Boas PráticasTATIANA DO SOCORRO PANTOJA RIBEIRO
Tatiana Pantoja é professora da rede municipal há dois anos, formada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 16 anos. Com uma trajetória marcada pela dedicação à educação e pela busca contínua de desenvolvimento profissional e pessoal, Tatiana destaca-se por sua visão da educação como um processo dinâmico e integrado. Inspirada pela ideia nascente na psicanálise, de "autorizar-se a si mesma", ela compreende que sua legitimidade como educadora transcende diplomas e instituições, sendo fundamentada na análise pessoal, no compromisso ético e na construção teórica contínua.
Atualmente, Tatiana alia sua prática pedagógica a uma perspectiva que valoriza a interação entre a escola e o território, reconhecendo a importância dos contextos sociais, culturais e humanos na formação integral dos alunos. Sua abordagem reflete um compromisso com uma educação transformadora, enraizada na realidade e nas potencialidades da comunidade em que atua.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de Educação Infantil
Desde 2023, a Creche Municipal Elza Machado dos Santos, conhecida como Tia Elza, tem promovido projetos voltados à educação integral, articulando áreas do conhecimento, práticas pedagógicas e a conexão com a comunidade. Inspirada na BNCC (2017), que destaca o desenvolvimento humano em suas diversas dimensões, e nas ideias de Loris Malaguzzi (2015), que colocam a criança como protagonista do processo de aprendizagem, a creche valoriza a curiosidade, investigação e criatividade das crianças.
O Projeto Político-Pedagógico da instituição reflete esse compromisso ao integrar as características culturais, sociais e físicas do território ao ambiente escolar. Em 2023, as crianças desenharam mapas do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, exploraram as vielas da comunidade e participaram da Semana de Museus no Museu de Favelas (MUF), reforçando a conexão entre educação, território e cultura. Em 2024, o “Projeto Potências do PPG” deu continuidade a essas práticas, iniciando o ano com o grupo Pré 1 B compartilhando histórias pessoais, como relatos sobre famílias, animais e origens dos nomes, fortalecendo vínculos e valorizando as narrativas das crianças, em consonância com a teoria da cultura da infância de Sarmento (2004).
A abordagem se expandiu para a comunidade, com visitas à Casa de Cultura Laura Alvim, onde as crianças exploraram exposições e se inspiraram na obra de Gabriel Cardoso, influencer local (@laudodecria). Essa experiência gerou o subprojeto “Da Minha Janela”, baseado no livro de Otávio Júnior, no qual as crianças compartilharam suas perspectivas das janelas da creche e de suas casas, conectando-se às histórias do território. A valorização das memórias locais também foi aprofundada com a história de Elza Machado dos Santos, destacando seu legado e promovendo o sentimento de pertencimento.
Atividades anti racistas foram integradas ao cotidiano, com leituras, músicas e contos que abordavam a estética indígena e preta, promovendo a construção de uma consciência crítica. O incêndio ocorrido na comunidade em 2024 trouxe desafios que foram transformados em aprendizado por meio de rodas de conversa sobre perda, cuidado e heroísmo. Isso resultou em um projeto de reciclagem que incluiu a criação de murais e oficinas de papel reciclado, incentivando a preservação do ambiente e o senso de responsabilidade coletiva.
A educação integral praticada pela creche vai além do tradicional, integrando-se ao território e formando conexões entre escola, comunidade e indivíduos. Essa abordagem dinâmica e transformadora valoriza histórias e potencialidades locais, promovendo novos significados e vínculos. A escola se consolida como articuladora entre educação e território, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Os projetos realizados pela C.M. Tia Elza, como o "Projeto Potências do PPG", têm fortalecido o vínculo das crianças com o território, promovendo pertencimento e responsabilidade pela comunidade. Atividades como a construção de mapas, reflexões sobre o que veem de suas janelas e visitas culturais incentivam o reconhecimento do espaço como parte de suas histórias e vivências, assim como promovem a construção de referências positivas de pessoas pretas no território e fora dele.
Após o incêndio na comunidade, práticas pedagógicas, como o projeto de reciclagem, reforçaram o cuidado com o espaço e o respeito coletivo, conectando educação e realidade local. As crianças passaram a se perceber como produtoras de saberes e cultura, assumindo o protagonismo na construção de uma identidade coletiva. Essas ações exemplificam a educação integral, que alia aprendizagem ao território e contribui para a formação de cidadãos críticos, comprometidos com a sociedade e a valorização da diversidade.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. http : //basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: [12 de setembro de 2024]
EDWARDS, Carolyn; GANDINI, Lella; FORMAN, George (org.). As cem linguagens da criança: a abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. 1. ed. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Penso, 2015.
SARMENTO, Manuel Jacinto. A infância como construção social. Revista Brasileira de Educação, n. 25, pág. 31-40, 2004.
Registros
Quadro feitos pelo grupo Pré 1 B com base na fotografia do Influencer @laudodecria e no livro Da Minha Janela de Otavio Junior.
Painel com texto coletivo e imagens referentes ao incêndio ocorrido na comunidade em agosto de 2024. 