Ao trabalhar o combate ao desperdício de alimentos nas aulas de Ciências, Rosana Zeitune, professora da Rede Municipal de Educação do Rio, ganhou uma viagem a Londres com tudo pago.
Há anos, ela ensina à garotada o aproveitamento total dos alimentos e a redução da produção de lixo. Afinal, se as cascas dos alimentos concentram a maior quantidade dos nutrientes, por que jogá-las fora? Com essa proposta, a professora estimula os adolescentes a pesquisar, em casa, receitas familiares que utilizem sobras. Ao mesmo tempo, aproveita para falar de temas como alimentação saudável e distúrbios alimentares.
Quando começou a lecionar na E.M. Rodrigues Alves (7ª CRE), na Barra da Tijuca, em 2013, o projeto Receitas sem Desperdício cresceu e foi sistematizado. Os alunos traziam de casa receitas como suco de casca de abacaxi, bolo de casca de banana, bolinho com a sobra do arroz, torta de legumes com o que restou da salada, batata frita feita com a parte que sai ao descascar o legume, quindim em que não se descartam as claras. A turma editou um livro de receitas e, durante a Feira de Ciências, houve degustação das comidas. Os pais participaram com prazer e saborearam o resultado dos pratos, inclusive com troca de receitas entre eles. Notava-se também o orgulho dos filhos.
Receitas sem Desperdício
Em 2015, a SME indicou a E.M. Rodrigues Alves para participar do II Prêmio de Educação Científica BG Brasil, cujo objetivo é divulgar práticas de sala de aula diferenciadas e exitosas, que possam ser multiplicadas com facilidade. Naquele momento, o projeto estava bem-acabado e documentado e foi escolhido para representar a escola. Apesar de ser a segunda edição do concurso, era a primeira vez que as escolas do Ensino Fundamental podiam concorrer. Em 2014, só o Ensino Médio participou.
Para surpresa de Rosana, seu projeto conquistou o primeiro lugar, colocação só divulgada na cerimônia de entrega dos prêmios, em noite de gala na Sala Cecília Meireles, centro do Rio. A professora recebeu R$ 5 mil e viajou com outros cinco colegas, também agraciados, para a capital britânica, com o acompanhamento de um intérprete. Lá, durante uma semana, o grupo conheceu museus, escolas e o Observatório de Greenwich, além de aproveitar horas livres para passear por conta própria.
Mesmo com a experiência positiva de dedicação exclusiva na E.M. Rodrigues Alves, em 2016, Rosana optou por sair daquela unidade para dividir-se entre as escolas municipais Frederico Trotta, Dom Pedro I e Frei Gaspar, todas pertencentes à 7ª CRE, porque considera “enriquecedor lidar com diversas realidades”.
Qualidade de vida
Ao longo da carreira, Rosana conseguiu concentrar os locais de trabalho nas proximidades de onde mora, o que lhe dá mais qualidade de vida e mais tempo com a família: três filhas (16, 13 e 4 anos) e o marido, também professor do Município, da disciplina de Educação Física.
Nas horas de lazer, aprecia caminhar ao ar livre, na praia ou no Canal de Marapendi. Ao ser perguntada se gosta de ser professora, Rosana diz que não ganha um supersalário e engata o seguinte raciocínio: “E, precisa? Remuneração é importante, mas tem que ser feliz na profissão. E eu sou”.
Sua formação começou no curso Normal e prosseguiu, por pressão familiar, com a faculdade de Biologia. Era preciso um diploma universitário. No início, desejava ser professora de crianças pequenas, pois, como ressalta, “o jardim e o primário são a base de tudo”. E, para isso, bastava o curso Normal. No entanto, a Biologia se revelou gratificante e, hoje, ela se sente realizada em dar aulas de Ciências para o ginásio: “É a melhor matéria do mundo!”, diz, entre risos. “Você não precisa estar sempre certa, a ciência muda com o passar dos anos. É próprio da disciplina a pesquisa em conjunto para aprender algo novo. Além do que, trabalho despertando a curiosidade dos jovens.”