Primeiro veio a igreja que batizou a localidade situada entre o centro da cidade e o Catete. Hoje, convivem no bairro prédios residenciais, empresariais, edificações e praças históricas, tendo à frente a Marina da Glória – um porto náutico do Rio de Janeiro. Na parte alta, avista-se a Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro, inaugurada em 1739, considerada uma joia da arquitetura barroca setecentista.
A respeito de sua história, é curioso saber que Cláudio Gurgel do Amaral, dono da Chácara do Oriente, doou as terras a Nossa Senhora em escritura pública de 20 de junho de 1699, com a condição de ser edificada ali uma capela permanente e nela ser sepultado com seus familiares e descendentes.
A igreja era frequentada pela família real, sendo que em 1819, D. João VI levou a neta, Maria da Glória, para ser consagrada lá. A partir de então, os Bragança nascidos no Brasil têm sua cerimônia de consagração no Outeiro.
Aos pés dessa construção, encontram-se exemplos tanto de boa quanto má conservação do passado carioca. Logo abaixo da igreja, as casas da Villa Aymoré, de estilo eclético, construídas entre 1908 e 1910, acabam de ser restauradas. Já o Palacete Cornélio, de 1862, na Rua do Catete, 6, está em péssimo estado de conservação, embora tombado pelo Iphan desde 1938. Na mesma calçada, é possível também conhecer o Palácio São Joaquim, de 1918, propriedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Murada é lembrança de um mar próximo
Indo em direção ao Centro, vê-se o relógio de 1905, seguido da murada feita para conter a ressaca do mar, que chegava até ali no século XVIII. Um pouco adiante, no número 156 da Rua da Glória, existe, ainda, o chafariz construído em 1772 para trazer água potável de Santa Teresa.
Em 1906, foi construída a Avenida Beira Mar, seguindo um projeto de ajardinamento e arborização de inspiração francesa. E, na década de 1960, o aterramento chegou ao estágio atual, com a criação do Parque do Flamengo.
Entre as avenidas Beira-Mar e Augusto Severo, a Praça Paris foi inaugurada em 1929, seguindo também o estilo francês. Do seu lado direito, antes de chegar à Praça do Russel, fica a sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro – Seaerj – um prédio de dois pavimentos, em alvenaria de pedra, construído em 1864 para ser a sede dos serviços de esgotos sanitários e pluviais, uma das obras públicas mais importantes do reinado de D. Pedro II.
Os aterramentos sucessivos também afastaram o mar que chegava à subida para o Outeiro, onde existia a Praia do Russel e o Mercado da Glória, demolido na primeira década de 1900.
O bairro é repleto de construções históricas, entre elas: Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, conhecido como Monumento dos Pracinhas (Aterro); o Memorial Getúlio Vargas (Praça Luís de Camões); Monumento à Abertura dos Portos (Rua do Russel) e a estátua de Pedro Álvares Cabral (Largo da Glória).
Ilustres que passaram por lá
O Hotel Glória, com sua belíssima vista da Baía da Guanabara, viveu dias de imponência, hospedando chefes de Estado como Jânio Quadros (que morou lá) e Getúlio Vargas; além de inúmeras personalidades – o cientista Albert Einstein, o bailarino e coreógrafo Maurice Béjart, o astronauta Yuri Gagarin, a atriz Jane Fonda, o líder cubano Fidel Castro e a cantora Madonna. Célebres também eram os concursos de beleza, como o de Rainha da Praia, promovido pelo jornal Última Hora; o concurso de fantasia, antes do tradicional baile de carnaval; além de bailes de debutantes. Atualmente, o hotel encontra-se fechado, aguardando por obras de revitalização em sua fachada e interior.
No acesso ao bairro de Santa Teresa, na Rua Benjamin Constant, estão localizados o Templo da Humanidade, da Igreja Positivista, de 1881; e o Hospital da Beneficência Portuguesa, erguido em 1840.
Na mesma Benjamin Constant viveu o pintor Vitor Meireles, autor do quadro A Primeira Missa no Brasil, de 1861. Outro morador ilustre da Glória foi o médico e escritor Pedro Nava, memorialista conhecido por obras como Baú de Ossos e Balão Cativo, entre outras.
O bairro conta também com duas escolas municipais: a E.M. Deodoro e a E.M. Maria Leopoldina, além de unidades estaduais e privadas; restaurantes como o Taberna da Glória, O Amarelinho e A Casa da Suíça, esse de culinária internacional, situada no Consulado Geral da Suíça, na Rua Cândido Mendes.
Ateliês de artes plásticas e de restauros, a Cia de Dança Débora Colker e outros espaços culturais escolheram a Glória como endereço. Lá também surgiu a primeira feira orgânica, inaugurada em 1993, logo depois da ECO 92. Hoje, além do comércio de alimentos e artesanato, promove oficinas de alimentação, apresentações de teatro, dança e capoeira, intitulando-se Feira Orgânica e Cultural da Glória.