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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO VAI AO MORRO SÃO JOÃO
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EM Dr. Mário Augusto Teixeira de Freitas - 3ª CRE
Praça Ibae - - Engenho Novo
Unidade não vocacionada
Anos Iniciais

AUTOR

ANDREZA BITTENCOURT CAVALCANTI

Andreza Bittencourt é atriz, professora e pesquisadora. Mestra em Ensino das Artes Cênicas (UNIRIO - 2024). Bacharel em Artes Cênicas (UNIRIO - 2006). Técnica em Teatro (Casa das Artes de Laranjeiras - 1998). Professora de Artes Cênicas da Rede Municipal do Rio de Janeiro, costurando os cotidianos de suas aulas com literatura negra e teatro como possibilidade para uma educação antirracista. Em 2025, atua como professora convidada da Escola Sesc de Artes Dramáticas. Apresentações dos alunos no Festival de Teatro da Mostra Multilinguagens: 2022 - "E foi Assim que eu e a escuridão ficamos amigas" adaptação do livro homônimo de Emicida. 2023 "Quantas Alafiás passaram por aqui..." a partir do livro Alafiá a princesa guerreira de Sinara Rúbia. 2024 - "Língua Portuguesa?" roteiro a partir de uma crônica de Daniel Munduruku (Crônicas indígenas para rir e refletir na escola). 2025 - "O Pequeno Príncipe Preto vai ao Morro São João" inspirado no livro de Rodrigo França O Pequeno Príncipe Preto.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF 40H ARTES CÊNICAS

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
5º ano
OBJETIVOS

"O Pequeno Príncipe Preto vai ao Morro São João" foi criado dentro do PPP da E.M. Dr. Mário Augusto Teixeira de Freitas entitulado "Viajando pelo mundo da leitura: as nossas histórias e as do mundo que nos cerca!", um projeto que destaca a leitura como expressão artística potente e uma ferramenta fundamental para o conhecimento e construção da identidade.

O objetivo central foi desenvolver um trabalho a partir da literatura negra utilizando as aulas de Artes Cênicas e Roda de Leitura como possibilidades para a construção de uma educação antirracista no cotidiano escolar. Como norteador do trabalho utilizamos o livro "O Pequeno Príncipe Preto" de Rodrigo França, Esta obra serviu de inspiração para as crianças criarem textos onde o personagem principal visitasse o Morro São João. Território onde a maior parte das crianças reside e onde a escola se localiza. Essa dramaturgia se transformou em espetáculo e participou da 5 MML além de apresentações para toda a comunidade escolar.

HABILIDADES
5º ano - Artes Cênicas - Desenvolver o pensamento crítico-reflexivo
5º ano - Artes Cênicas - Identificar as possibilidades corporais e vocais
5º ano - Artes Cênicas - Praticar a solidariedade, resiliência e empatia com o outro e a coletividade
5º ano - Artes Cênicas - Relacionar-se em cena com o espaço, com o outro e com o texto
5º ano - Artes Cênicas - Usar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Maio/2/20 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET

Este projeto surge a partir da pesquisa “Literatura negra e teatro: possibilidades para uma educação antirracista”. Essa pesquisa foi contemplada em 2023 pela Cartografia de Boas Práticas da Rede sob título de “ Quantas Alafiás passaram por aqui: Literatura negra e teatro – possibilidades para uma educação antirracista” que foi defendida e, aprovada com louvor, em 2024 no Programa de Pós Graduação em Ensino das Artes Cênicas da UNIRIO sob a orientação de Paulo Melgaço da Silva Junior. O mestrado finda, mas a pesquisa é contínua.

“O Pequeno Príncipe Preto vai ao Morro São João” é um espetáculo que inicia seu processo de criação em fevereiro de 2025 com uma turma de quinto ano dentro das aulas de Artes Cênicas e Roda de Leitura da E.M. Doutor Mario Augusto Teixeira de Freitas. Este processo teve como fio condutor o livro “O Pequeno Príncipe Preto” de Rodrigo França, entretanto ao longo do ano as crianças tiveram contato com outras literaturas negras e indígenas ampliando e diversificando a representatividade dentro do espaço escolar.

