Boas PráticasENALY SILVA RIBEIRO QUEIROZ
Professora de Ensino Fundamental na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, atuando nos anos iniciais com ênfase em alfabetização e letramento. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. Pós graduação em Educação Especial e Inclusiva – Faculdade São Luís. Ao longo do ano de 2024 realizei o curso Educação Especial e Inclusiva – CECIERJ que visa promover a reflexão sobre aspectos da inclusão voltados para alunos com deficiência e necessidades educacionais específicas no ambiente escolar. Participei também do Projeto Culturas em Diálogo promovido pela ONG Mais Unidos e Embaixada dos Estados Unidos que capacitou educadores para promover uma educação antirracista. Este projeto resultou na publicação do e-book: Sequências didáticas para uma educação antirracista.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSORA DE ENSINO FUNDAMENTAL
Compreender a relevância das diversas práticas e estratégias de leitura (hipótese, inferência, antecipação, seleção, verificação...) na formação do leitor/autor;
Expor, oralmente, ideias a respeito dos fatos, relatos e narrativas ouvidas;
Contribuir para aplicação das Leis 10.639 (2003) e 11.645 (2008), que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena.
Promover reflexões e resgaste da identidade negra.
Proporcionar o aumento da autoestima dos alunos através da representatividade de personalidades negras.
A prática foi desenvolvida em uma turma de 2º ano do CIEP Armindo Marcílio Doutel de Andrade sob a minha regência e teve como objetivo promover o letramento racial, valorização da cultura afro-brasileira e respeito à diversidade partindo da leitura de textos e atividades propostas no Material Rioeduca.
As atividades iniciaram a partir da leitura do texto sobre o legado de Luiza Mahin, onde os alunos despertaram maior interesse em conhecer sua biografia. Elegemos uma aluna com as características físicas parecidas e a caracterizamos para ler em voz alta para turma. Partindo deste ponto realizamos a atividade proposta no Material Rioeduca e posteriormente montamos um mural com a biografia de Luiza Mahin e os desenhos que os alunos pintaram dela expondo em sala. Para trabalharmos a escrita espontânea os alunos relataram com suas palavras o que haviam entendido sobre o texto, produzindo assim escritas potentes como o aluno Lucas que relatou: “Ela lutou para liberdade dos negros. Foi uma guerreira e uma figura importante.”
Após essa atividade toda vez que aparecia no material um texto sobre a cultura africana ou uma personalidade importante os alunos pediam para realizarmos a atividade de uma forma diferenciada.
O segundo texto que trabalhamos foi Inspirações femininas negras que trazia personalidades como Dandara, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. Nessa atividade pedia para que o aluno escrevesse sobre quem seria uma pessoa inspiradora para ele. Mais uma vez elegemos uma aluna com as características semelhantes para fazer a leitura e desta vez a personalidade escolhida foi Dandara. Ao final da atividade foi emocionante ler as escritas de quem seria a sua pessoa inspiradora e aluna Isabella escreveu: “Ana, minha irmã. Ela cuida de mim”.
O terceiro texto apresentado foi a brincadeira de Moçambique Terra-Mar, onde fomos para o pátio da escola e realizamos ao ar livre essa atividade de origem africana ensinando como brinca e fazendo uma correlação com uma brincadeira bem comum no Brasil que é o morto-vivo. Os alunos se divertiram muito e posteriormente fizeram a atividade no Material Rioeduca que era ilustrar como foi a brincadeira.
As atividades desenvolvidas incentivaram a prática de leitura e escrita. Proporcionou também rodas de conversas sobre autoestima, valorização e importância da cultura africana na formação do nosso país, respeito e diversidade. A aluna Brena disse que “Eu aprendi a cultura negra e achei muito interessante” e a aluna Isabella relatou: “Eu aprendi que a gente não pode zoar pelo nosso tom de pele, pelo cabelo, olhos e jeito da gente”. O comprometimento com práticas étnico-raciais cada vez mais inseridas nas atividades regulares do currículo escolar irá formar cidadãos conscientes do seu pertencimento, da sua história e que além de não praticarem o racismo ainda combatem, pois foram alimentados por uma educação antirracista.
SME-RJ. Material Rioeduca 2024 - 2º ano.
SME-RJ. Guia: Educação para as relações étnico-raciais.
https://www.institutomariellefranco.org/blog/10-mulheres-negras-para-colorir
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