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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
Relação entre audiovisual estudantil, Ensino de História, ERER e temas sensíveis.
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
Na Grécia - 4ª CRE
Av. Brás de Pina, 1614 - Vila da Penha

Anos Finais

AUTOR

LIDIA DE ARAUJO SANTOS

Lídia de Araújo Santos é mestranda em Ensino de História pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui também pós-graduação em Fotografia e Informática na Educação.
Atualmente, é professora da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, atuando no Ensino Fundamental II, onde ministra a disciplina de História. Além disso, exerce a função de Professora Articuladora nos Ginásios Educacionais Tecnológico Grécia e Professor Ary Quintella.
Apaixonada por História, Arte, Cinema, tecnologia e fotografia, possui experiência consolidada no uso do audiovisual estudantil em sala de aula, que constitui o eixo central de seu objeto de estudo e pesquisa.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor Articulador - História

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
8º ano
9º ano
OBJETIVOS

A prática desenvolvida tem como objetivo central articular o ensino de História, os Direitos Humanos, Educação das Relações Étnico-Raciais e a produção audiovisual estudantil para formar estudantes críticos, autônomos e conscientes das desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. Para isso, coloca os alunos como protagonistas em todas as etapas do processo: pesquisa, escolha dos temas, elaboração dos roteiros, gravação, edição e participação em festivais de cinema. Os curtas-metragens produzidos são resultado direto desse percurso formativo.

A proposta busca estimular a reflexão sobre memória, identidade e desigualdades, conectando conhecimento histórico, expressão artística e engajamento social para promover uma aprendizagem verdadeiramente significativa. Ao integrar o audiovisual estudantil à ERER e ao estudo das leis 10.639 e 11.645, a escola assume uma postura ativa na construção de um currículo antirracista.

HABILIDADES
8º ano - História - Compreender os objetivos das leis abolicionistas, identificando seus impactos sobre a sociedade brasileira em seu período de vigência e caracterizar a crise imperial no Brasil e os fatos históricos que desencadearam o “15 de Novembro”.
8º ano - História - Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão, com destaque ao reconhecimento de formas de lutas e de resistências à escravização no Brasil, e discutir a importância de ações afirmativas.
9º ano - Artes Cênicas - Relacionar às práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética
9º ano - Artes Visuais - Identificar de forma a operar tecnologias e recursos digitais para acessar, apreciar, produzir, registrar e compartilhar práticas e repertórios artísticos, de modo reflexivo, ético e responsável
9º ano - História - Identificar a ausência de mecanismos para inserção dos negros na sociedade brasileira no pós-abolição e as formas de resistência à exclusão no processo de conquista por cidadania plena.
9º ano - Língua Portuguesa - Produzir textos, individual e coletivamente, com uma sequência lógico-temporal (início, meio e fim; presente, passado, futuro).
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Abril/3/20 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET

A prática organiza-se em etapas didáticas articuladas que estruturam todo o processo de aprendizagem. Inicialmente, os estudantes realizam pesquisas bibliográficas e iconográficas, selecionam temas relevantes e problematizam questões relacionadas ao racismo, aos Direitos Humanos e às Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Em seguida, avançam para a roteirização e a construção das narrativas, desenvolvendo habilidades de planejamento, argumentação, síntese e tomada de decisões. A etapa de gravação e edição favorece o desenvolvimento de competências tecnológicas, letramento midiático e trabalho colaborativo, evidenciando a importância da escuta, da negociação e do compartilhamento de responsabilidades. Ao final, a participação em festivais amplia a circulação das produções e valoriza o protagonismo estudantil.

A prática proposta busca articular o ensino de História, Direitos Humanos e produção audiovisual, colocando os estudantes como protagonistas em todas as etapas do processo: desde a pesquisa e seleção temática até a elaboração de roteiros, gravação, edição e exibição dos curtas. As produções resultam de um percurso formativo que mobiliza habilidades como pesquisa histórica, leitura crítica de fontes, análise comparativa, comunicação, criatividade, colaboração e resolução de problemas. A finalidade central é estimular a reflexão crítica sobre memória, identidade e desigualdades, promovendo a autonomia dos estudantes e uma aprendizagem significativa que integra conhecimento histórico, expressão artística e engajamento social.

O processo de criação do curta “Todo Dia é 20 de Novembro” foi orientado pela ideia de que a valorização da cultura afro-brasileira deve ocorrer de forma contínua, e não apenas em datas comemorativas. Para isso, os estudantes pesquisaram obras cinematográficas que abordam a invisibilidade e a representatividade negra, como “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee. Após a exibição, realizou-se uma exposição de arte que deu visibilidade a personagens das religiões de matriz africana, ampliando o repertório cultural da turma e fortalecendo discussões sobre racismo estrutural e resistência cultural.

Já o curta “A Cor da Pele Importa?” teve como ponto de partida a análise de dados do censo do IBGE sobre raça e cor. Os estudantes discutiram temas como colorismo, desigualdade racial e a permanência de estruturas que, ainda no século XXI, fazem com que a cor da pele influencie oportunidades e trajetórias de vida. A produção adotou o formato documental, utilizando relatos dos próprios alunos como elemento central, valorizando experiências pessoais como forma legítima de construção do conhecimento histórico e social. Além de textos, foi utilizado o filme “Fio da Memória”, de Eduardo Coutinho, como referência para a construção narrativa.

As videoaulas sobre o Quilombo dos Palmares e os quilombos urbanos do Sacopã, Pedra do Sal e Camorim foram elaboradas a partir de pesquisas em materiais como a apostila RioEduca e sites especializados na temática.

A prática evidenciou forte engajamento estudantil e desenvolvimento de habilidades de pesquisa, análise crítica, comunicação, colaboração e uso de tecnologias. Observou-se ampliação da consciência racial, valorização identitária, letramento midiático e maior autonomia, confirmando a adequação da metodologia ao contexto escolar. Os objetivos foram alcançados, pois os alunos compreenderam temas de identidade, memória e desigualdades, transformando-os em produções audiovisuais significativas. A participação em festivais como Mostra Joaquim Venâncio/Fiocruz, Festival do Rio – Vídeo Fórum, Festival Internacional de Cinema Infantil, Primavera dos Museus e Mostra Arquivo do Amanhã reforçou o impacto social, mobilizando a comunidade escolar. Assim, o audiovisual consolidou-se como ferramenta de expressão, denúncia e reconstrução de identidades, tornando a sala de aula um espaço de resistência e aprendizagem crítica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 60. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

CANDÁU, Vera Maria. Direitos Humanos, educação e interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Educação & Sociedade, v. 28, n. 100, p. 747-769, 2007

Educação Antirracista, ERER e Leis 10.639/2003 e 11.645/2008

CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogo

AUMONT, Jacques; MARIE, Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas: Papirus, 2003.

AUMONT, Jacques. A experiência do cinema. São Paulo: Papirus, 1999

RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

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