Boas PráticasMILTON FAGUNDES DA SILVA
É doutor em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense (UFF), e mestre em Estudos Literários, pela mesma universidade. Possui Licenciatura Plena em Letras: Português/ Inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor de língua inglesa do quadro permanente da SME da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e também da SEEDUC do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), atuando como professor supervisor na escola-campo onde ministra aulas de inglês para educandos do ensino fundamental, o Ginásio Tecnológico Educacional Antonio Pereira (GETAP).
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSOR DE ENSINO FUNDAMENTAL
Refletir sobre o espaço africano, em perspectiva político-geográfica, entendendo-ocomo um continente plural;
Apropriar-se da língua inglesa para acessar discursos em circulação no mundo globalizado;
Investigar e tecer similitudes culturais entre a Serra Leoa e o Brasil;
Este trabalho tentou tecer possíveis relações entre o Brasil e a Serra Leoa, país africano onde o inglês é a “língua oficial". Idealizei o projeto pressupondo de que “[os] envolvidos com educação linguística têm duas escolhas: ou colaboram com a sua própria marginalização ao se entenderem como ‘professores de línguas’ sem nenhuma conexão com questões políticas e sociais ou percebem que, tendo em vista o fato de trabalharem com linguagem, estão centralmente envolvidos com a vida política e social” (GEE, 1994, p. 190 apud MOITA LOPES, 2003, p. 33). Ao pensarmos nas Áfricas que falam inglês, foi preciso considerar que, assim como no Brasil, há várias formas de nos expressarmos em língua portuguesa e que esse fenômeno também acontece em língua inglesa, pois, as línguas não têm pátria e nem estão delimitadas a uma região geográfica (Cf. Rajagopalan, 2011). Esse projeto visa, portanto, encontrar caminhos para viajar ao continente africano para des-conhecê-lo dentro de uma história que está (ou deveria estar) presente em nossa memória ou em nossas práticas (cotidianas).
O trabalho se desenrolou a partir de uma diagnose sobre as crenças iniciais das crianças sobre a África. Produzimos materiais multimídia e impressos abordando aspectos geográficos, culturais, históricos e linguísticos sobre a Serra Leoa. Elaboramos um quiz para que as crianças pudessem jogar, conhecer e confrontar seus saberes sobre a África. Elas puderam visualizar a África no mapa-múndi e não apenas ouvir a respeito dela. Propusemos às crianças pensar por que o inglês se fez e faz presente na Serra Leoa e, para isso, apresentamos a história de formação do país com imagens autênticas, como pinturas e gravuras, sobre a Diáspora Africana e a Colonização das Américas, estabelecendo uma conexão com o passado do Brasil. Mostramos e refletimos sobre as variedades do inglês, sugerindo não haver uma forma única de se expressar nessa língua adicional (ou materna). As aulas foram, sempre que possível, mediadas em inglês, para que as crianças pudessem ter exposição à língua alvo e tirar melhor proveito disso. Chamou-nos a atenção, ao falarmos sobre comidas típicas, o akara, que se conecta diretamente com o Brasil, através do nosso acarajé e a própria história de colonização e miscigenação. A culminância do projeto aconteceu com a produção e exposição de um pôster turístico, no qual as crianças, em grupos, iriam apresentar a Serra Leoa para as outras turmas da escola. Além das atividades de leitura e análise do gênero, as crianças tiveram que planejar o texto, refletir sobre a escolha das imagens, acessar e compartilhar o repertório lexical em assentamento e pensar em seus interlocutores. Finalmente, embora estejamos contentes com a recepção e participação das crianças, sentimos que há muito a ser feito e um caminho longo a percorrer. É preciso que nos aprofundemos com referenciais teóricos mais afrocentrados e que invistamos num ensino de inglês que ofereça mais exposição à língua alvo.
Desconstrução do conceito de África como um país ou uma unidade cultural e reconhecimento desse espaço como um continente plural e repleto de singularidades;
Mirada empática e reflexiva à Serra Leoa, percebendo, apreciando a respeitando as diferenças;
Estabelecimento de conexões entre o Brasil e Serra Leoa, notando as semelhanças históricas, culturais, culinárias e lexicais;
MOITA LOPES, L. P. A nova ordem mundial, os Parâmetros Curriculares Nacionais e o ensino de inglês no Brasil: A base intelectual para uma ação política. In: BARBARA, L.; GUERRA RAMOS, R. C. (Orgs.). Reflexão e ações no ensino-aprendizagem de línguas. Campinas: Mercado das Letras, 2003. p. 29 - 57.
RAJAGOPALAN, K. Vencer barreiras e emergir das adversidades com pleno êxito, sempre com o pé no chão. In: LIMA, D. C. Inglês em escolas públicas não funciona? Uma questão, múltiplos olhares. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. p. 55 - 65.
Guia Educação para as Relações Étnico-Raciais Volume 2 - Lei nº 11.645/08.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Acesso em: 02 fev. 2026.
_______. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União, Brasília, 11 de março de 2008. Acesso em: 02 fev. 2026.
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