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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
A árvore do Akoma
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EDI Fernão Dias - 5ª CRE
Rua Marapendi 257 - Marechal Hermes
Unidade não vocacionada
Educação Infantil

AUTOR

LUANA DE MENDONCA MENDES

Sou Luana Mendes, professora de Educação Infantil da SME-RJ e formada em Pedagogia pela UGF. Tenho paixão por trabalhar com crianças e compromisso com a educação antirracista, buscando sempre me aperfeiçoar. Fiz cursos pela Prefeitura do Rio, como :Território Educador; GRIOT: Brinque e Conta; e “Pré-Escola: ampliando e ressignificando práticas através das experiências brincantes”. Atualmente curso Literatura Indígena e Relações Étnico-Raciais na UFRJ e “Caminhos que se Entrecruzam nos Espaços da Educação Infantil”, pelo Colégio Pedro II. Tenho formação em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Concluí o curso de extensão “Infâncias Cariocas”, pela UNIRIO, e faço o curso “Plano Educacional Individualizado (PEI): princípios e elaboração”, pelo CECIERJ.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de educação infantil

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
Pré I
OBJETIVOS
O projeto “A Árvore do Akoma” tem como finalidade apresentar às crianças a diversidade dos povos indígenas e fortalecer o reconhecimento de sua presença e importância na formação do Brasil. A proposta surgiu ao perceber que muitas crianças não sabiam da existência dos povos originários, revelando a necessidade de ampliar seus repertórios culturais. Trabalhar a cultura indígena é essencial para construir percepções verdadeiras sobre nossa sociedade, desenvolver respeito às diferenças e romper estereótipos. O projeto está alinhado à LDB e à Lei 11.645/08, que tornam obrigatória a abordagem da história e cultura indígena no currículo escolar. Assim, a iniciativa promove práticas pedagógicas que valorizam as relações étnico-raciais, estimulam identidade, pertencimento e uma visão mais humana e diversa desde a infância.
HABILIDADES
Educação Infantil - Educação Infantil - Explorar elementos da natureza, reconhecendo sua pertença e importância para o meio ambiente.
Educação Infantil - Educação Infantil - Utilizar materiais naturais em seus projetos, investigações e brincadeiras.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Maio/3/20 até atualmente

O projeto nasceu em uma roda de conversa sobre identidade na turma AkOMA, quando, ao apresentar a imagem de um indígena, muitas crianças demonstraram surpresa e perguntaram se aquele moço “era de verdade”. Diante dessa descoberta, surgiu a necessidade de apresentar, de forma leve e lúdica, quem são os povos indígenas, fortalecendo pertencimento e valorização da diversidade. A partir disso, desenvolvi uma sequência de ações integrando arte, natureza, literatura e movimento, em consonância com o PPP da escola “Criando e Recriando com a Fernão — artes e suas múltiplas linguagens”.

Como as crianças do Pré-1 gostam de correr, iniciamos com brincadeiras inspiradas em práticas tradicionais, como corrida de toras e jogos com peteca. Essas vivências corporais ampliaram o repertório de movimento e possibilitaram um primeiro contato com elementos culturais indígenas. Em seguida, exploramos a construção de instrumentos utilizando sucata, como o maracá da turma, integrando criatividade, musicalidade e consciência ambiental, dialogando com a proposta do PPP.

A turma também vivenciou experiências de pintura com tintas naturais, explorando texturas, cores e elementos da natureza. No quintal da escola, espaço amplo e rico, as crianças demonstravam fascínio por uma grande árvore. Isso nos levou ao livro Tomorumu – A Árvore do Mundo, de Cristino Wapichana, obra que ampliou o diálogo com a arte e com a literatura indígena. A história abordou a relação entre cuidado, meio ambiente e ancestralidade, temas sensíveis para crianças de 4 a 5 anos.

A partir da narrativa, trabalhamos alimentação saudável trazendo frutas citadas no livro. Após explorarem textura e cheiro, as crianças prepararam uma salada de tomate e, em seguida, utilizaram suas sementes para o replantio na horta, compreendendo, de forma concreta, ciclos da natureza e responsabilidade ambiental.

As famílias enviaram fotos de seus ancestrais, que foram colocadas nas raízes da nossa árvore Tomorumu. As crianças se desenharam e formaram a copa, simbolizando os frutos que crescem através do cuidado e do respeito aos mais velhos. A árvore construída com galhos recolhidos no quintal representou a união entre natureza, identidade e história. As crianças decidiram nomeá-la “Árvore do Akoma”, fortalecendo vínculo e pertencimento.

A participação familiar ganhou novos contornos quando a mãe da aluna Luísa compartilhou suas memórias de infância com uma avó indígena e trouxe para a turma uma dinâmica baseada em um costume tradicional, enriquecendo o projeto com vivências reais. Em outro momento, o próprio autor Cristino Wapichana enviou uma mensagem em vídeo, mostrando às crianças que o indígena pode ser escritor, professor, morar na cidade ou na floresta, ampliando percepções e desfazendo estereótipos.

Encerramos criando o mascote “Tomorumu Viajante”, confeccionado com garrafa PET, folhas e galhos. Diariamente, uma criança leva o mascote para casa, vivendo momentos de interação com a família e com a natureza — seja no quintal, em uma pracinha ou junto a uma planta da avó — fortalecendo o vínculo entre projeto, casa e escola.

O projeto “A Árvore do Acoma” alcançou seus objetivos ao ampliar o olhar das crianças sobre quem são os povos indígenas. A metodologia, pautada em brincadeiras, natureza, arte e histórias, mostrou-se adequada ao contexto das infâncias e permitiu que as aprendizagens acontecessem de forma afetiva e significativa. Um dos impactos mais marcantes ocorreu quando a criança que, no início do ano, não sabia que os indígenas existiam, perguntou se a mãe da colega Luísa poderia ter ancestralidade indígena. Esse gesto abriu caminho para que a mãe compartilhasse suas memórias com a turma, aproximando a cultura indígena do cotidiano das crianças. A participação das famílias, tanto com as fotos dos ancestrais ,quanto com o Tomorumu Viajante, fortaleceu vínculos e ampliou o envolvimento da comunidade escolar. As crianças desenvolveram respeito às diferenças, cuidado com o meio ambiente e consciência de pertencimento. Observou-se também que outros professores passaram a incluir essa temática na sala.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Guia Educação para as relações étnico- raciais. Volume 02 Lei 11645/08-Gerer- prefeitura do RJ

TOMORUMU, A Árvore do mundo- Cristino Wapichana

Registros
IMAGENS
A árvore que inspirou nosso projeto.
De olhos fechados, deixamos a natureza falar.
Nossa Tomorumu
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