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Muito que conhecer no Engenho de Dentro
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Publicado por Sandra Machado em 23/11/2015

Localizado em ponto estratégico da Zona Norte, já que é vizinho de outros nove bairros, o Engenho de Dentro reproduz, em escala menor, a vocação carioca para o esporte e a cultura. Em uma área de 50 mil metros quadrados, onde funcionou a maior rede de oficinas ferroviárias da América Latina, projetos de revitalização vão dar origem à Praça do Trem e ao Passeio Olímpico Engenhão, um novo complexo de lazer para quem mora no Grande Méier.

Trilhos urbanos fizeram toda a diferença

estacaocarnaAté a criação da Estrada de Ferro Dom Pedro II – que a partir do advento da República, em 1889, passou a se chamar Estrada de Ferro Central do Brasil –, a região se dedicava à atividade canavieira, como a referência à palavra “engenho” no nome já indica. Os registros mais antigos informam que, no século XVIII, a extensão fazia parte das terras do oficial João Árias de Aguirre. Quando elas foram desmembradas, ganhou destaque a Chácara do Dr. Francisco Fernandes Padilha, que chegava até a Serra dos Pretos Forros, onde funcionava uma fábrica de carvão. Para escoar sua produção, o doutor Padilha mandou abrir os primeiros acessos e, com isso, deu feição ao núcleo atual do bairro, formado pelas ruas Adolfo Bergamini, Doutor Padilha e Gustavo Riedel, entre outras.

Com o acesso facilitado pela via férrea, se instalaram nas redondezas grandes oficinas para construção e manutenção do principal meio de transporte da cidade no fim do século XIX. O terreno da Fazenda Engenho de Dentro deu lugar às Oficinas de Locomoção, inauguradas em dezembro de 1871, que atendiam uma estrutura gigantesca para a época: quatro mil quilômetros de trilhos, 700 locomotivas e cinco mil carros de passageiros e vagões. Dez anos mais tarde, já era considerada a mais importante rede de oficinas da América Latina.

baronezaO prédio atual da Estação Engenho de Dentro, de 1937, foi construído no mesmo local onde a anterior funcionava desde 1873. Considerada uma das mais bonitas do ramal da Central do Brasil, a edificação lembra uma gare europeia, marcada pela forma monumental de sua estrutura metálica com cobertura em arco. Os vestígios do passado ferroviário ainda estão muito presentes no bairro. Não por acaso, na Rua Arquias Cordeiro, onde começam oficialmente os limites do Méier, está situado o Museu do Trem, que fica nas dependências do velho galpão de pintura de vagões. Tanto a construção quanto o acervo foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2011.

Fundado em 1984, o museu reúne algumas relíquias da história das ferrovias brasileiras. Como a Baroneza (assim mesmo, com Z), primeira locomotiva a circular no país, trazida da Inglaterra pelo Barão de Mauá. Ou o vagão Estado, criado para atender as viagens dos presidentes da República e que foi muito utilizado por Getúlio Vargas: da peça constam um gabinete para despachos e uma suíte, com direito a banheira e aquecedor de água. Instrumentos de medição, placas comemorativas e um carro de bombeiros puxado por tração animal, de uso exclusivo da ferrovia, são itens adicionais que valem a visita.

Arte terapêutica

bachaUm passeio pelo bairro do Engenho de Dentro não pode dispensar uma ida ao Museu de Imagens do Inconsciente, que funciona no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira – na verdade, um centro de estudos e pesquisa na área de saúde mental. O acervo tem cerca de 3.500 obras, entre pinturas, desenhos, modelagens e xilogravuras. Inaugurado em 20 de maio de 1952, o museu reúne uma coleção produzida pelos internos do Setor de Terapia Ocupacional e Reabilitação, dirigido pela médica de 1946 a 1974, e que é parcialmente tombada pelo Iphan. Nise da Silveira apostava na terapia ocupacional como agente de recuperação dos doentes mentais, por meio da qual estimulava o contato afetivo interpessoal e a expressão criativa como meio de cura.

Quando o trabalho começou, o centro psiquiátrico tinha 1.500 internos, a maioria deles esquizofrênicos crônicos, que perambulavam pelos pátios. Três meses após a inauguração, já havia material suficiente para a primeira exposição. Graças ao reconhecimento internacional e à ação da Sociedade dos Amigos do Museu do Inconsciente, a iniciativa continua existindo, e o Espaço Aberto ao Tempo disponibiliza ateliês para a realização de novos trabalhos. Atualmente, as exposições não são realizadas apenas na sede da instituição, mas também em outros locais, como universidades e centros culturais.