O projeto foi criado dentro do PPP da escola entitulado "Viajando pelo mundo da leitura: as nossas histórias e as do mundo que nos cerca!", um projeto que destaca a leitura como expressão artística potente e uma ferramenta fundamental para o conhecimento e construção da identidade. Segundo o Projeto Político Pedagógico a idéia era “fortalecer a identidade de seus estudantes e a valorização de suas raízes.”

Partindo deste princípio, após a leitura e contato com a obra norteadora do processo, as crianças foram incentivadas a criarem uma história onde o personagem principal, em uma de suas viagens, visita o Morro São João. A turma foi divida em grupos. Construímos quatro histórias. A partir deste material criamos um roteiro único utilizando um pouco do que cada grupo havia proposto.

Ao longo do estudo algumas rodas de conversas aconteceram discutindo a valorização da representatividade negra a partir de Abdias do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro. Desta forma, o roteiro é iniciado com um prólogo em homenagem ao TEN e a Abdias.

Os ensaios e criação das cenas surgem a partir dos corpos e vozes das crianças, pela propriedade com que elas vão conquistando com o texto. São muitos exercícios que desenvolvem a consciência vocal e corporal incentivando a confiança, autoestima e potencial criativo de cada criança. As apresentações aconteceram duas vezes no pátio da escola para a comunidade escolar, na Mostra Regional (teatro Fernando Torres) e na Mostra Municipal ( Teatro Carlos Gomes) da 5ª Mostra Multilinguagens e também participaram do AIACONVIDA um projeto da AIACOM escola que atende a comunidade do São João com várias atividades extracurriculares. É fundamental enfatizar que, o material Rio Educa de Artes contribui muito para a prática antirracista, inclusive "O Pequeno Príncipe Preto" faz parte de uma das atividades sugeridas no material. É suporte inspirador na elaboração de nosso planejamento.

Foi observado ao longo do processo o desenvolvimento de um espírito de união e solidariedade entre as crianças. Houve também uma percepção, especilamente entre as meninas negras, da valorização da negritude no que diz respeito a estética dos cabelos crespos. Muitas meninas ao longo do ano vieram a escola com penteados ou de cabelos soltos de forma a valorizarem o cabelo crespo. Também foi perceptível seus corpos e olhares mais altivos. Algumas crianças expressaram verbalmente sobre o processo: "Sempre que tem sua aula/ensaio eu acordo com minha autoestima lá em cima", "Eu queria que tivesse teatro todo dia", "Quinta é um dia feliz porque tem ensaio". São falas que demonstram o desejo de estar no espaço escolar e a percepção de que o ambiente de aprendizagem pode ser prazerozo. Importante ressaltar que as crianças ficaram encantadas quando verificaram que no livro didático de português "O Pequeno Príncipe Preto" estava sendo citado e trabalhado dentro do conteúdo da disciplina.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

OPequeno Príncipe Preto de Rodrigo França editora Nova Fronteira

Abdias do Nascimeto editora Mostarda

ALMADA, S. Abdias do Nascimento: retratos do Brasil negro. São Paulo: Selo Negro, 2009.

BENTO, C. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

CARVALHO, É. L.; SILVA JUNIOR, P. M. Negros pelos negros: a importância da representatividade no cotidiano escolar. In: NASCIMENTO SOUZA, João José; SILVA JUNIOR, Paulo Melgaço; Caminhos para uma educação antirracista – teorias e práticas docentes. Rio de Janeiro, Wak editora, 2023.

FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

GOMES, N. L. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

NASCIMENTO, A. O genocídio do negro brasileiro: o processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2016.

Registros
IMAGENS
Apresentação na MML - etapa regional - Teatro Fernando Torres
sala de ensaio
Apresentação na escola
Apresentação AIACOM
plateia do Teatro Carlos Gomes - MML - etapa municipal
Divulgação da apresentação na AIACOM
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