Boas PráticasJAQUELINE DE OLIVEIRA COSTA MELO
Há 13 anos no magistério. Professora da Rede Pública Municipal de Educação do Rio de Janeiro em regência de turma de educação infantil desde 2021. Pedagoga formada pela Universidade do Estado do Pará. Pós-graduada em Educação Especial Inclusiva e Mestra na temática de ensino da pessoa com deficiência visual. Formadora de professores na área de comunicação aumentativa e alternativa.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora
CATHERINE LEVENHAGEN LUZ PERTH
Há 24 anos no magistério. Professora da Rede Pública Municipal de Educação do Rio de Janeiro em regência de turma de educação infantil desde 2001. Pedagoga formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade Cândido Mendes.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de Educação Infantil
CAROLINA FERRAZ LOUREIRO
Há 6 anos no magistério. Professora Adjunta da Rede Pública Municipal de Educação do Rio de Janeiro de educação infantil desde 2024. Pedagoga formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela Uyleya.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora Adjunta de Educação Infantil
A prática foi desenvolvida no EDI Chácara do Céu, situado no Complexo do Borel, no bairro da Tijuca, com a participação de 40 crianças das turmas da pré-escola.
A proposta descrita também preconiza um dos pilares traçados no projeto político pedagógico (PPP, 2025) da nossa unidade visto que realizamos uma prática antirracista, anticapacitista, popular, ecológica, decolonial, entre outros. Promovendo interações de valorização e respeito à diversidade. Além de estar de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BNCC, 2018).
O foco da prática foi apresentar para as crianças os brinquedos e brincadeiras indígenas. Antes disso, falamos primeiro sobre os povos originários, para as crianças entenderem seu modo de vida, cultura e hábitos.
Iniciamos o trabalho com a cultura indígena por meio de vivências, como: contação de histórias, análise de imagens e fotografias, além da exibição de vídeos e músicas indígenas. Em seguida, abordamos a alimentação: as crianças conheceram a base alimentar (Munduruku, 2002; 2019, Pataxó et al, 2002 ) e cultural dos indígenas: a mandioca, e experimentaram alimentos oriundos da raiz, tais como farinha, tapioca, bolo, biju e mandioca cozida e frita.
Apesar da inserção da mandioca em propostas pedagógicas serem comuns, não teve como excluir a vivência, pois ela está presente na culinária atual, sendo necessário mostrar a origem de alguns alimentos já conhecidos pelas crianças. Além de estimular a degustação de novos sabores, pois, algumas delas apresentam dificuldades em aceitar diversos alimentos.
As crianças conheceram alguns artefatos indígenas, como: cestos, pau de chuva, maracá, cerâmica e a cabaça, esta última utilizada na confecção do maracá. Em outro momento, após escutarem a lenda do amuleto Muiraquitã, elas o modelaram utilizando a técnica de modelagem em argila e o pintaram de verde. As crianças também aprenderam alguns significados do grafismo indígena e reproduziram a técnica.
Na nossa comunidade descobrimos uma árvore de urucum, cuja, a partir das sementes são preparadas as tintas para pinturas corporais indígenas e as crianças conheceram e exploraram a fruta também realizando pinturas. Em relação aos brinquedos e brincadeiras indígenas, as crianças conheceram diversos itens: apitos, arco e flecha, peteca, e bonecos e bonecas de gravetos. As brincadeiras exploradas incluíram: cabo de guerra, arranca mandioca, corrida da tora, corrida com uma perna confecção dos bonecos e bonecas de graveto foi realizada com as famílias.
As turmas já estavam imersas em diversas vivências e propostas pedagógicas voltadas aos povos originários. Nesse percurso trabalhamos com as crianças a compreensão de que existem múltiplas etnias indígenas no Brasil, cada uma com suas próprias formas de organização, saberes, tradições e expressões culturais. Também discutimos como essas culturas se distribuem pelo território brasileiro e destacamos sua importância histórica na formação, participação e inserção da sociedade.
Nos desenhos, as crianças registraram as brincadeiras que aprenderam. Em seguida, por meio de textos coletivos, elas as relataram oralmente, e as professoras atuaram como escribas, formalizando o registro. O material foi compilado em um "livro" que agora faz parte do acervo da biblioteca do EDI, servindo como material de consulta para outras turmas.
No dia a dia, as crianças brincavam com as brincadeiras que tinham aprendido de forma espontânea, demonstrando o prazer e autonomia aplicadas na aprendizagem.
Observamos as crianças corrigirem as pessoas que se referiam aos povos originários de forma inadequada, utilizando o termo "índio" e recebemos relatos de familiares apontando essa correção em ambiente doméstico, também. .
Tivemos retorno das famílias falando que as crianças estavam comentando sobre o que aprendiam na escola em casa. E uma mãe registrou na agenda que o filho comentou que queria ser pajé para cuidar da floresta.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 3 ago de 2015..
ESCOLA EDI CHÁCARA DO CÉU (Rio de Janeiro). Projeto Político-Pedagógico. [Documento Institucional]. Rio de Janeiro, 2025.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 11 mar. 2008.
MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio: Versão infantil. São Paulo: Callis, 2019.
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO:documento de referência para a prática pedagógica. EDI Chácara do Céu, Rio de Janeiro, 2025.
ESCOLA EDI CHÁCARA DO CÉU (Rio de Janeiro). Projeto Político-Pedagógico. [Documento Institucional]. Rio de Janeiro, 2025.
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