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros na construção do país, desenvolver senso crítico e consciência racial, além de reconhecer a favela como espaço de produção cultural, social, econômica e de lazer.
Inicialmente, foi realizada uma etapa de sensibilização, por meio de rodas de conversa, vídeos, músicas e imagens, com o intuito de levantar conhecimentos prévios e provocar reflexões sobre racismo, identidade, território e heranças africanas. Em seguida, os alunos participaram de pesquisas orientadas, utilizando textos, materiais audiovisuais e relatos do território, relacionando a presença africana às formas de organização das favelas, à linguagem, à cultura e ao lazer.
Como estratégia central, adotou-se a aprendizagem por projetos, com os alunos organizados em grupos para a criação de materiais pedagógicos que seriam apresentados na feira cultural. Foram produzidas maquetes, faixas, jogos de tabuleiro, jogos da memória e jogos de perguntas e respostas, favorecendo o trabalho colaborativo, o protagonismo juvenil e a socialização do conhecimento. Essas estratégias foram escolhidas por possibilitarem a articulação entre teoria e prática, o uso de diferentes linguagens e a valorização das produções dos estudantes.
Paralelamente, foram estruturadas oficinas, algumas conduzidas por professores, responsáveis e outras por colaboradores parceiros do território da Zona Oeste, abertas a toda a escola. Essa estratégia teve como finalidade ampliar os saberes, fortalecer vínculos comunitários e legitimar os conhecimentos produzidos fora do espaço escolar, enriquecendo o processo educativo.
Durante todo o percurso, foram realizadas mediações reflexivas, com debates e registros em portfólios, permitindo a avaliação formativa e contínua. A culminância, em formato de feira cultural, possibilitou que os alunos atuassem como mediadores dos saberes, explicando suas produções à comunidade escolar.
A prática dialogou diretamente com o Projeto Político-Pedagógico da unidade, ao reafirmar o compromisso com a diversidade, a inclusão, a formação cidadã e o fortalecimento da relação escola-comunidade. Desenvolveu competências cognitivas, socioemocionais e culturais, consolidando a Educação Física e os projetos interdisciplinares como espaços potentes de educação crítica e antirracista
Durante a realização da feira cultural, foi observado elevado envolvimento, comprometimento e protagonismo dos alunos, que demonstraram apropriação e propriedade ao abordar os temas propostos, apresentando domínio dos conteúdos e segurança na mediação das atividades. Os objetivos foram alcançados, evidenciando a compreensão das contribuições africanas e afro-brasileiras na formação cultural, social e histórica do país, bem como o reconhecimento da favela como espaço de resistência, cultura e lazer.
A metodologia mostrou-se adequada ao contexto da prática por considerar as vivências dos estudantes e o território da escola. A aprendizagem por projetos, aliada às oficinas e à feira, favoreceu a participação ativa, o trabalho coletivo e a valorização dos saberes locais.
Como principais contribuições, destacam-se o fortalecimento da autonomia, do senso crítico, da consciência racial e das relações de respeito. Ressalta-se ainda o impacto positivo junto aos colaboradores externos, que ficaram impressionados com o comportamento, o comprometimento e a qualidade dos trabalhos, reafirmando o papel da escola pública como espaço de transformação social.
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