Boas PráticasMARIA DO CARMO DE MORAIS MATA RODRIGUES
Doutora e mestra em Educação pelo ProPEd/UERJ, Pós-graduada em Psicopedagogia FERP e graduada em Pedagogia UFRJ. Hoje atuo como professora tutora do curso de licenciatura em Pedagogia online/UERJ e PEF na SMERJ.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF
Para Munanga, “os que pensam que a situação do negro no Brasil é apenas uma questão econômica e não racista, não fazem esforço para entender como as práticas racistas impedem ao negro o acesso na participação e na ascensão econômica”(2009, p.19). Dessa forma, faz-se urgente uma educação antirracista e que valorize a identidade, pois para ele: “a recuperação dessa identidade começa pela aceitação dos atributos físicos de sua negritude, antes de atingir os atributos culturais, mentais, intelectuais, morais e psicológicos, pois o corpo constitui a sede material de todos os aspectos da identidade.”(2009,p.19)
Pensando nisso, nossa primeira prática foi direcionada ao “Autorretrato”. Quem somos Nós? De onde viemos? Onde vivemos? O que desejamos para nossos futuros? E muitos outros questionamentos valorizando o fato de que somos um povo miscigenado oriundo dos povos indígenas, africanos e europeus.
Iniciamos o ano de 2024 com o projeto anual escolar que abordava “Identidade, Território e Cultura” em consonância ao aprendizado e vivência das Leis 10.639/03 e 11645/08 que torna obrigatório o estudo da história e cultura indígena e afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio. Nosso público mora predominantemente nas favelas Tavares Bastos e Santo Amaro e as crianças são em sua maioria negras.
Por acreditar que o percurso formativo precisa ser constante, principalmente nas questões da ERER, apresentamos apenas a primeira prática de nosso cotidiano na sala de aula e para além dela. Essa é a primeira que se desdobra em diversas ações e práticas e não somente em uma atividade.
Nossas práticas estão atreladas a projetos educativos com o entendimento de que somos mediadoras do processo e que o protagonismo da aprendizagem é do estudante. Sempre os encorajamos para conversas potentes, através dos “usos” - como nos diz Certeau (2017,p.87) -, uma arte muito antiga de “fazer com” todos os sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição – Alves 2008), no intuito de desenvolver o pensamento crítico de nossos estudantes. Buscamos fazer/pensar a partir de nossas práticas cotidianas.
Após rodas de conversas, exibição de curtas da produtora Raízes do Brasil que apresenta "Os africanos", "Os indígenas" e "Os portugueses", além de outros encontrados na rede que expressam como foi o processo de invasão do território brasileiro, buscamos valorizar a história, com diversos questionamentos, tais como: Quem eram os escravizados? Como aconteceu esse processo? Qual era o objetivo do europeu? Como valorizar a beleza dos traços étnico-raciais? Por que houve o apagamento dessa beleza por tantos anos? Quais eram as expressões racistas que não são mais aceitas? Só então partimos para a representação através de desenhos de nós mesmos. Realizamos murais com as imagens criadas pelas crianças e utilizamos os lápis de cor de pele para elucidar nossa diversidade e verdadeiramente nos representarem. Nós professoras, também nos incluímos nessa atividade.
ALVES,N. Decifrando o pergaminho - os cotidianos das escolas nas lógicas das redes educativas. In ALVES, Nilda; OLIVEIRA, Inês Barbosa de (orgs). Pesquisa nos/dos/com os cotidianos das escolas – sobre redes de saberes. Petrópolis: DP et Alii, 2008.
FRESQUET, Adriana. Cinema e Educação: reflexões e experiências com professores e estudantes da educação básica dentro e “fora” da escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.
MUNANGA, Kabengele. Negritude – Usos e sentidos –Ed. Autêntica. 2009.
Guia: Educação para as relações étnico-raciais - Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro - 2024
Rio Educa – Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro - 2024
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