Boas PráticasROSANE DE PAULA TORRES DE ABREU
Minibiografia – Rosane de Paula Torres de Abreu
Rosane de Paula Torres de Abreu é professora da Rede Municipal de Ensino do Rio de
Janeiro desde o ano de 2003, atuando com dedicação na alfabetização de crianças, jovens e
adultos (EJA). Atualmente, exerce suas funções no CIEP Leonel de Moura Brizola,
desenvolvendo práticas pedagógicas voltadas para a aprendizagem significativa, a inclusão
e o respeito às diversidades.
Participou de formações continuadas pelo Território Educador, com formação étnico-racial,
concluídas nos anos de 2024 e 2025, voltadas à valorização da identidade, da cultura afro-
brasileira e à construção de uma educação antirracista. Possui forte atuação na pauta
étnico-racial, contribuindo para o fortalecimento de uma prática docente comprometida
com a equidade a cidania e a justiça social.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:professor
Identifique e explique a presença de vocábulos de origem africana no português cotidiano.
Reconheça a contribuição de intelectuais ativistas negros (Lélia Gonzalez, Laudelina de Campos Mello) para a construção de identidade de direito.
Compreenda o conceito de racismo ambiental a partir da realidade vivida por Carolina Maria de Jesus, refletindo sobre como fatores sociais, raciais e econômicos influenciam as condições de moradia, saneamento e qualidade de vida nas comunidades periféricas, desenvolvendo a consciência crítica e a valorização do direito à cidadania e à dignidade.
Despertar a curiosidade dos alunos sobre a influência africana na língua portuguesa, promovendo o reconhecimento e valorização da ancestralidade presente no cotidiano. Estimular os alunos a compartilharem experiências de julgamento pela forma de falar. Introduzir o conceito de preconceito linguístico e conecte com o racismo estrutural. Compreender o racismo ambiental a partir da realidade da favela do Canindé.
A prática teve como propósito principal promover o reconhecimento e a valorização das contribuições africanas e afro-brasileiras na formação da língua, da cultura e da identidade nacional, a partir de vivências significativas e reflexões sobre o protagonismo de mulheres e homens negros na história do Brasil. O trabalho foi desenvolvido com os alunos da EJA, respeitando suas trajetórias de vida, suas experiências e saberes, em um processo de construção coletiva do conhecimento.
A proposta integrou diferentes áreas — Língua Portuguesa, História, Geografia, Arte e Ética — e foi pautada pela Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), utilizando como principais recursos o material Rioeduca, o GERER na prática e livros de literatura afro-brasileira.
Durante as aulas, os alunos foram convidados a refletir sobre a ancestralidade e a influência africana em sua linguagem, suas práticas culturais e em sua própria identidade. A primeira aula, “Palavras que carregam ancestralidade”, despertou grande curiosidade. A roda de conversa revelou que muitos alunos reconheciam termos como axé, samba e cafuné, mas desconheciam sua origem africana. A leitura do livro A África que você fala (Cláudio Fragata) e a criação do “Dicionário Africano” possibilitaram uma rica troca de saberes e o reconhecimento de que a língua portuguesa falada no Brasil carrega marcas profundas da cultura africana.
Na segunda aula, “Nós falamos Pretuguês: o ativismo de Lélia Gonzalez”, os alunos refletiram sobre o preconceito linguístico e o racismo estrutural, reconhecendo o Pretuguês como uma expressão legítima de identidade e resistência. As discussões foram marcadas por depoimentos pessoais e por uma forte valorização das falas e experiências de vida dos próprios estudantes, que se sentiram representados e valorizados em sua forma de falar.
A terceira aula, “Carolina Maria de Jesus: a voz da mulher negra na favela e o racismo ambiental”, foi um dos momentos mais emocionantes da sequência. A leitura de trechos de Quarto de Despejo gerou grande identificação e empatia. O cartaz coletivo “Carolineando com as palavras” e a dramatização sobre a vida na favela promoveram uma profunda reflexão sobre exclusão social, racismo ambiental e resistência feminina. Muitos alunos relataram vivências semelhantes, tornando o debate ainda mais significativo.
Na quarta aula, com o tema “Laudelina de Campos Mello: ativismo negro e os direitos das trabalhadoras domésticas”, os alunos conheceram a trajetória dessa importante líder sindical e refletiram sobre o papel das mulheres negras na luta por direitos trabalhistas e igualdade social. As discussões evidenciaram o quanto o racismo e o machismo ainda atravessam a realidade
A sequência didática “Marcas da Ancestralidade: Vozes negras em movimento” teve um impacto profundamente positivo no processo formativo dos alunos da EJA. A prática promoveu momentos de escuta, diálogo e reconhecimento de identidades, contribuindo para o fortalecimento da autoestima, da consciência racial e do sentimento de pertencimento dos estudantes.
Os alunos se mostraram mais participativos, interessados e reflexivos ao longo das aulas. Muitos compartilharam experiências pessoais marcadas por discriminação e preconceito, mas também reconheceram, com orgulho, sua história e origem africana. Esse movimento de fala e escuta coletiva revelou o poder da educação antirracista como instrumento de transformação e empoderamento.
Houve um avanço significativo na oralidade e na escrita, especialmente na capacidade de argumentar, interpretar textos e relacionar conteúdos com a própria vivência. O trabalho com o Pretuguês e com as obras de Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus despertou nos alunos um sentimento de legitimidade em sua forma de falar e pensar o mundo, valorizando o conhecimento que nasce das periferias e das experiências negras.
Além disso, as atividades artísticas — como a confecção do “Dicionário Africano”, o cartaz coletivo Carolineando com as Palavras e as releituras visuais — estimularam a criatividade e o trabalho colaborativo, fortalecendo os vínculos entre os alunos e a professora.
Do ponto de vista pedagógico, a prática consolidou-se como um exemplo de como o currículo pode ser atravessado por temas da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), promovendo aprendizagens significativas e transformadoras. Os alunos passaram a enxergar a escola como espaço de valorização de suas histórias e identidades, reafirmando a importância de uma educação comprometida com a equidade, a justiça social e o respeito à diversidade.
Guia Educação para as relações étnico-raciais VOLUMES 1 E 2.
Guia Educação para as relações étnicos-raciais ERER NA PRÁTICA.
A ÁFRICA QUE VOCÊ FALA DE CLÁUDIO FRAGATA.
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