Do início de sua formação, na Escola Pio XII, em Vila Kosmos, até o atual trabalho na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, a trajetória do professor Antonio Augusto Alves Mateus Filho, 67 anos, foi um tanto curiosa. Morador do bairro onde iniciou seus estudos, hoje ele é casado e tem três filhas, mas, quando criança, queria mesmo era ser padre.
Em busca disso, Antonio se mudou para a cidade de Itu, em São Paulo, onde ingressou em um seminário carmelita. Lá, concluiu o curso ginasial e o primeiro ano clássico. Mas acabou desistindo da carreira religiosa, deixou o seminário e voltou para o Rio. Concluiu seus estudos no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, da UEG (Universidade do Estado da Guanabara, hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj).
Como sempre gostou muito de ler, decidiu estudar para tornar-se professor de Língua Portuguesa, formando-se em Letras – Português e Latim, na UEG.
Em sua trajetória como professor, ele deu aulas em alguns colégios particulares e também nas escolas municipais Mato Grosso e Almirante Newton Braga de Faria, ambas no Irajá; Grécia, na Vila da Penha; e General Osório, em Coelho Neto, onde também atuou como diretor.
Tudo isso até receber um convite para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação, em uma equipe que acompanhava o desempenho das escolas. “Já havia sido chamado, mas para atuar na parte administrativa. E o que eu queria mesmo era estar mais perto da área pedagógica”, conta.
Hoje, Antonio Augusto é assistente da Subsecretaria de Ensino e trabalha com questões relacionadas à avaliação escolar, tema sobre o qual ministra palestras. É também um dos professores do módulo 1º ao 3º ano do curso Interações Pedagógicas – uma parceria da SME com a MultiRio. As aulas são exclusivas para professores da Rede e transmitidas de terça a quinta pela WebTV. “É uma proposta muito interessante. Não há outro caminho para falar com os milhares de professores da Rede. Temos que usufruir dos meios que possuímos”.
Sobre o aprendizado em sala de aula, Antonio aponta o caminho que acredita ser o ideal. “Ainda hoje, existem pessoas que acham que as crianças devem decorar conteúdos, mas elas precisam é saber buscar, entender e verificar a veracidade da informação”.

Duas paixões: cinema e literatura
Amante das artes, o professor elege, sem dificuldades, seus três filmes favoritos, que, segundo ele, foram marcantes em sua trajetória: Ben-Hur, de William Wyler; A Noviça Rebelde, de Robert Wise; e Doutor Jivago, dirigido por David Lean. “Quando ainda estudava no seminário, fui ao cinema pela primeira vez. Ao ver aquela tela, enorme, em cores, foi um grande impacto. O filme era Ben-Hur, que, por isso, acabou tornando-se muito marcante para mim”, explica.
Em seu (pouco) tempo livre, ele também gosta de se dedicar à leitura. No acervo particular, estão mais de três mil livros! Entre os preferidos, as obras de José de Alencar e Casimiro de Abreu, além de O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry. “É um clássico. Cada vez que se lê, enxerga-se algo novo, de acordo com o momento que você está vivendo”.
Essa bagagem literária acabou por inspirá-lo a escrever, além de artigos, também poesias, no anseio de, um dia, quem sabe, publicar o próprio livro.