Boas PráticasLIDIA DE ARAUJO SANTOS
Lídia de Araújo Santos é mestranda em Ensino de História pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui também pós-graduação em Fotografia e Informática na Educação.
Atualmente, é professora da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, atuando no Ensino Fundamental II, onde ministra a disciplina de História. Além disso, exerce a função de Professora Articuladora nos Ginásios Educacionais Tecnológico Grécia e Professor Ary Quintella.
Apaixonada por História, Arte, Cinema, tecnologia e fotografia, possui experiência consolidada no uso do audiovisual estudantil em sala de aula, que constitui o eixo central de seu objeto de estudo e pesquisa.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor Articulador - História
A prática desenvolvida tem como objetivo central articular o ensino de História, os Direitos Humanos, Educação das Relações Étnico-Raciais e a produção audiovisual estudantil para formar estudantes críticos, autônomos e conscientes das desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. Para isso, coloca os alunos como protagonistas em todas as etapas do processo: pesquisa, escolha dos temas, elaboração dos roteiros, gravação, edição e participação em festivais de cinema. Os curtas-metragens produzidos são resultado direto desse percurso formativo.
A proposta busca estimular a reflexão sobre memória, identidade e desigualdades, conectando conhecimento histórico, expressão artística e engajamento social para promover uma aprendizagem verdadeiramente significativa. Ao integrar o audiovisual estudantil à ERER e ao estudo das leis 10.639 e 11.645, a escola assume uma postura ativa na construção de um currículo antirracista.
A prática organiza-se em etapas didáticas articuladas que estruturam todo o processo de aprendizagem. Inicialmente, os estudantes realizam pesquisas bibliográficas e iconográficas, selecionam temas relevantes e problematizam questões relacionadas ao racismo, aos Direitos Humanos e às Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Em seguida, avançam para a roteirização e a construção das narrativas, desenvolvendo habilidades de planejamento, argumentação, síntese e tomada de decisões. A etapa de gravação e edição favorece o desenvolvimento de competências tecnológicas, letramento midiático e trabalho colaborativo, evidenciando a importância da escuta, da negociação e do compartilhamento de responsabilidades. Ao final, a participação em festivais amplia a circulação das produções e valoriza o protagonismo estudantil.
A prática proposta busca articular o ensino de História, Direitos Humanos e produção audiovisual, colocando os estudantes como protagonistas em todas as etapas do processo: desde a pesquisa e seleção temática até a elaboração de roteiros, gravação, edição e exibição dos curtas. As produções resultam de um percurso formativo que mobiliza habilidades como pesquisa histórica, leitura crítica de fontes, análise comparativa, comunicação, criatividade, colaboração e resolução de problemas. A finalidade central é estimular a reflexão crítica sobre memória, identidade e desigualdades, promovendo a autonomia dos estudantes e uma aprendizagem significativa que integra conhecimento histórico, expressão artística e engajamento social.
O processo de criação do curta “Todo Dia é 20 de Novembro” foi orientado pela ideia de que a valorização da cultura afro-brasileira deve ocorrer de forma contínua, e não apenas em datas comemorativas. Para isso, os estudantes pesquisaram obras cinematográficas que abordam a invisibilidade e a representatividade negra, como “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee. Após a exibição, realizou-se uma exposição de arte que deu visibilidade a personagens das religiões de matriz africana, ampliando o repertório cultural da turma e fortalecendo discussões sobre racismo estrutural e resistência cultural.
Já o curta “A Cor da Pele Importa?” teve como ponto de partida a análise de dados do censo do IBGE sobre raça e cor. Os estudantes discutiram temas como colorismo, desigualdade racial e a permanência de estruturas que, ainda no século XXI, fazem com que a cor da pele influencie oportunidades e trajetórias de vida. A produção adotou o formato documental, utilizando relatos dos próprios alunos como elemento central, valorizando experiências pessoais como forma legítima de construção do conhecimento histórico e social. Além de textos, foi utilizado o filme “Fio da Memória”, de Eduardo Coutinho, como referência para a construção narrativa.
As videoaulas sobre o Quilombo dos Palmares e os quilombos urbanos do Sacopã, Pedra do Sal e Camorim foram elaboradas a partir de pesquisas em materiais como a apostila RioEduca e sites especializados na temática.
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