Boas PráticasRAFAELA DA COSTA RODRIGUES
Esta autora é "cria de CIEP", cursou Ensino Médio Normal e licenciatura em Letras pela UFRRJ, se especializou em ensino de inglês como língua adicional pela UERJ. É aprendente e brincante em tempo integral, linguista nas horas vagas, escolhe acreditar que escolas não precisam ser “só” uma instituição ou prédio, e está coordenadora pedagógica no GET Mestre Diego Braga, em Rio das Pedras.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Coordenadora pedagógica
JORGE VINICIUS RODRIGUES DA SILVA
Um diretor que busca uma aprendizagem afetiva e mais significativa, formado em pedagogia pela UERJ e mestre pela UERJ com área de pesquisa focada em uso da tecnologia na educação.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Diretor IV
Dialogando com o projeto político-pedagógico da unidade escolar, “Eu e o mundo”, e a partir de reflexões pautadas na leitura de Ailton Krenak, especialmente os textos contidos na publicação Ideias para adiar o fim do mundo (2020), foi realizada propósta pedagógica com os estudantes dos 8º e 9º anos da unidade, nas aulas de ciências - com mobilização de habilidades da área de linguagens, ministradas pelos professores Jorge Vinícius e Rafaela Rodrigues, diretor geral da unidade e coordenadora pedagógica, respectivamente, a fim de apresentar aos estudantes e construir com eles uma outra forma de pensar e se compreender enquanto indivíduos inseridos no mundo, mais especificamente, em sua comunidade, através de um olhar consciente, que conhece sua origem, sua história, o chão onde vive, e que sabe identificar e propor mudanças necessárias para solucionar problemas do cotidiano socioambiental da comunidade de Rio das Pedras, onde se localiza o GET Mestre Diego Braga e onde vive a maior parte dos estudantes nele matriculados.
Rio das Pedras fica na Zona Oeste do Rio, e surge na década de 50 para abrigar os muitos nordestinos que chegaram à cidade e encontravam oportunidades de emprego na Barra da Tijuca, que estava crescendo e sendo urbanizada. A região era pantanosa, cheia de areais, e foi aterrada e “erguida” pelos próprios moradores - até hoje, responsáveis por muito do que se compreende como Rio das Pedras, em todos os aspectos. A comunidade é delimitada pelo Parque Nacional da Tijuca e pela Lagoa da Tijuca, possui três ruas principais, sendo uma delas o endereço de nossa escola, e é altamente povoado por contínuo fluxo migratório de pessoas do Norte e Nordeste do país. A comunidade sofre com o racismo ambiental, o que demanda dos moradores uma constante busca pela garantia de seu direito de viver com dignidade, saneamento básico, coleta de lixo, dentre outros, para não sucumbir a estas práticas racistas.
Provocados por Krenak “...então, pregam o fim do mundo como uma possibilidade de fazer a gente desistir dos nossos próprios sonhos, e a minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história. Se pudermos fazer isso, estaremos adiando o fim.” (2020, p.39), com os estudantes do oitavo ano, a partir da leitura coletiva do livro de Krenak, foram realizadas rodas de conversa e resolução de situações problemas, com um olhar voltado ao cotidiano ambiental de nossa comunidade. A partir daí, brincamos a sério com o título do livro, quando os estudantes chegaram à conclusão de que não vivemos só, e que a consequência da forma como estamos vivendo, não resultará em um futuro bom. Daí surgem as “Ideias para adiar o fim do Rio das Pedras”, onde os estudantes concebem essas ideias e propostas, desenvolvendo com elas um dos trabalhos de conclusão do ano letivo - a produção textual.
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