Basta dar uma olhada na história recente de Ramos para constatar a importância do bairro em termos de samba. Há pelo menos duas gerações, a região congrega expoentes que começaram suas carreiras sem grandes pretensões e preocupados, apenas, em brincar o carnaval ou ouvir boa música.
Fundadores de peso
Campeão por várias vezes no Grupo Especial do carnaval carioca, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense deriva de uma agremiação chamada Recreio de Ramos, que tinha como componentes celebridades do quilate de Pixinguinha, Heitor dos Prazeres e Villa-Lobos, assíduos frequentadores das rodas de samba locais. Fundada em março de 1959, a escola homenageia os subúrbios servidos pela Estrada de Ferro Leopoldina e foi precursora em buscar temas de enredos também na literatura e nas artes.
Dois anos mais jovem, o bloco carnavalesco Cacique de Ramos surgiu das rodas de samba promovidas por três famílias – Aymoré, Oliveira e do Nascimento – embaixo de um pé de tamarindo. Jorge Aragão, João Nogueira e Almir Guineto compuseram ali algumas canções que, mais tarde, viriam a fazer sucesso na voz da madrinha do bloco, Beth Carvalho, como Coisinha do Pai e Vou Festejar. No início dos anos 1970, o Pagode da Tamarineira reunia na quadra, toda quarta-feira, autores e intérpretes que mais tarde viriam a se tornar ídolos da MPB, como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Jovelina Pérola Negra. Além de desfilar pelos bairros da vizinhança, os mais de 10 mil componentes do Cacique de Ramos arrastavam multidões atrás de si também nas principais vias do Centro.
Entre outras celebridades que cruzaram sua trajetória com a do Cacique estão Marina Montini, musa do pintor Di Cavalcanti; o cantor Emílio Santiago; e até a repórter Glória Maria, primeira princesa do bloco e que conseguiu estrear no jornalismo depois de participar com a agremiação de uma visita ao Programa do Chacrinha. A grande consagração aconteceu em 2012, quando o Cacique de Ramos foi tema do enredo da Mangueira e do desfile da Banda de Ipanema. Já o Fundo de Quintal surgiu em 1980, nas mesmas rodas de quarta-feira, utilizando instrumentos incomuns, como o banjo com braço de cavaquinho, criado por Almir Guineto, e o tantã, criado por Sereno.
A área que atualmente corresponde a Ramos se origina da Fazenda do Engenho da Pedra, que depois passou a se chamar Fazenda Nossa Senhora de Bonsucesso, e ficava dentro da sesmaria de Inhaúma. A região da Praia de Ramos era conhecida como Cais de Pedra. A propriedade passou por várias mãos, até chegar ao Capitão Luiz José Fonseca Ramos, cujos descendentes estimularam o crescimento da localidade, aproveitando a implantação da Estrada de Ferro Leopoldina. Importante para o lazer dos moradores é o Social Ramos Clube, fundado em 1945. O bairro conta, ainda, com 20 unidades escolares da Rede Municipal de Ensino.
Fontes: Portal GeoRio, Portal Samba Rio Carnaval, Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira