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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
TEMPEROS AFRICANOS
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
EDI Barbara Ottoni - 2ª CRE
Rua Senador Furtado 94 - Maracanã
Unidade não vocacionada
Educação Infantil

AUTOR

LUIZA CHRISTIE DOS SANTOS NEVES

Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Educação Infantil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, atualmente é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação Básica (PPGEB/UERJ). Sua trajetória na educação iniciou os 15 anos, quando ingressou no Ensino médio Normal. Entrou na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro em 2016 como professora de Educação Infantil e sua experiência profissional foi adquirida atuando nessa área. Se interessa por temas como Infâncias, Educação Antirracista e Educação para as Relações Étnico-Raciais. Em sua atuação, busca desenvolver ações que promovam o respeito à diversidade racial, cultural e social, utilizando estratégias que valorizem a pluralidade de etnias e as histórias de diferentes povos. Acredita no poder transformador da educação e se empenha em engajar a comunidade escolar na luta antirracista, almejando contribuir na construção de uma sociedade mais justa, equânime e diversa.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
Pré II
OBJETIVOS
O projeto desenvolvido no EDI com a turma do Pré-escolar II tem por objetivo central o reconhecimento e valorização da identidade, história e cultura afro-brasileira e o resgaste valorização das raízes africanas na sociedade brasileira. Além disso, proporcionar uma referência positiva para crianças negras, ajudando-as a se reconhecerem e se valorizarem, promovendo um senso de orgulho de sua herança cultural e étnica. Incentivar a pesquisa sobre as origens e os significados dos pratos africanos, promovendo o conhecimento sobre nossa ancestralidade.
HABILIDADES
Educação Infantil - Educação Infantil - Com a participação do adulto e junto à turma, pesquisar a origem e a produção dos alimentos consumidos. Reconhecer a si mesmo e pessoas que lhes são mais próximas, a partir das narrativas produzidas na interação.
Educação Infantil - Educação Infantil - Explorar elementos da natureza, reconhecendo sua pertença e importância para o meio ambiente.
Educação Infantil - Educação Infantil - Explorar odores, cores, sabores, texturas de alimentos que fazem parte da dieta nutricional das crianças, da horta da Unidade Escolar ou das receitas caseiras e típicas da comunidade.
Educação Infantil - Educação Infantil - Reconhecer-se enquanto sujeito pertencente a um grupo social que respeita e é respeitado por sua maneira de ser e de agir.
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Abril/4/20 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET
Em 2024, o PPA da nossa escolar “CRIANÇA É NATUREZA: SEMEAR PARA CRESCER”. Através desse projeto as crianças fizeram várias descobertas sobre nossas florestas, a relação dos povos originários com a natureza, sobre nos entendermos como parte da natureza, os alimentos que vêm da terra, entre outras muitas temáticas possíveis com um tema rico. Partindo de um compromisso com a ERER, busco guiar meu planejamento com experiências para a temática étnico-racial e, dentro da temática sobre alimentos advindos da natureza, pesquisei especiarias naturais e consegui relacionar alguns temperos muito utilizados na culinária africana com temperos de pratos brasileiros. Feita essa conexão, realizei uma seleção do que poderia ser explorado pela turma: a canela, cravo, alecrim, açafrão, louro, gengibre e erva-doce. As histórias “FEIJOADA” e “TABULEIRO DA BAIANA”, da autora Sonia Rosa, guiaram nossas descobertas. Sonia Rosa é reconhecida no meio da literatura infantil por trazer em suas obras referências negroafetivas. Através de um pequeno trecho do livro que, de forma sensível, fala sobre o período de escravidão, trouxemos um contexto histórico, em que foi abordada a questão da invasão portuguesa às terras que viriam a ser consideradas brasileiras. A partir desses conhecimentos, reconhecemos que saberes dos povos originários e africanos são pilares não só da cultura gastronômica brasileira, mas estruturam também a identidade cultural brasileira nas artes, nas danças, nas músicas, no vocabulário, entre outras. Esses saberes e valores devem ser reconhecidos e valorizados desde a Primeira Infância, contribuindo com o respeito à diversidade. A cozinheira da escola contribuiu com seus conhecimentos sobre os temperos e sua participação foi muito rica, especialmente por ser alguém do convívio social das crianças e uma referência para elas sobre culinária. Ficam bem evidentes 2 valores civilizatórios afro-brasileiros elaborados por Azoilda Trindade: a oralidade e a circularidade. Fizemos uma experiência sensorial com os temperos apresentados e as crianças conseguiram tocar, provar, cheirar e fazer tintas. Ao final dessa vivência, produzimos lindas e cheirosas mandalas aromáticas através de colagens com os temperos. O último desdobramento foi um passeio ao Dida Bar. Dida Nascimento, uma economista aposentada que sempre teve o desejo de abrir um restaurante, recebeu nossas crianças, que estavam empolgadas com a ideia de passear e de conhecer alguns temperos que experienciamos. Dida fez questão de se sentar em roda com as crianças e apresentar os temperos mais utilizados no restaurante, falando sobre os benefícios dos temperos naturais e sobre as misturas realizadas para dar um sabor especial. Enfatizou também que, em seu tempo, as escolas não ensinavam sobre a cultura africana e que que ela estava muito feliz em proporcionar isso para nossa turma. Foi uma vivência muito significativa para nossas crianças. Proporcionar o encontro com uma referência negra foi um presente!
Foi possível observar que as crianças se apropriaram de conhecimentos sobre a história da nossa colonização e reconheceram que as bases da nossa sociedade são formadas também por saberes e costumes advindos dos países africanos. Observamos também a valorização da cultura africana, o sentimento de pertencimento e a potente referência positiva negra criada através das conversas com a Dida. A concretização disso foi quando, nas semanas seguintes, as crianças brincavam de cozinhar pratos africanos e, quando convidadas a conversar mais sobre a brincadeira, relataram estar colocando em práticas as receitas africanas aprendidas com a Dida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, 1996.

BRASIL. Lei10.639/03. Brasília: 2003.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília: 2004.

BRASIL. Lei 11645/08. Brasília: 2008.

DA SILVA PEREIRA, Sara et al. De encantos e afetos: a literatura negroafetiva da escritora Sonia Rosa. Trama, v. 18, n. 43, p. 36-45, 2022.

ROSA, Sonia. FEIJOADA. Ilustrações Rosinha Campos. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

ROSA, Sonia. TABULEIRO DA BAIANA. Ilustrações Rosinha Campos. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

TRINDADE, Azoilda Loretto da. Valores Civilizatórios Afro-brasileiros na Educação Infantil. Salto para o futuro. CEERT. Disponível em: https://educacaoinfantil.ceert.org.br/pdf/artigos/Valores_civilizat%C3%83%C2%B3rios_afrobrasileiros_na_educa%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o_infantil%20_Azoilda_Trindade.pdf

Registros
IMAGENS
Dida com a turma em seu restaurante
Crianças provando canela
Açafrão
Exposição dos temperos
Temperos
Roda de conversa com a Dida
Dida apresentando livros e temperos africanos
Roda de conversa na escola
Crianças sentindo cheiro do gengibre
Interação na roda de conversa
Livro Feijoada
Cozinheira Lilian compartilhando seus saberes com as crianças
canela
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