Boas PráticasSTEPHANIE LOPES RIBEIRO AURELIANO
Atuo como professora de Educação Infantil desde 2010. Tenho formação em Magistério (curso normal – Ensino Médio), graduação em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-graduação em Educação Especial. Atualmente, atuo em duas redes públicas de ensino: na Prefeitura do Rio de Janeiro, na Educação Infantil, e na Prefeitura de São Gonçalo, na EJA. Acredito em um território/escola acolhedor e afetivo. Penso que uma prática pedagógica reflexiva e transformadora promove o respeito à diversidade. Defendo o uso da literatura como ferramenta de valorização das identidades, especialmente nas relações étnico-raciais, fortalecendo o reconhecimento, o pertencimento e a construção de uma educação antirracista desde a infância.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSOR ADJUNTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL
CLAUDICEA LOPES PASCHOAL DE FARIA
Atuo como professora de Educação Infantil desde 1996, tendo trabalhado durante 27 anos na rede particular. Tenho formação em Magistério (curso normal – Ensino Médio), graduação em Pedagogia pela Universidade Santa Úrsula e pós-graduação em Educação Inclusiva. Atualmente, estou há 6 anos na Prefeitura do Rio de Janeiro, como Professora Adjunta da Educação Infantil.
Acredito em uma Educação Infantil que promova vivências capazes de valorizar as múltiplas identidades das crianças. Esse é o primeiro espaço institucional em que elas convivem com diferentes formas de ser, viver e existir. Por isso, as práticas pedagógicas voltadas às relações étnico-raciais e à inclusão são fundamentais desde cedo, garantindo o direito das crianças a uma educação democrática, inclusiva e antirracista, conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Lei 10.639/03 e legislação complementar).
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSOR ADJUNTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL
MURILO BRAGA DA SILVA
Atuo como Professor Adjunto de Educação Infantil na rede municipal da Prefeitura do Rio de Janeiro desde 2019. Sou graduado em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pós-graduado em Educação Infantil pela Faculdade São Judas Tadeu. Acredito que incluir abordagens sobre as relações étnico-raciais em nosso cotidiano é de extrema importância, pois assim, teremos a possibilidade de formar cidadãos críticos, respeitosos e, acima de tudo, antirracistas! Como professor PCD auditivo, acredito que precisamos de uma sociedade que saiba respeitar o próximo.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSOR ADJUNTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A prática foi desenvolvida com a turma de bebês, articulada ao projeto Contando e Encantando Histórias, que integra o PPP da unidade e tem como foco a valorização da literatura, da diversidade e da construção de identidades positivas desde a primeira infância. Dentro desse projeto, a escola selecionou obras de autores negros da literatura infantil, garantindo representatividade e fortalecendo práticas antirracistas no cotidiano. O livro escolhido para esta vivência foi “Com qual penteado eu vou?”, de Kiusam de Oliveira, que apresenta diferentes penteados e celebra a beleza dos cabelos crespos, suas curvaturas e histórias.
O objetivo central da prática foi favorecer que os bebês reconhecessem e valorizassem suas características físicas, especialmente seus cabelos, estimulando a autoestima, o pertencimento e o respeito às diferenças. Também buscamos ampliar repertórios sensoriais, promover interações e aproximar a literatura do brincar, reconhecendo que, nessa faixa etária, a aprendizagem acontece de forma corporal, exploratória e relacional.
A primeira estratégia utilizada foi a mediação literária. A leitura do livro foi realizada de maneira calma e sensível, com pausas, entonações suaves e destaque para as ilustrações. Essa abordagem permitiu que os bebês observassem detalhes e se conectassem com as imagens, criando um clima de atenção e encantamento. A escolha do livro como ponto de partida se deu para introduzir o tema com afeto, promovendo representações positivas e reforçando valores previstos no PPP, como o enfrentamento ao racismo e a valorização da identidade.
Após a leitura, apresentamos uma cesta surpresa contendo diversos utensílios de cuidado com os cabelos, como escovas, pentes largos, lacinhos, elásticos e pequenos espelhos. Essa estratégia foi planejada para despertar curiosidade, favorecer exploração sensorial e estimular o protagonismo dos bebês. Cada criança pôde manipular os objetos livremente, experimentando texturas, movimentos e possibilidades.
Em seguida, a proposta se transformou em uma brincadeira de fazer penteados. Os educadores atuaram como mediadores, oferecendo apoio quando necessário, mas respeitando a autonomia e os tempos individuais. Os bebês tiveram a oportunidade de pentear seus próprios cabelos, dos colegas ou das bonecas presentes no ambiente, fortalecendo vínculos e desenvolvendo a coordenação motora fina. O uso dos espelhos foi intencional, pois favorece a percepção de si, contribuindo para a construção da autoimagem.
Durante toda a prática, os educadores verbalizaram descrições e elogios positivos, reforçando a ideia de que cada cabelo é único e especial. Essa estratégia discursiva é uma ação antirracista importante, especialmente para bebês negros, que tiveram suas curvaturas valorizadas de forma explícita e afetuosa.
Os resultados observados foram expressivos: curiosidade, encantamento, interações espontâneas e alegria ao se ver no espelho ou sentir o toque dos acessórios nos cabelos. A prática permitiu o desenvolvimento de competências socioemocionais (autoestima, pertencimento, respeito), cognitivas (exploração, observação, causa e efeito), motoras (manipulação e coordenação) e comunicativas (gestos, expressões e balbucios significativos).
Assim, a vivência reafirmou o compromisso da unidade com uma educação que acolhe, representa e empodera, garantindo que, mesmo na creche, as crianças encontrem espaços de afirmação, cuidado e construção de identidade.
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