Boas PráticasEDILANE OLIVEIRA DA SILVA
Professora de Educação Infantil (SME-RJ). Faço parte do Grupo de pesquisa FRESTAS (UNIRIO) desde 2014. Graduada em Pedagogia (UERJ,2014). Especialista em Docência na Educação Infantil (UFRJ, 2016). Mestrado em Educação, 2021 (UNIRIO) e atualmente Doutoranda em Educação (UNIRIO).
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de Educação Infantil ( PEI)/ Professora Articuladora
MARIA ALLANA MAGALHÃES LIMA
Maria Allana Magalhães Lima, professora regente de Educação Infantil, na Creche Municipal Elza Machado dos Santos. Graduada em Pedagogia pela instituição de ensino IBMR (2022), Especialista em Psicopedagogia.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora de Educação Infantil ( PEI)/ Professora Articuladora
SIMONE CISLAGHI GOMES
Simone Cislaghi Gomes Professora Adjunta de Educação Infantil. Graduada em Pedagogia (UFRJ, 2004) em educação infantil. Especializada em atendimento educacional especializado (educação especial). Trabalhei como professora substituta na Escola de Educação Infantil da UFRJ. (2008 e 2009). Atualmente sou Professora Adjunta de Educação Infantil na Rede Municipal do Rio de Janeiro.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professora Adjunta de Educação Infantil ( PAEI)
Como contar para as crianças a história da Tia Elza, mulher, mãe, professora, militante negra que dá nome a Unidade escolar? E as famílias, poderiam contribuir? Como? Fizemos uma Enquete com as famílias e pouquíssimas conheciam sua história. Pois bem, começamos por convidá-las a contar o que sabiam sobre sua trajetória para as crianças. Navegamos pela Literatura, intensificando uma Educação Antirracista. Criamos Mascotes (1 boneca e 1 boneco) que percorreram a comunidade para conhecer as histórias de cada família e adentramos o Território para (re)conhecê-lo e enaltecer sua história, a da Tia Elza e as das próprias crianças. Tia Elza é uma representante negra de imagem positiva, que dá orgulho para as crianças por tudo que representa e construiu no Território.
A prática iniciou no ano de 2023 e continuou em 2024. Em uma roda de contação de história apresentamos o livro “Dona Sebastiana e como tudo começou”, de Sinaria Rubia, que evidencia a liderança de Dona Sebastiana e outras mulheres para a formação do quilombo da Tapera e seu papel como guardiã mantenedora dos conhecimentos, valores, respeito e cultura ao longo das gerações. A partir da leitura, fomos trazendo para a conversa a história da Tia Elza, tendo o cuidado de trazer concretude para o diálogo. Assim, mapeamos os espaços ocupados por ela, como a Clínica da Família em frente a Unidade Escolar; a Creche que ela fundou junto a outras mulheres, e as fotografias dela e da família, inclusive, fotos de seus netos, como crianças que fizeram parte da Creche. Muitas conversas, perguntas e questionamentos sugiram. Ampliamos a conversa para que as crianças percebessem a importância da Tia Elza para o Território e sua representatividade enquanto uma mulher preta. Algumas crianças ficaram felizes e fizeram relações: “Ela é negra igual eu”. Passamos a amplificar os sentidos para a história e cultura Africana e Afrobrasileira, (re)conhecendo as riquezas e contribuições para a história de nosso país. Criamos junto com as crianças as mascotes viajantes, que percorreram o território em busca das histórias das famílias junto com um caderno, para que fosse feito o registro, que pôde vir também por áudios, desenhos, fotos, ou seja, por meio das múltiplas linguagens, pois, a cada devolutiva nos sentamos em roda para partilhar. Vale ressaltar que, ao ouvirmos os áudios, conversamos sobre a oralidade e sua tradição, especialmente, na Cultura Griot, enaltecendo que por meio dela os valores são passados de geração para geração e, consequentemente, o respeito ao conhecimento dos mais anciãos. Por fim, convidamos as famílias a contarem suas histórias de vida e sua relação com a Tia Elza. A proposta permitiu também que estreitássemos vínculos com o território e fortalecêssemos parcerias com as lideranças locais, trazendo a comunidade para a Creche e levando-a vivenciar à comunidade. Um dos pontos altos foi a visita ao Museu da Favela, sendo uma galeria aberta, ou seja, a comunidade é o museu.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: MEC, 2004.
hooks, Bell. Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra. Trad. Cátia Bocaiuva Maringolo. São Paulo: Elefante, 2019.
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