Boas PráticasROSALIA DA SILVA MARQUES
Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Estácio de Sá em 2005, pós-graduação em Neurociência(2021)
Desde 2011, atua na Secretaria Municipal de Educação (SME- AEI). Em 2016, assumiu como professora de Educação Infantil. Desde 2022,atua como Coordenadora Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Rosália da Silva Marques
Estimular a reflexão crítica dos estudantes sobre as origens e consequências do racismo.
Desconstruir estereótipos e narrativas que perpetuam desigualdades.
Fortalecer valores de respeito, empatia e igualdade em todas as relações escolares.
Promover o reconhecimento e a valorização da diversidade racial e cultural presente na comunidade escolar.
Incentivar práticas antirracistas no cotidiano da escola, envolvendo alunos, professores e famílias.
As ações antirracistas desenvolvidas na unidade escolar tiveram como ponto de partida a aplicação de questionários diagnósticos junto a alunos e professores, permitindo avaliar o nível de conhecimento sobre racismo, suas manifestações e a percepção dos privilégios presentes no cotidiano escolar. Esse levantamento inicial orientou o planejamento de intervenções educativas alinhadas às necessidades reais da comunidade. Em continuidade, foram promovidas rodas de conversa com temas centrais, como a história do racismo no Brasil, privilégios sociais e identidade negra, criando espaços de diálogo, escuta ativa e construção coletiva de saberes. Essas discussões fortaleceram a consciência crítica, o respeito às diversidades e o compromisso com um ambiente escolar mais justo e acolhedor.
A celebração do Dia da Consciência Negra e de outras datas antirracistas configurou-se como uma ação estratégica para valorizar a cultura afro-brasileira. Atividades como roda de capoeira, apresentações de samba e degustação de feijoada permitiram vivências culturais integradas, articulando música, dança, culinária e diálogo de forma intencional. Essas experiências favoreceram o reconhecimento das manifestações culturais de matriz africana e ampliaram reflexões sobre resistência, identidade e pertencimento étnico-racial.
Considerando que a escola está localizada no Sambódromo, o carnaval foi adotado como eixo estruturante de uma prática pedagógica afrocentrada, tendo como referência o samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira (2019), que destaca histórias negras silenciadas pela narrativa oficial. Essa abordagem fortaleceu o letramento racial e permitiu ressignificar interpretações históricas. As atividades também se articularam ao estudo do filme “Doutor Gama”, de Jeferson De, e ao texto “Racista, não racista e antirracista”, de José Falero, utilizando múltiplas linguagens para aprofundar a compreensão das desigualdades raciais.
A ampliação do repertório cultural dos estudantes foi marcada pela leitura e discussão de obras de autoras e autores negros, como Carolina Maria de Jesus, Sônia Rosa, Ailton Krenak e Lélia Gonzalez, valorizando diferentes vozes e reconhecendo as contribuições da população negra para a sociedade brasileira. Visitas a exposições e murais, além de apresentações de dança, música e poesia, enriqueceram o processo formativo com experiências estéticas que fortalecem identidade, resistência e orgulho.
Assim, o conjunto das ações constituiu uma prática pedagógica sistematizada, intencional e comprometida com o enfrentamento ao racismo, a valorização da cultura afro-brasileira e a formação de sujeitos críticos, conscientes e socialmente engajados.
Ampliação da consciência crítica dos estudantes e professores sobre o racismo, seus mecanismos de reprodução e seus impactos sociais.
Maior engajamento da comunidade escolar nas discussões sobre identidade, diversidade e pertencimento étnico-racial.
Fortalecimento do letramento racial, evidenciado pela capacidade dos alunos de analisar criticamente conteúdos históricos, midiáticos e culturais.
Valorização da cultura afro-brasileira, percebida pela participação ativa nas atividades culturais, apresentações artísticas e rodas de conversa.
Redução de estereótipos e preconceitos no cotidiano escolar, com melhora na convivência e nas relações entre os estudantes.
Aumento do interesse por obras de autores(as) negros(as) e pelas temáticas de resistência, memória e ancestralidade.
Maior integração entre áreas do conhecimento, a partir do uso de múltiplas linguagens (cinema, música, literatura, capoeira, samba) nas práticas educativas.
Protagonismo estudantil fortalecido, com participação mais ativa na construção de debates, apresentações e reflexões coletivas.
Consolidação de uma cultura escolar antirracista, marcada por práticas pedagógicas sistematizadas, intencionais e alinhadas à promoção da equidade racial.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: MEC/SEPPIR, 2004.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a LDB para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira".
EVARISTO, Conceição. Olhos d’Água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.
FALERO, José. “Racista, não racista e antirracista”. In: As coisas. São Paulo: Todavia, 2020.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: Ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HASENBALG, Carlos. Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. São Paulo: Ática, 1960.
KRENAC, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 1999.
NASCIMENTO, Abdias do. O Genocídio do Negro Brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 2016.
RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
ROSÂNGELA, Sônia. As cores da escravidão. Rio de Janeiro: Pallas, 2020.
SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e. “Educação das Relações Étnico-Raciais”. In: Educação e Pesquisa, v. 36, 2010.
Documentário/Filme:
DOUTOR GAMA. Direção de Jeferson De. São Paulo: Paranoid, 2021.
MANGUEIRA. História para ninar gente grande. Samba-enredo, Carnaval 2019.
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