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Pedra de Guaratiba: jeito de interior no perímetro urbano
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Publicado por Sandra Machado em 10/06/2014


home pedraCaso você esteja precisando repousar a mente sem sair da cidade, uma boa sugestão é dar um pulo a Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste. No ambiente bucólico, a cerca de 60 km do Centro, se encontram restaurantes de frutos do mar – atendidos diretamente por uma colônia de pescadores centenária –, sítios históricos e arqueológicos. Ali, às margens da Baía de Sepetiba, muita paz e sossego fazem parte do cotidiano de apenas 10 mil moradores. Com a natureza bem preservada, a localidade serve até mesmo como parada estratégica na rota de bem-informadas aves migratórias vindas da América do Norte.

A região entrou oficialmente para a história do Rio de Janeiro em 5 de março de 1579, quando o português Manuel Veloso Espinha recebeu do rei de Portugal a terra denominada Guaratiba dos Tupinambás. No local, ele explorou a produção de açúcar e aguardente, em paralelo ao cargo de oficial da Câmara Municipal. Depois de sua morte, as terras foram herdadas pelos dois filhos, Manuel Veloso Espinha Filho e Jerônimo Veloso Cubas, tendo como marco divisório de cada parte o Rio Piraquê. Algumas fontes citam, ainda, que Pedra de Guaratiba foi um importante porto para o escoamento do ouro extraído de Minas Gerais para Portugal, no século XVII.

Em 27 de junho de 1629, Jerônimo Veloso Cubas e a esposa, Beatriz Alves Gago, fizeram a doação da recém-construída Capela de Nossa Senhora do Desterro e mais metade de suas terras ao Convento do Carmo. Segundo o registro histórico, o casal acreditava que um milagre, atribuído à Virgem Maria, teria recuperado a saúde da índia que trabalhava para a família. Elencada entre as três mais antigas da cidade, junto à de Nossa Senhora de Bonsucesso e a de Santa Luzia, que ficam no Centro, desde 1937 a Igreja de Nossa Senhora do Desterro é tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

No bairro se encontram, ainda, a sede da antiga Fazenda Caieira e um dos marcos da Fazenda Real de Santa Cruz. Feitos em pedra, os marcos imperiais limitavam as 11 léguas existentes entre o antigo Morro do Castelo, no centro do Rio, e o Palácio Imperial de Santa Cruz. Quando a área da Fazenda Caieira foi loteada, em 1972, os trabalhadores encontraram uma urna indígena, que foi usada pelo gerente do empreendimento como vaso de plantas na varanda de casa. Intrigado com a aparência da peça, um funcionário conseguiu solicitar uma análise ao Instituto de Arqueologia do Brasil. Só assim se descobriu que a peça era tupi-guarani e devia ter aproximadamente 1.000 anos. Na região, existiram dois sítios indígenas: um na Praia de Ponta Grossa e outro junto ao Rio Piracão.

Em Pedra de Guaratiba podem ser encontrados dois sambaquis: Embratel e Zé Espinho, com idade estimada, respectivamente, em 2.260 e em 1.180 anos. Um sambaqui é formado por camadas arqueológicas sobrepostas, que equivalem a sucessivas ocupações humanas. Na língua tupi, sambaqui significa “monte de conchas”, enquanto guaratiba quer dizer “lugar com muitas aves”. O que reforça a suspeita de que a migração internacional das aves com pouso no bairro vem de muito tempo.

Diversão de todo tipo, ao alcance de uma boa caminhada

procissão2Ao chegar a Pedra de Guaratiba, o visitante tem uma boa gama de opções de lazer. Há uma área com dois píeres, com uma vista que convida a fotografar, a fazer uma caminhada ou andar de bicicleta. O primeiro é o Píer de São Pedro, na praça de mesmo nome, e que tem duas ramificações: uma que adentra o mar e outra que corre em paralelo ao litoral, terminando no local apelidado de Coqueirinho. Ali fica uma área com chuveiros, quadras esportivas polivalentes, aparelhos de ginástica, bancos e mesas. O segundo é o Píer de Nossa Senhora do Desterro, com acesso a partir da Rua Piemonte.

Na principal rua do bairro, a Barros de Alarcão, se inicia o Polo Pedra de Guaratiba de Gastronomia, Cultura e Turismo, que se estende pela Rua Cabo João Protzek até a Avenida Carlos Silva Rocha, Estrada da Matriz e Rua Belchior da Fonseca. Além dos restaurantes, a Casa das Artes – Centro de Apoio Sociedade Amigos das Artes, onde são expostas e comercializadas as obras dos artistas locais, também atrai muitos visitantes.