Espaço para a festa e para a fé

ceicafinA tradição carnavalesca sempre esteve muito presente no bairro. Nos anos 1940, um dos blocos mais populares era o Chave de Ouro. Já o Arranco iniciou como um bloco de sujo e, depois de virar sociedade recreativa em 1965, se transformou em escola de samba na década de 1970. Apadrinhada pela Portela, a escola adotou as mesmas cores da agremiação – azul e branco – e um falcão no lugar da águia portelense.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição e São José ganhou um projeto arquitetônico inspirado no estilo neogótico tardio e ficou pronta no ano de 1940. Em seu interior, na capela do Santíssimo, tem destaque uma pintura da autoria de Salvador Pujals Sabaté, concluída em 1948. O templo dedicado a Nossa Senhora da Conceição ficava na única capela do bairro, na Rua Francisca Meyer, até que o monsenhor Antônio Jerônimo Rodrigues fundou um colégio e começou as obras que deram origem à matriz atual, na Avenida Amaro Cavalcanti. A via, aberta pelo prefeito de mesmo nome, liga o Engenho de Dentro ao Méier.

O Engenhão e o investimento no esporte

O Estádio Olímpico João Havelange (atualmente Estádio Nilton Santos), carinhosamente chamado pela população carioca de Engenhão, foi construído para a realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, em parte do terreno das extintas oficinas ferroviárias. Além do futebol, o estádio recebeu as disputas de atletismo, inclusive dos Jogos Parapan-Americanos. Com capacidade para um público de 46 mil pessoas, teve sua partida inaugural em 30 de junho daquele ano, quando o Botafogo venceu o Fluminense por 2 x 1.

engenhaoTerminado o evento, o Botafogo obteve a concessão para administrar o estádio. Em fevereiro de 2015, a Prefeitura homologou o pedido do clube para usar oficialmente o nome de fantasia Estádio Nilton Santos, em homenagem àquele que é considerado o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, também conhecido como Enciclopédia do Futebol, tamanha sua afinidade com a bola.

Além do campo com grama natural e dimensões de 105 x 68 metros, o Engenhão conta com uma pista de atletismo de nove raias no padrão standard da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, do inglês International Association of Athletics Federations), dois setores para salto triplo e em distância, um para salto com vara, outro para salto em altura e uma pista de lançamento de dardo. Por causa dos Jogos Olímpicos de 2016, há um projeto de ampliação da capacidade para 60 mil espectadores.

Passeio Olímpico Engenhão

Numa área ao lado do estádio deve surgir a Praça do Trem, com arborização, iluminação em lâmpadas de LED e dois quilômetros de ciclovia. Ela é apenas uma parte do Passeio Olímpico Engenhão, que prevê o alargamento das calçadas para incentivar a prática de corridas e caminhadas de quem mora no entorno. Os galpões tombados, que formavam as Oficinas de Locomoção, passam por uma restauração coordenada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), justamente para que seja conservada a estética do conjunto. As obras se concentram no quadrilátero formado pelas ruas Arquias Cordeiro, das Oficinas, José dos Reis e Doutor Padilha.

Outra novidade é a construção da Nave Olímpica do Conhecimento, que será usada para difundir informações sobre os Jogos Olímpicos, as modalidades e as transformações pelas quais a cidade tem passado para sediar o maior evento esportivo do mundo. Tudo isso com tecnologia de ponta, com o uso de simuladores de provas, painéis interativos e até identificação por radiofrequência dos próprios visitantes: na entrada, cada pessoa receberá uma pulseira que, a partir do cadastro preenchido, pemitirá um roteiro personalizado.

Museu do Trem: Rua Arquias Cordeiro, 1.046 - Telefone: 2269-5545

Museu de Imagens do Inconsciente: Rua Ramiro Magalhães, 521 - Telefone: 3111-7471

Igreja de Nossa Senhora da Conceição e São José: Av. Amaro Cavalcanti, 1.761

Estádio Nilton Santos (Engenhão): Rua Arquias Cordeiro, s/n - Telefone: 2546-1950

Fontes:

Revista Sentidos, Jornal O Globo, Veja Rio, Site da Prefeitura do Rio, Enciclopédia Itaú Cultural

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