Boas PráticasHUGO LEONARDO BARBOSA DE OLIVEIRA
Hugo Leonardo Barbosa de Oliveira, 41 anos, mestrando em Ensino de História pelo ProfHistória/UNIRIO, dedicando suas pesquisas às temáticas de educação antirracista, narrativas de (re)existência e memória, com foco em metodologias que dialogam com os territórios e as vivências dos estudantes. Desde 2020 é professor do Centro de Educação de Jovens e Adultos Acari (CEJA Acari), na rede municipal do Rio de Janeiro, onde desenvolve práticas e projetos voltados à valorização das narrativas dos sujeitos da EJA.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I - História
JULIANA TRAJANO DOS SANTOS
Formada em Educação Física pela UFRJ. Especialista em Educação Física Escolar pela UERJ e em Docência Básica, na Disciplina de Educação Física, pelo Colégio Pedro II. Mestra em Ciências da Atividade Física, na linha de pesquisa sociocultural, pela Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO - com o tema Violência, Esporte e Sociedade. Atualmente, doutoranda em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz, na linha de pesquisa Sociedade, Violência e Saúde, na qual investiga a trajetória de vida do público infanto-juvenil que atua no futebol. Atua como Professora na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, trabalhando com a educação antirracista dentro das aulas de Educação Física.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I - Educação Física
A prática pedagógica desenvolvida no CEJA Acari foi estruturada em quatro encontros que articularam História e Educação Física em uma proposta antirracista, usando Chimamanda Ngozi Adichie como eixo para discutir racismo estrutural, memória, corpo e território. Cada encontro buscou ampliar o repertório cultural dos(as) estudantes e romper com narrativas hegemônicas da “história única”.
No primeiro encontro, apresentou-se a trajetória e a obra de Chimamanda por meio de materiais ilustrados, aproximando os(as) estudantes de uma perspectiva de África que rompe estereótipos e desperta reflexões sobre identidade e representatividade.
No segundo encontro, a exibição da palestra "O perigo de uma história única" provocou debates sobre silenciamentos e estigmas que atravessam territórios periféricos e corpos negros. Ao final, os (as) estudantes receberam como tarefa para ser feita em casa a produção de biografias de mulheres que foram e são importantes em suas trajetórias.
O terceiro encontro, em roda de conversa, retomou elementos da cultura nigeriana, incluindo a degustação do Arroz Jollof, que acionou memórias afetivas e possibilitou aproximação com a culinária africana, em uma tentativa de ampliar os conhecimentos sobre o continente. As biografias foram lidas, revelando histórias potentes de mulheres negras e trabalhadoras, fortalecendo o sentimento de protagonismo. Músicas nigerianas foram ouvidas, criando pontes culturais com ritmos periféricos brasileiros.
O quarto encontro consistiu na confecção coletiva de pipas personalizadas como culminância da sequência didática interdisciplinar. A atividade reuniu diferentes gerações presentes na EJA e mobilizou habilidades manuais, criatividade e memória afetiva. Nas pipas foram transcritos trechos das biografias de mulheres que foram importantes nas trajetórias dos (as) estudantes do CEJA Acari. A imagem da autora Chimamanda e do livro trabalhado com os (as) estudantes também foram personalizados. O momento de criação revelou saberes populares presentes no cotidiano dos (as) estudantes e fortaleceu laços comunitários. Ao final, as pipas tornaram-se metáforas visíveis de liberdade, ancestralidade e (re)existência, elevando ao céu histórias que, por muito tempo, permaneceram silenciadas.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
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BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Brasília, DF, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em: 25 out. 2025.
BRASIL. Lei n. 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Brasília, DF, 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm. Acesso em: 25 out. 2025.
EVARISTO, Conceição. “Narrativas de (re)existência”. In PEREIRA, Amilcar A. (Org.) Narrativas de (re)existência: Antirracismo, História e Educação. Campinas/SP: Editora da Unicamp, 2021.
SANTOS, Pollyana dos; SILVA, Gabriela da. Os sujeitos da EJA nas pesquisas em educação de jovens e adultos. Educação e Realidade, v. 45, n. 2, 2020.
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