O nome da Escola Municipal Júlia Lopes de Almeida, localizada na Rua Almirante Alexandrino, em Santa Teresa, homenageia a primeira mulher a escrever profissionalmente no Brasil. Moradora do bairro por muitos anos, ela foi uma espécie de desbravadora da “nova mulher” dos tempos republicanos, que ansiava por maior participação na vida política, econômica e cultural do país.
Casada com o escritor, teatrólogo e jornalista português Filinto de Almeida, Júlia (1862-1934) promovia, em sua casa de Santa Teresa, saraus literários e musicais que reuniam grandes nomes das artes e da literatura do país, como o pintor Eliseu Visconti e os escritores Aloísio e Arthur Azevedo, Raimundo Correia, Coelho Neto, Olavo Bilac e muitos outros. Mas Júlia e Filinto, cujos salões chegaram a ser conhecidos como “a embaixada literária de Portugal no Brasil”, estão longe de ser os únicos promotores de saraus a morar no bairro.
Carlos de Laet e Arthur Azevedo são alguns exemplos de escritores que lá moravam. Entre os músicos, pode-se citar o maestro Alberto Nepomuceno, que, junto com outros colegas de profissão, animava os saraus promovidos por um ilustre morador de Santa Teresa: Joaquim Murtinho, um dos donos da poderosa Companhia de Mate Laranjeira, senador da República eleito em 1890 e ministro dos governos dos presidentes Campos Salles e Prudente de Morais.
Desde os tempos do Império, Joaquim Murtinho promovia em sua casa, aos domingos, soirées musicais animadas com sonatas de Beethoven, Mozart e Chopin, além das canções compostas pelos músicos que tocavam no sarau. Mas foi a sobrinha e herdeira de Murtinho, Laurinda Santos Lobo, quem promoveu os mais importantes saraus da República Velha, segundo Hilda Machado, em seu livro sobre a história de Santa Teresa. O prefeito da então capital federal entre 1902 e 1906, Francisco Pereira Passos, e os presidentes da República Nilo Peçanha e Epitácio Pessoa foram alguns dos frequentadores assíduos de seus salões.
Inserção na diplomacia
A “Marechala da Elegância”, como Laurinda era rotineiramente chamada pela imprensa carioca, alinhava-se aos novos ideais da República, ansiosa por mostrar ao mundo que o Rio era uma verdadeira Paris dos trópicos. E os salões de madame eram uma espécie de cartão de visita da finésse afrancesada da cidade. Hilda Machado diz, inclusive, que eram peças fundamentais da política diplomática do barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores entre os anos 1902 e 1912: “Escritores e artistas, celebridades estrangeiras em visita ao Rio, nunca deixavam de ir ao salão da senhora Santos Lobo”, escreve ela em seu livro.
Laurinda Santos Lobo também era uma mecenas das artes. Além dos poderosos da República e das celebridades estrangeiras, recebia em sua residência – que, hoje, é o Parque das Ruínas – inúmeros artistas marcantes da história da cultura brasileira, os quais protegia e financiava. Um de seus maiores protegidos foi Heitor Villa-Lobos.