Boas PráticasLUCIANA LIMA DA MOTA
Mulher negra, pedagoga formada pela UNIRIO e mestre em educação pela UERJ (PROPED), concluindo a especialização em Relações Étnico-Raciais pelo CEFET-RJ em 2026. Foi bolsista PIBID durante a graduação, onde a experiência levou ao encontro da temática antirracista, que segue como objeto de pesquisa até os dias presentes. Atua na SMERJ há oito anos, como PEF - Anos Iniciais, e se debruça sobre temas que envolvam identidades e antirracismo, infâncias negras, e práticas educativas que busquem dialogar com a participação efetiva e ativa das crianças. Ao entender a importância da discussão sobre as narrativas trazidas em sala de aula, compreende-se também a potência de transbordar tais temas para outras esferas além dos muros da escola; e é por esse prisma que a intencionalidade pedagógica conflui: produzir e proporcionar vivências a partir do cotidiano escolar a fim de que contribuam para valorização das diferenças e identidades, sobretudo as das nossas crianças da rede pública municipal.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF Anos Iniciais
CAROLINA OLIVEIRA MADUREIRA
Formada em pedagogia, atua há mais de vinte anos na rede municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro como professora de educação infantil e professora dos anos iniciais do fundamental - com ênfase na área de alfabetização. Na rede privada, além de professora, também já atuou como coordenadora, ao tempo que lecionava nas escolas da SME RJ. Em sua prática diária, acredita em um processo de letramento e alfabetização que dialogue com as vivências e narrativas das crianças, alinhadas com a ludicidade e práticas antirracistas.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor II
Primeiro Momento: Roda de conversa e abordagem de conhecimento prévio; o que dizem as crianças sobre África? Sobre celebração, sobretudo, de fim de ano? As crianças trouxeram suas percepções a cerca de África, algumas referenciaram histórias já lidas (Nina África, Obax, Chuva de Manga, Escola de Chuva), e, rapidamente o assunto circula sobre identidades, negritude, e inclusive, sobre a escravização e a forma como vários povos negros chegaram no Brasil. Mediando a conversa, salientamos a necessidade de se pensar a história de nossos antepassados para além da escravização; conforme até as contações de histórias que fizemos nos indicam, não descendemos de escravos, mas sim de reis e rainhas que foram escravizados. A partir disso, aborda-se o Kwanzaa como uma celebração afrodiaspórica, apresentando-o como uma prática que retoma princípios de comunidade, pautados na cultura negra e no resgate de identidades e sua valorização como algo intrínseco à nossa cultura, também.
Segundo Momento: Princípios do kwanzaa; Apresentamos vídeos em que os princípios são destrinchados, e depois disso, discutimos com as crianças sobre os mesmos, suas importâncias e o que aquilo significa para cada um. Aproveitamos a oportunidade para discutir qual dos princípios eles se identificaram mais, alinhando-os à convivência escolar, questionando a possibilidade de vivenciá-los com mais afinco na nossa rotina em comunidade. No meio da discussão, surgiu o interesse pelos adinkras, que estão presentes na nossa cultura popular (grades de casas antigas, por exemplo), e como também dialogam com os princípios do Kwanzaa. Aqui, atividades interdisciplinares foram aplicadas, com foco em alfabetização, pensamento matemático, e o entrelace histórico geográfico. Por exemplo; uso de mapas, caça-palavras, jogo da forca, quantidades, unidades de medida, figuras geométricas (adinkras), contação de história, recontos, ditados, confecção de carimbos.
Terceiro Momento: Vamos estruturar nosso kwanzaa? De maneira adaptada, confeccionamos painéis, realizamos desenhos de observação de uma kapulana (tecido africano) original, pintamos uma toalha de algodão cru com os adinkras, realizamos carimbos para estampar tecidos a partir da prática (adaptada com isopor) da xilogravura, montamos presentes artísticos para trocar no dia da festa. Aqui, pensamos gênero textuais como cartazes, receitas das comidas consumidas na confraternização, quantidades, sua história, trabalhando bastante a interdisciplinaridade e a participação infantil para inferir suas próprias impressões e narrativas.
Quarto Momento: Vamos celebrar! É dia de festa, com direito a angu, quiabo, frutas e muita comida típica da nossa afrodiáspora, além de danças, músicas e contação de histórias, é claro. E os nossos presentes foram trocados com muito carinho: Enfeites autorais, carimbos feitos à mão e com muita dedicação pelas nossas crianças, com mediação das professoras, de forma a concluir o projeto.
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Registros
Crianças degustando o menu da nossa celebração: angu com quiabo ao molho de tomate, farorinha de quiabo, frutas e sucos naturais.
Crianças junto aos seus responsáveis, que vieram apreciar a exposição dos trabalhos ao fim do projeto. 