Boas PráticasLUANA DE MENDONCA MENDES
Sou Luana Mendes, professora de Educação Infantil da SME-RJ e formada em Pedagogia pela UGF. Tenho paixão por trabalhar com crianças e compromisso com a educação antirracista, buscando sempre me aperfeiçoar. Fiz cursos pela Prefeitura do Rio, como :Território Educador; GRIOT: Brinque e Conta; e “Pré-Escola: ampliando e ressignificando práticas através das experiências brincantes”. Atualmente curso Literatura Indígena e Relações Étnico-Raciais na UFRJ e “Caminhos que se Entrecruzam nos Espaços da Educação Infantil”, pelo Colégio Pedro II. Tenho formação em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Concluí o curso de extensão “Infâncias Cariocas”, pela UNIRIO, e faço o curso “Plano Educacional Individualizado (PEI): princípios e elaboração”, pelo CECIERJ.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de educação infantil
O projeto nasceu em uma roda de conversa sobre identidade na turma AkOMA, quando, ao apresentar a imagem de um indígena, muitas crianças demonstraram surpresa e perguntaram se aquele moço “era de verdade”. Diante dessa descoberta, surgiu a necessidade de apresentar, de forma leve e lúdica, quem são os povos indígenas, fortalecendo pertencimento e valorização da diversidade. A partir disso, desenvolvi uma sequência de ações integrando arte, natureza, literatura e movimento, em consonância com o PPP da escola “Criando e Recriando com a Fernão — artes e suas múltiplas linguagens”.
Como as crianças do Pré-1 gostam de correr, iniciamos com brincadeiras inspiradas em práticas tradicionais, como corrida de toras e jogos com peteca. Essas vivências corporais ampliaram o repertório de movimento e possibilitaram um primeiro contato com elementos culturais indígenas. Em seguida, exploramos a construção de instrumentos utilizando sucata, como o maracá da turma, integrando criatividade, musicalidade e consciência ambiental, dialogando com a proposta do PPP.
A turma também vivenciou experiências de pintura com tintas naturais, explorando texturas, cores e elementos da natureza. No quintal da escola, espaço amplo e rico, as crianças demonstravam fascínio por uma grande árvore. Isso nos levou ao livro Tomorumu – A Árvore do Mundo, de Cristino Wapichana, obra que ampliou o diálogo com a arte e com a literatura indígena. A história abordou a relação entre cuidado, meio ambiente e ancestralidade, temas sensíveis para crianças de 4 a 5 anos.
A partir da narrativa, trabalhamos alimentação saudável trazendo frutas citadas no livro. Após explorarem textura e cheiro, as crianças prepararam uma salada de tomate e, em seguida, utilizaram suas sementes para o replantio na horta, compreendendo, de forma concreta, ciclos da natureza e responsabilidade ambiental.
As famílias enviaram fotos de seus ancestrais, que foram colocadas nas raízes da nossa árvore Tomorumu. As crianças se desenharam e formaram a copa, simbolizando os frutos que crescem através do cuidado e do respeito aos mais velhos. A árvore construída com galhos recolhidos no quintal representou a união entre natureza, identidade e história. As crianças decidiram nomeá-la “Árvore do Akoma”, fortalecendo vínculo e pertencimento.
A participação familiar ganhou novos contornos quando a mãe da aluna Luísa compartilhou suas memórias de infância com uma avó indígena e trouxe para a turma uma dinâmica baseada em um costume tradicional, enriquecendo o projeto com vivências reais. Em outro momento, o próprio autor Cristino Wapichana enviou uma mensagem em vídeo, mostrando às crianças que o indígena pode ser escritor, professor, morar na cidade ou na floresta, ampliando percepções e desfazendo estereótipos.
Encerramos criando o mascote “Tomorumu Viajante”, confeccionado com garrafa PET, folhas e galhos. Diariamente, uma criança leva o mascote para casa, vivendo momentos de interação com a família e com a natureza — seja no quintal, em uma pracinha ou junto a uma planta da avó — fortalecendo o vínculo entre projeto, casa e escola.
Guia Educação para as relações étnico- raciais. Volume 02 Lei 11645/08-Gerer- prefeitura do RJ
TOMORUMU, A Árvore do mundo- Cristino Wapichana
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