Boas PráticasLUCIANA LIMA DA MOTA
Mulher negra, pedagoga formada pela UNIRIO e mestre em educação pela UERJ (PROPED), concluindo a especialização em Relações Étnico-Raciais pelo CEFET-RJ em 2026. Foi bolsista PIBID durante a graduação, onde a experiência levou ao encontro da temática antirracista, que segue como objeto de pesquisa até os dias presentes. Atua na SMERJ há oito anos, como PEF - Anos Iniciais, e se debruça sobre temas que envolvam identidades e antirracismo, infâncias negras, e práticas educativas que busquem dialogar com a participação efetiva e ativa das crianças. Ao entender a importância da discussão sobre as narrativas trazidas em sala de aula, compreende-se também a potência de transbordar tais temas para outras esferas além dos muros da escola; e é por esse prisma que a intencionalidade pedagógica conflui: produzir e proporcionar vivências a partir do cotidiano escolar a fim de que contribuam para valorização das diferenças e identidades, sobretudo as das nossas crianças da rede pública municipal.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF Anos Iniciais
Nos momentos de Roda de Leitura, a turma e a professora buscam no acervo da escola, livros para serem lidos e debatidos em conjunto. Em um desses momentos, o livro "Azul Haiti" de Paty Wolff foi selecionado, e sua leitura impactou as crianças para além de uma leitura deleite diária. A obra fala sobre pessoas refugiadas do Haiti, o que, junto com as belíssimas ilustrações, apresentam uma nova perspectiva para o universo infantojuvenil cuja pauta é muito necessária de ser discutida em sala: povos refugiados e como são recebidos em países que ofertam acolhimento e uma nova oportunidade de vida (como é o caso do Brasil).
Num primeiro momento, realizamos uma roda de conversa ao observarmos a capa do livro e identificar informações explícitas - e talvez implícitas - ali presentes. Hipóteses surgem, são expressadas verbal e ortograficamente no quadro.
Segundo momento: A leitura do livro aconteceu coletivamente, e após isso, comentamos sobre as suposições que fizemos anterior à leitura, comparando com o que aprendemos com o livro. Algumas crianças acreditavam, por exemplo, que o Haiti ficava na África, e a partir da obra de Patty Wolff, puderam explorar no mapa da sala aonde ficava o HAiti, descobrindo um país da América Latina. Dessa forma, segundo a justificativa de uma criança, ela acreditou que Haiti fosse africano por trabalharmos muito sobre África, e também porque os personagens eram negros. Ou seja, todo o processo proporcionou quebra de esteriótipos e expansão da compreensão geográfica, cultural, de povos e relações étnico-raciais.
Terceiro momento: Com a repercussão da leitura, decidimos conversar sobre as partes que as crianças acharam mais interessantes e, após isso, registrar com desenhos e um pequeno texto justificando sua escolha. A obra fala sobre os desafios de se construir uma nova vida em um lugar completamente novo, sobre os direitos garantidos legalmente, sobre CLT, cidadania, multiculturalismo... Isso apareceu nas produções das crianças, que foram expostas no mural externo da escola para apreciação de toda comunidade.
As crianças aprofundaram saberes geográficos (América Latina; países); exploraram os conceitos e diferenças entre refugiados e imigrantes, se tornaram mais curiosas sobre as vivências das colegas venezuelanas da turma, além de tornarem mais palpáveis os conteúdos trabalhos no material rioeduca.
Vale destacar a importância de tais discussões pois em nossa turma, bem como na escola, temos a presença de crianças imigrantes da Venezuela, podendo assim, discutir os conceitos de imigrantes/refugiados e pensar em como esse deslocamento afeta e impacta a vida dessas pessoas, as que as rodeiam, e as possibilidades de se ampliar o repertório cultural a partir disso.
Registros