Descubra o que dizem os estudos

Com base nos dados da pesquisa realizada com os professores da rede municipal do Rio de Janeiro, é possível perceber, pela amostra, que existem avanços em direção à integração da IA na educação, com professores engajados e conscientes do potencial pedagógico da ferramenta. 

Nas percepções sobre a IA, destaca-se uma visão positiva e curiosa, ainda que acompanhada de incertezas quanto ao uso prático e aos impactos éticos em sala de aula.

Existe boa disposição atitudinal (crença em benefícios pedagógicos) e autoavaliação favorável de conhecimento conceitual e de riscos em termos gerais.

#como os professores percebem a IA

Alta pontuação nos itens Compreendemos os conceitos gerais de IA e Entendemos seus potenciais e riscos indica que os professores já internalizaram uma noção ampla do que é a IA e sua presença cotidiana.
A crença de que a IA pode aumentar criatividade e engajamento revela disposição para explorá-la como ferramenta de inovação didática, não apenas de eficiência.
As médias elevadas sugerem curiosidade e confiança moderada, terreno fértil para políticas de formação que avancem do saber o que é para o saber aplicar.
O item Sei como me proteger contra ameaças da IA apresenta os menores índices, sinalizando vulnerabilidade ética e informacional – tema prioritário para diretrizes de privacidade e autoria.
A aplicação da IA para eficiência administrativa e personalização da aprendizagem aparece com médias intermediárias – pode sinalizar um hiato entre discurso e prática.
As respostas sugerem que a adoção concreta ainda depende de condições organizacionais, não apenas de interesse individual.
Os docentes se sentem bem em conceitos e benefícios, mas ainda pouco seguros em proteger dados e uso e em aplicar IA de forma sistemática no cotidiano. Curiosidade e abertura existem, mas viram prática quando há apoio institucional (políticas, tutoriais, fluxos). Sem isso, a adesão fica intermitente e concentrada em usos pontuais. O eixo ética/segurança é o gargalo: quase metade ainda não está em níveis altos (4–5) de segurança/proteção – ponto prioritário para diretrizes claras, exemplos e checklists simples.
O uso ainda se concentra em tarefas administrativas e planejamento, com baixa incidência em mediação didática e avaliação.
A IA aparece como apoio ao professor, não como parte intencional de objetivos/competências/avaliação.
Onde há formação e regras claras, observam-se ganhos em engajamento e qualidade das produções discente.
A implementação de práticas formativas envolvendo IA requer atenção às diferentes realidades de infraestrutura existentes nas unidades escolares, especialmente no que se refere à conectividade, disponibilidade de equipamentos digitais e ao acesso a redes Wi-Fi. Essas variações podem influenciar o ritmo de apropriação das tecnologias pelos professores e demandam estratégias formativas sensíveis aos contextos de cada escola e região administrativa.
A pesquisa indica que parte significativa dos professores recorre a equipamentos próprios para planejar e desenvolver atividades digitais. Esse aspecto revela tanto o engajamento docente no uso de tecnologias quanto a importância de considerar, nas políticas de formação e implementação da IA, as condições materiais disponíveis nas unidades escolares e os suportes institucionais necessários para sua ampliação.
A pesquisa aponta que parte significativa dos professores não reconhece com clareza a existência de protocolos, normativas ou orientações internas voltadas ao uso da Inteligência Artificial nas unidades escolares ou nas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). Esse dado sugere a necessidade de maior sistematização e divulgação das diretrizes existentes, bem como de ações formativas que favoreçam sua apropriação pelos profissionais da rede.