Boas Práticaspriscila de moraes ferreira
Graduada em licenciatura plena em pedagogia pela UERJ/RJ.
Trabalho como professora do ensino fundamental anos iniciais da prefeitura do Rio de Janeiro.
Temas de interesse: educação antirracista, alfabetização e letramento, inclusão, capacitação de professores e autoestima.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor II
Diminuir a baixa frequência e a frequência irregular;
Aumentar o interesse nos componentes curriculares propostos;
Aumentar o repertório linguístico e cultural dos alunos;
Trabalhar a autoestima;
Trabalhar a autoimagem;
Trabalhar o protagonismo negro;
Trabalhar o empoderamento de crianças pretas;
Este é um relato apresentado da pesquisa vivenciada nas turmas de primeiro ano do ensino fundamental, anos iniciais, no Ginásio Experimental Tecnológico (GET) - Ministro Plínio Casado no ano de 2024, no bairro de Brás de Pina, no estado do Rio de Janeiro. Tendo em vista a importância das práticas educativas antirracistas voltadas no processo de alfabetização e letramento para o primeiro ano do ensino fundamental, é importante que estas estejam organizadas com ações que façam sentido para as crianças e as aproximem ao máximo das realidades por elas vivenciadas ao conteúdo trabalhado, possibilitando uma aprendizagem significativa, surge o seguinte questionamento: como alfabetizar e letrar crianças através do protagonismo negro (mulheres do samba)?
Com objetivo geral de visibilizar uma prática pedagógica antirracista e criativa com a construção de atividades educacionais simples onde os professores possam realizar no cotidiano escolar, como auxílio no processo de alfabetização e letramento e, que, consequentemente irá contribuir para o fortalecimento da autoestima das crianças pretas. A proposta aqui apresentada insere-se enquanto técnicas, ferramentas e estratégias que dinamizam as metodologias ativas que, no nosso entendimento, são posturas do professor e dos alunos frente ao conhecimento, necessitando estar atreladas a um objetivo e adaptadas para o alcance deste.
Silva, Texeira e Pacífico nos fala isso através de suas análises nos livros didáticos de 1950 até o presente e denunciam que ainda hoje brancos e negros aparecem de forma hierarquisada.
Então resolvi demonstrar o meu desejo, para a direção, de alfabetizar e letrar crianças através do protagonismo negro. Eliane Cavalleiro (2001) fala sobre uma educação antirracista, que não despreze a diversidade presente no ambiente escolar. Devemos fazer proveito dessa diversidade para promover a igualdade, encorajando a participação de todos os alunos. A visão do professor mostra-se fundamental para essa construção, ensinando às crianças uma história crítica sobre os diferentes grupos que constituem a história brasileira. O professor precisa pensar formas de educar para o reconhecimento positivo da diversidade racial, elaborando ações que possibilitem o fortalecimento da autoestima dos alunos negros.
O projeto segue em andamento, mas já percebemos o quanto está sendo essencial trabalhar o protagonismo negro desde dos primeiros anos do colegial. Pois notamos que através das atividades simples de alfabetização e letramento, atrelada a uma educação antirracista, contribuíram de maneira significativa na construção da autoimagem e autoestima das criança.
Hoje, temos crianças mais empoderadas, que aceitam seus fenótipos e ancestralidade e já conseguem entender que ser preto não está atrelado a uma raça inferior como a história eurocentrada costuma relatar.
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