Boas PráticasALINE LIBORIO DE CASTRO
Aline Liborio de Castro, Professora II da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro, graduada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Especializada em Direito Público. Advogada. Atuante no NIAP/PROINAPE.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSOR II
A escola constitui o principal espaço de convivência social fora do ambiente familiar, sendo fundamental para a formação das relações interpessoais. Nesse contexto, destaca-se a ocorrência do bullying e do cyberbullying, formas de violência escolar que representam um grave problema de saúde pública, com impactos psicossociais negativos tanto para as vítimas quanto para os agressores.
Nesse sentido, este projeto, em parceria com o Núcleo de Apoio às Unidades Escolares (NIAP) e com as escolas vinculadas à 10ª Coordenadoria Regional de Educação, busca fomentar a discussão sobre bullying e cyberbullying na instituição escolar participante, com o propósito de prevenir e eliminar essas práticas do cotidiano escolar.
O objetivo geral é criar e manter um ambiente educacional seguro, inclusivo e acolhedor, promovendo o bem-estar e o desenvolvimento integral dos alunos do 7°ano ao 9° ano da unidade escolar, GET Armando Klabin.
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
4. Utilizar diferentes linguagens - verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital -, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
O projeto adotou uma abordagem holística e multifacetada e foi estruturado em quatro fases.
Fase 1: Diagnóstico e Observação
Realização de grupos focais com representantes dos segmentos (alunos, professores e equipe diretiva) para aprofundar a compreensão sobre as percepções, dinâmicas e desafios relacionados ao bullying/cyberbullying na escola.
Fase 2: Formação
Para Professores e Equipe Escolar: Alguns professores e equipe diretiva participaram das atividades realizadas com os alunos e aprenderam sobre estratégias de intervenção eficazes, mediação de conflitos e como oferecer apoio emocional às vítimas.
Para Alunos: Promoção de palestras, rodas de conversa e oficinas sobre empatia, comunicação não-violenta, segurança digital, cyberbullying e desenvolvimento da autoeficácia. Foram utilizados recursos como filmes e jogos para reforçar a mensagem antibullying.
Para Pais e Responsáveis: Organização de um encontro para discutir o papel da família na prevenção do bullying e cyberbullying, como identificar sinais em seus filhos e como colaborar com a escola.
Fase 3: Ação e Intervenção
Criação de um "Comitê Antibullying" composto por alunos, professores e equipe diretiva para revisar e adaptar as políticas da escola.
Promoção de campanhas de conscientização na escola, utilizando mídias sociais (da escola) para cultivar uma cultura de respeito e inclusão.
Fase 4: Monitoramento e Avaliação (Contínuo)
Análise contínua dos registros de ocorrências para identificar padrões e áreas que necessitam de maior atenção.
Reuniões periódicas do Comitê Antibullying para avaliar os resultados e propor ajustes nas estratégias, garantindo que o programa permaneça relevante e eficaz.
No primeiro encontro, utilizamos o jogo Caixinha Antibullying (Dani, 2020), lançado pela Editora Matrix, como dinâmica inicial para aprofundar a compreensão sobre as percepções, dinâmicas e desafios relacionados ao bullying/cyberbullying na escola.
Nos segundo, terceiro e quarto encontros debatemos com os alunos sobre os efeitos psicológicos que se desdobram a partir do bullying/cyberbullying. Utilizamos os vídeos: “Cyberbullying: violência virtual machuca” e “Ninguém nasce mau”. Após os vídeo realizamos uma roda de conversa para os alunos expressarem casos que tomaram conhecimento, reportagens; ou seja, incentivamos os alunos a falarem sobre a gravidade do assunto.
No quinto encontro foram debatidos temas que apareceram de forma frequente relacionados aos episódios de bullying/cyberbullying, como: padrões de beleza, de corpos e de conduta; racismo; intolerância religiosa, de gênero, de classe social e outros. Para trabalhar esses conteúdos utilizamos duas reportagens: “Jovem é alvo de bullying virtual por causa de foto” e “Registros de bullying/cyberbullying batem recorde no Brasil | Jornal da Band”.
No sexto encontro,construímos um vídeo que foi utilizado como uma campanha de ações contra o bullying/cyberbullying.
A implementação do projeto buscou gerar impactos concretos no cotidiano escolar, como a redução significativa dos casos de bullying e cyberbullying relatados, o aumento da percepção de segurança e bem-estar entre os alunos e a melhoria do desempenho acadêmico, acompanhada de maior participação social e redução do absenteísmo. Além disso, pretendeu-se fortalecer a parceria entre escola, família e comunidade nas ações de prevenção, ao mesmo tempo em que se promove a formação dos professores e alunos, tornando-os mais preparados e confiantes para enfrentar situações de bullying e cyberbullying de maneira eficaz e construtiva.
Dessa forma, ao longo do processo de implementação, pode-se observar maior interação dos participantes nas atividades realizadas. Gradativamente, os alunos demonstraram maior compreensão sobre o tema. Nesse sentido, de acordo com os relatos dos próprios discentes, houve redução da prática de Bullying e Cyberbullying em seu cotidiano escolar.
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