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Camorim, patrimônio natural a ser preservado
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Publicado por Sandra Machado em 08/04/2014

igreja camorimVerdadeiro oásis no Rio de Janeiro, tanto em relação ao verde quanto à segurança, Camorim está localizado entre a Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Vargem Pequena e Vargem Grande. Habitado parcialmente por descendentes de quilombolas e com baixa densidade demográfica, o bairro é recordista em crescimento populacional na cidade. Saltou de 786 habitantes no ano de 2000 para 1.970 em 2010, segundo o mais recente censo do IBGE, com um aumento de 150%.

Nas últimas décadas, toda a Baixada de Jacarepaguá vem sendo alvo da exploração imobiliária, em especial após a valorização da área, em razão dos Jogos de 2016 – o Parque Olímpico está sendo construído onde existia o Autódromo de Jacarepaguá. Em Camorim, encontramos sítios, chácaras, residências de classe média e o maior centro de convenções da América Latina – o Riocentro, inaugurado em 1977.

No bairro, situado na área do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), fica a comunidade do Alto Camorim, uma das três remanescentes de quilombos no Rio, junto com a Pedra do Sal, no bairro da Saúde, e o Sacopã, próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Distribuído por cerca de 200 casas, o grupo sobrevive da agricultura familiar e serve de exemplo como integração harmônica com a natureza.

Camorim é um nome derivado da palavra tupi camury, que significa “mata com muitos mosquitos”. Ao longo do século XVII, a região foi objeto de disputa entre a família Sá e a Ordem Beneditina. Em 1597, a coroa portuguesa confirmou a doação de terras entre a restinga da Tijuca e Guaratiba, realizada três anos antes por Salvador Correia de Sá a seus dois filhos, Gonçalo e Martim de Sá.

Gonçalo ficou com a sesmaria à esquerda da Lagoa de Camorim, onde construiu o Engenho do Camorim. Na área então denominada Pirapitingui, que em tupi significa “peixe de escamas brancas”, e atualmente corresponde ao bairro do Camorim, Gonçalo mandou construir, em 1625, uma capela em homenagem a São Gonçalo do Amarante. Na época, essa era uma fórmula eficiente de conseguir prestígio junto à comunidade.

Martim de Sá ficou com a propriedade situada à direita da Lagoa do Camorim e encomendou a construção de uma capela dedicada à Nossa Senhora da Cabeça no Engenho D’Água, na localidade hoje conhecida como Gardênia Azul, que era sua principal propriedade. Seu neto, Martim Correia de Sá e Benevides Velasco, iniciou a dinastia dos viscondes de Asseca, cujos descendentes tentaram, em vão, anular o testamento que havia concedido a propriedade das terras aos religiosos.

No Rio desde 1589, os beneditinos se instalaram na zona oeste da cidade em 1670. Ali, montaram uma estrutura de grande prosperidade, com fazendas dedicadas à criação de gado, cultivo de cana-de-açúcar e de mandioca, onde havia até mesmo o beneficiamento da farinha. Ao longo do século XIX, passaram a arrendar parte de suas terras, que foram definitivamente colocadas à venda em 1891.

A partir da década de 1930, aumentou o número de transações comerciais de terrenos em Camorim, até então propriedade do Banco de Crédito Móvel. De 1936 em diante, a Empresa Saneadora Territorial Agrícola, de Francis Walter Hime, cuidou do loteamento e urbanização da região. Pertencente à XXIV Região Administrativa (Barra da Tijuca), Camorim é um dos bairros mais equilibrados em relação aos gêneros, já que o total de mulheres supera o de homens em apenas 0,15%. A denominação, delimitação e codificação do bairro foram estabelecidas pelo Decreto nº 3.158, de 23 de julho de 1981, com alterações do Decreto nº 5.280, de 23 de agosto de 1985.

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