Boas PráticasMILENA NASCIMENTO DE SOUZA
Milena Nascimento de Souza é professora de Língua Portuguesa na Escola Municipal Sobral Pinto (RJ). Graduada em Letras (Português/Literaturas) pela UERJ e especialista em Língua Portuguesa pelo Liceu Literário Português, atua com projetos de leitura e com práticas de alfabetização e letramento. Desenvolve iniciativas voltadas à formação crítica dos estudantes e a projetos que articulam linguagem, cultura e diversidade, incluindo ações educativas de caráter antirracista.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I - Língua Portuguesa
Objetivo Geral: Promover uma prática pedagógica antirracista que valorize a contribuição africana para a língua portuguesa e fortaleça o protagonismo estudantil por meio de atividades de leitura, pesquisa, produção artística e oralidade.
Objetivos Específicos:
Reconhecer palavras de origem africana incorporadas ao vocabulário brasileiro;
Desenvolver a capacidade de pesquisa e a leitura crítica de textos informativos;
Estimular o protagonismo discente na produção de materiais visuais e verbais;
Trabalhar noções de ancestralidade e identidade cultural;
Ampliar a competência oral por meio da poesia falada e da apresentação pública;
Integrar o projeto às diretrizes antirracistas previstas no PPP da escola.
Descrição geral da prática: A prática desenvolvida ao longo do quarto bimestre com as turmas 1603, 1704 e 1706, no contexto do projeto de Círculo de Leitura, teve como foco valorizar a contribuição africana para a língua portuguesa, reconhecendo a ancestralidade presente em nosso vocabulário cotidiano e fortalecendo a consciência histórica e cultural dos estudantes. A atividade foi construída dentro da perspectiva de que a Consciência Negra é um compromisso de todos os dias, dialogando diretamente com os princípios do Projeto Político-Pedagógico da unidade, que defende a educação antirracista, a diversidade e o protagonismo discente.
O projeto estruturou-se em três eixos principais:
a) Pesquisa e exploração lexical: Apresentei às turmas uma seleção de palavras de origem africana presentes no português brasileiro (como “cafuné”, “samba”, “moleque”, “ginga”, entre outras), discutimos coletivamente a origem e os significados dessas palavras, integrando momentos de leitura, debate e levantamento de hipóteses. Essa etapa permitiu identificar como a cultura africana se inscreve em nosso cotidiano linguístico, favorecendo o desenvolvimento da competência leitora e do pensamento crítico.
b) Criação das placas ilustradas: Cada grupo escolheu uma palavra pesquisada e, a partir dela, iniciou a criação de placas ilustradas contendo: o termo; sua origem; um desenho que representasse seu significado; alguns alunos fizeram textos utilizando as palavras de origem africana. Nessa etapa, o protagonismo estudantil foi central: foram os alunos que definiram layout, linguagens visuais, fraseologia e formas de apresentação. O meu papel docente foi de mediação, orientando, sugerindo caminhos e apoiando a construção estética e informacional das placas. O processo envolveu a articulação de múltiplas linguagens (verbal, visual e artística).
c) Ancestralidade, identidade cultural e expressão oral: Para ampliar a discussão, trabalhamos o conceito de ancestralidade e identidade cultural, relacionando-os ao Dia da Consciência Negra e à história de Zumbi dos Palmares. Foram lidos e discutidos poemas e performances do Slam das Minas, destacando a potência da poesia falada como instrumento de resistência e afirmação identitária. As turmas realizaram uma atividade de pesquisa e expressão oral, na qual os estudantes produziram seus próprios textos e os apresentaram para a turma, inspirados na estética do slam. A oralidade, a criatividade e a coragem de se expressar publicamente foram competências amplamente desenvolvidas.
d) Por fim houve a organização e exposição das placas no mural da escola, compartilhando o trabalho com a comunidade escolar.
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