Boas PráticasLUCIENE ALBERNAZ DIAS
Luciene Albernaz Dias, professora, mãe, 34 anos. Professora Adjunta de Educação Infantil desde agosto de 2024, servidora desde junho de 2018, tendo sido AAEE (agente de apoio à educação especial). Formada em Pedagogia pela UERJ, pós graduada em Educação Especial e Inclusiva pela faculdade São Luís e em Psicomotricidade pelo Instituto Rhema Educação.
Membra do coletivo CirandErê: primeiro coletivo de educadores antirracistas da Educação Infantil Carioca e Contadora de Histórias de Inspiração Griô e Literatura Infantojuvenil Negra pelo Cultura Arte e Griô.
Apaixonada pela educação, sempre em busca de conhecimento e boas práticas que agreguem meu trabalho e vida pessoal.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:professora adjunta de educação infantil
• Introduzir palavras do idioma Tupi-Guarani de forma lúdica e sensorial.
• Valorizar a diversidade cultural, com foco na cultura indígena brasileira.
• Estimular linguagem oral, percepção auditiva, coordenação motora e afetividade.
As crianças iniciaram o projeto aprendendo palavras de origem tupi a partir do livro Falando Tupi, de Yaguarê Yamã, e conhecendo aspectos da vida e dos costumes do povo Maraguá por meio das obras Guayarê: o menino da aldeia do rio e Um curumim, uma canoa. Vivenciaram experiências com o maracá, exploraram materiais naturais no espaço externo e participaram do circuito simbólico “Caminhos da Floresta”, equilibrando-se em troncos, saltando obstáculos e “atravessando” a lama em aventuras imaginadas.
Produziram um peixe com grafismos Maraguá usando carimbos, pintaram uma canoa com remos de papelão e construíram uma cobra grande com rolos de papel, tinta e barbante, brincando simbolicamente de navegar como o curumim das histórias. Também exploraram palavras cotidianas em tupi-guarani, pronunciando-as à sua maneira.
As educadoras criaram um espaço na horta para investigar a mandioca, alimento tradicional dos povos indígenas e parte do cardápio escolar. As crianças ouviram a história Menina Mandioca, assistiram ao curta da lenda de Mani e exploraram a mandioca pelos sentidos, vivenciando experiências sensoriais e lúdicas.
Conheceram o urucuzeiro, manusearam o urucum (“urukú”), usaram o pilão para transformá-lo em tinta e produziram desenhos livres. O urucum foi apresentado como símbolo do uso sustentável dos recursos naturais pelos povos indígenas.
A literatura também inspirou a colagem Rostos do Brasil – Uma Colagem de Diversidade, incentivando o reconhecimento das diferentes identidades do país, com destaque para os povos indígenas como primeiros habitantes do território. A atividade valorizou diversidade, pertencimento e convivência, reforçando a mensagem do livro: “o importante é que somos todos brasileiros”.
Inspiradas na arte de @frankbentesartes, do povo Maraguá, as crianças realizaram uma pintura coletiva sobre papel cartão. O trabalho em grupo reforçou valores de coletividade presentes nas culturas indígenas e mostrou que a arte indígena é contemporânea, plural e carregada de saberes.
Na atividade “Frotagem Tupi – Impressões de uma Cultura Ancestral”, criaram obras individuais utilizando a técnica de frotagem com figuras que representavam animais, instrumentos e brinquedos de origem tupi, como maracás, petecas, peixes e jabutis.
Para a exposição, construíram uma Árvore de Palavras em papelão e kraft, simbolizando raízes culturais e mostrando palavras em tupi-guarani aprendidas durante o projeto. Uma trilha formada por carimbos dos pés das crianças convidava o público a “caminhar” pela cultura indígena. Ao fundo, um áudio reproduzia as crianças falando palavras em tupi, fortalecendo o vínculo entre oralidade, memória e ancestralidade.
Referências
YAMÃ, Yaguarê. Falando Tupi: aprendendo com os índios do Brasil. São Paulo: Peirópolis, 2013.
YAMÃ, Yaguarê. Um curumim, uma canoa. São Paulo: Peirópolis, 2006.
YAMÃ, Yaguarê. Guayarê: o menino da aldeia do rio. São Paulo: Peirópolis, 2017.
KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
Kijetxawê Zabelê: Aldeia Kaí/ Organizadoras, Laura Castro, Cacá Fonseca. Salvador: Sociedade da Prensa/EDTÓRA, 2019
BENTES, Frank. Frank Bentes Artes [perfil no Instagram]. Disponível em: https://www.instagram.com/frankbentesartes/. Acesso em: 31 out. 2025.
Registros