Boas PráticasJOCIMARA DOS SANTOS DA SILVA
Olá, me chamo Jocimara Silva, sou professora regente numa escola no complexo da Maré. Minha trajetória profissional começou há 12 anos no município de Belford Roxo, onde atuei desde os anos iniciais, como professora alfabetizadora, atuando também na Educação Infantil e lecionando por 2 anos como Professora de Atendimento Educacional Especializado numa sala de Recursos nesse município. Em 2020, ingresso na Prefeitura Municipal do RJ como professora II , estando até a presente data.Sou formada em Pedagogia mas ao longo desses 12 anos no magistério nunca deixei de me especializar e buscar mais conhecimento. Fiz pós em Psicopedagogia e Educação Inclusiva, Especialização em Educação Inclusiva e Inovação Tecnológica pela RURAL, Formação livre em TransPsicomotricidade Educacional e atualmente estudo Psicanálise. Acredito que a formação acadêmica é crucial na minha vida profissional, onde tenho a possibilidade de compreender os educandos em todos os aspectos.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor II
A prática ocorreu no início do ano letivo, quando a professora regente e seus alunos, estavam brincando no parquinho da escola e uma das crianças falou a seguinte frase: Tia, queria ser alguém! A professora incomodada com a pergunta, indagou a criança o porque ela não se achava "alguém". Imediatamente o menino falou que não se via, não se enxergava. A partir dessa colocação, a professora montou uma prática pautada na TransPsicomotricidade que tem como base o pensamento complexo de Edgar Morin e a livre expressividade, tendo como foco principal o protagonismo da criança num brincar livre e expressivo. Como base foi utilizado o capítulo VI Ensinar a compreensão do livro de Edgar Morin: os sete saberes necessários à Educação do futuro, onde o autor traz a seguinte afirmação " a incompreensão de si é fonte, muito importante, da incompreensão de outro." (MORIN,2000 p. 97). Onde não nos enxergamos, não enxergamos o outro. O pertencimento se dá a partir da relevância que há na busca por apresentar ao sujeito o quanto devemos compreender a base da nossa sociedade e como a mesma foi constituída através dos povos originários e os negros oriundos da África.
A partir desse contexto e com base no projeto político pedagógico da Unidade Escolar que é pautada numa Educação antirracista, a professora apresentou numa vídeo aula o livro A cor de Coraline, onde a menina fica incomodada com a pergunta do colega sobre o empréstimo de um lápis cor de pele, no qual ela observa sua caixa de lápis de cor e vê através das 12 cores existentes a belezura que há na diversidade, onde não se importa a cor de pele, já que cada cor é bonita, cada cor tem sua razão, sendo cada cor representada por uma pessoa, tendo cada um seu jeito de ser. Após a exposição do livro, foram distribuídos para cada educando um espelho e lápis de cor com variados tons de pele, juntamente com uma folha onde eles teriam que produzir seus autorretratos. A princípio, o menino que indagou a professora que queria ser "alguém", ficou desconfortável ao olhar-se no espelho, era evidente que aquela ação não era rotineira. A professora se aproximou do mesmo e mostrou os tons de pele para a criança e enalteceu a beleza do seu tom, o menino dentro da classe é o mais retinto. Por fim, o educando olhou-se no espelho e aos poucos, começou a desenhar-se no papel a sua frente, mesmo começando a reproduzir o desenho com um tom que não era o mesmo da sua pele, por fim concluiu o autorretrato com o seu tom de pele.
Além de tudo que foi abordado acima e garantindo uma educação para as relações étnico - raciais, pautada nos valores civilizatórios afro -brasileiros trazidos no material da GERER, o lugar da Corporeidade é de relevância para que o estudante sinta-se pertencente ao lugar que habita. Então, nota-se que a proposta vai de encontro ao que a ERER tem como intuito, com base na Lei n°10.639/03 que é reconhecer -se e reconhecer no outro as diferenças que tornam a nossa sociedade plural e diversa.
O resultado esperado foi para além da sala de aula, a criança descrita acima no relato da prática, teve uma mudança brusca em seu comportamento, já que no início do ano letivo, a família do mesmo foi convocada algumas vezes por indisciplina e mau comportamento, sendo apresentado pelo responsável posteriormente que até mesmo a relação com os irmãos em casa teve uma mudança significativa, onde os conflitos tanto na escola quanto em família diminuíram. A prática foi de relevância para a turma numa perspectiva transdisciplinar, já que foi para além da disciplina, onde o objetivo maior foi uma busca para uma compreensão mais profunda e integrada de um problema, do qual ocorreu a união de diferentes campos do saber.
Para além do esperado em sala, para o ano de 2026 a ERER tem sido fortalecida porque hoje a professora que antes atuava em sala, coordena o grupo de professores do CIEP e além disso , há ações pontuais no GPÁgil pautadas numa Educação Antirracista.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.
Guia: Educação para as relações étnico - raciais. ERER na prática
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