Boas PráticasPATRICIA DE SOUZA FRANCA
Patrícia França é Professora de História das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro há 15 anos. Psicopedagoga, Mestre em História Social pela UFRJ, ocupa atualmente a função de Coordenadora Pedagógica na Escola Municipal Henrique de Magalhães, em Bangu. Em sua atuação, busca contribuir para uma educação pública inclusiva e de qualidade.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:PEF/Coordenação Pedagógica
Dentre os objetivos principais da Criação do Comitê de Diversidade e Inclusão, destacam-se:
- Propiciar o protagonismo dos estudantes;
- Fortalecer ações voltadas para a Educação das Relações Étnico-Raciais;
- Garantir a implementação das leis 10639/2003 e 11645/2008 de forma transversal na unidade escolar;
- Desenvolver reflexões sobre racismo estrutural, ancestralidade, racismo geográfico;
- Valorizar nossa história e cultura afro-brasileira e indígena
- Propiciar o conhecimento de saberes afrorreferenciados;
- Contribuir para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa
- Elevar a autoestima de nossos estudantes.
Quantos estereótipos recaem sobre nossos alunos, crianças e adolescentes negros na zona oeste carioca? E quantas potencialidades eles nos revelam em nosso cotidiano?
Quantas vezes seus sonhos são interrompidos e suas vozes caladas? Apesar dos significativos avanços conquistados nos últimos anos pela Educação Relações Étnico-Raciais, ainda encontramos muitas dificuldades para a implementação adequada das leis 10639 e 11645 nas unidades escolares da educação básica. Acreditando nos múltiplos potenciais e saberes de nossos alunos e na importância de ações antirracistas no ambiente escolar, foi proposta a Criação do Comitê de Diversidade e Inclusão da E.M. Henrique de Magalhães. O Comitê, composto por representantes dos professores, funcionários e estudantes, é responsável por desenvolver ações voltadas para a Educação Étnico-Racial em nossa unidade escolar. O Comitê foi formado após rodas de conversa sobre seus objetivos e a eleição de representantes. O Comitê é formado, sobretudo, por representantes do corpo discente, refletindo a importância do protagonismo estudantil. Os membros do Comitê se reúnem semanalmente para debater sobre temas relacionados à diversidade e propor ações voltadas para o fortalecimento da ERER em nossa escola. Nesse sentido, já foram desenvolvidos pelo Comitê: reuniões com professores e funcionários; murais sobre Racismo Religioso e "Heróis Invisíveis"; exposição e concurso de Desenho e Poesia "Construindo uma escola antirracista"; realização de roda de conversa; organização de roda de capoeira; apresentações de dança; dentre outros. A presente ação encontra-se em consonância com o Projeto Político-Pedagógico de nossa unidade escolar, cujo eixo norteador consiste no desenvolvimento da identidade de nossas crianças e jovens e na valorização das diferenças.
BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira’, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 10 jan. 2003. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2016.
_______. Lei n. 11.645/2008, de 10 de março de 2008. Altera a lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008.
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LOPES, Nei. Dicionário de Antiguidade Africana. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2011.
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