Já em 1870, na então Freguesia de São Salvador do Mundo de Guaratiba, Mestre Fabrício organizou a primeira banda local. Outros regentes deram prosseguimento ao trabalho pioneiro, até que, em 1905, a direção passou para Deozílio Manoel Pinto, que legou seu nome à organização. Hoje, a banda se apresenta em salas de concertos e em diversas festividades, e na sede são oferecidos cursos de música para os jovens da comunidade.

Quem aprecia cultura também precisa conhecer a Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha, localizada na Rua Soldado Eliseu Hipólito e que tem um espaço adaptável para múltiplos espetáculos, desde teatro de bonecos a grandes shows da MPB. São dois andares para a plateia, com 353 assentos no primeiro e 114 no superior. Além disso, a arquibancada é retrátil, o que dá a possibilidade de abrigar até mil pessoas na arena.

E como ficam os esportes? Há dois anos, foi inaugurada a Vila Olímpica Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, em homenagem ao doutor Sócrates, que disputou as Copas de 1982 e de 1986 pela seleção brasileira. O centro esportivo, que tem ginásio multiuso, pista de atletismo, piscina, campo de futebol e até um teatro, fica na Rua Bidu Sayão, s/nº. Além dessa infraestrutura, no local são oferecidas diversas atividades artísticas, inclusive para a terceira idade.

Em Pedra de Guaratiba, tradição e modernidade têm espaço garantido

vista geralUma das festas mais significativas para a comunidade é a Folia de Reis, que se estende de 6 a 20 de janeiro. A data inicial destaca a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. A final, o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade.

Outra celebração importante é a festa de São Pedro. A Igreja de São Pedro fica na Rua Belchior da Fonseca, e foi inaugurada em 1956. No mesmo local, havia outra, construída em 1925, mas que precisou ser substituída por problemas estruturais. Anualmente, em 29 de junho, é dali que sai a imagem do santo em uma procissão marítima, com barcos enfeitados, que é acompanhada por terra e culmina em uma grande festa junina.

Quanto à tecnologia nossa de cada dia, o bairro foi escolhido, em 2013, para receber a primeira Nave do Conhecimento do Projeto Rio Digital 15 Minutos, que vai construir 40 espaços digitais comunitários de alta tecnologia até 2016. Alfabetização digital, inglês, robótica e vídeo são alguns dos cursos oferecidos, além de internet banda larga e, nos fins de semana, cinema ao ar livre.

Para os adeptos da terapia culinária, vale uma parada no Mercado de Peixe Neco Russo, onde se encontra peixe fresco a ótimo preço. Em maio de 2009, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário inaugurou o entreposto, aberto diariamente, das 7h às 19h.

Por meio de parcerias, há 25 anos a Fundação Xuxa Meneghel promove programas em Pedra de Guaratiba. Há projetos de qualificação profissional, inclusão digital, ensino de idiomas, geração de renda, atividades culturais e esportivas. Além do atendimento comunitário a famílias, no nível nacional a atuação da entidade se dá na defesa dos direitos da infância e da adolescência.

Muita natureza preservada

Em 5 de outubro de 1992, a Lei nº 1.918 autorizou a criação da Área de Proteção Ambiental das Brisas e do Parque Municipal Bosque das Brisas. A APA das Brisas é formada por ecossistemas de praia e restinga, e abriga espécies endêmicas da fauna e da flora nativas. Na Baía de Sepetiba se encontram os principais remanescentes de manguezais do município e um dos principais conjuntos do bioma em todo o estado.

Próximo à antiga sede da Fazenda Caieira, existe um trecho de mata preservado, com árvores de grande porte, como figueiras e ingás, bromélias e trepadeiras. Entre os animais, há cachorros-do-mato, gambás, morcegos, corujas e alguns tipos de patos, além de espécies mais raras, como o falcão-peregrino e o guará-vermelho.

Além da APA, em 1974 foi criada a Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, atualmente com 3.360 hectares. Ela integra o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar e o Mosaico Carioca, um canal de interlocução entre a sociedade civil, as unidades de conservação e as áreas protegidas situadas na zona metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) não faz distinção entre os limites situados nos três bairros vizinhos – Pedra de Guaratiba, Barra de Guaratiba e (Ilha de) Guaratiba – para a delimitação da reserva.

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