Boas PráticasMaria Alice Garcia de Mattos
Professora Regente do Ensino Fundamental I na rede municipal do Rio de Janeiro desde 2003 e na rede municipal de Duque de Caxias desde 2007. Amante da literatura, publicou: o livro de literatura infantil Pitico, o cão amigo; o Almanaque da Vizinhança: Vila Cruzeiro, produto educacional produzido no mestrado cursado no CAp-UERJ finalizado em 2022; e o e-book Nós e o mundo do avesso, crônicas sobre o período pandêmico. Está cursando o doutorado no PPGE da UFRJ, com pesquisa voltada para a arquitetura escolar em escolas de favela, com foco na vila Cruzeiro, onde se deu a pesquisa de mestrado e sua atuação docente na rede.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor II
Quantos de nós já desejamos ser como nossa mãe, tia ou avó, com nossos primos, irmãos, pais ou algum artista, intelectual ou influencer? Pensando nisso e focando na busca por uma representatividade positiva de pessoas negras, propus para o mês de novembro a culminância de um percurso antirracista travado ao longo dos últimos três anos com a turma 1.504. A atividade proposta foi a busca de inspiração entre as pessoas negras que as crianças curtem, fossem elas públicas ou com relações interpessoais, para que compartilhassem com a turma e expusessem em cartazes nos corredores da escola. Assim, envolvidos pela linguagem das redes sociais, fizemos um movimento de “curtir e compartilhar”. O primeiro passo foi a escolha das pessoas a serem apresentadas, o momento mais tenso, pois uma das orientações era para que se organizassem de forma a não repetir as personalidades e muitos pensaram em nomes comuns. Para facilitar a escolha, fizemos uma tabela no quadro e, com a orientação anterior, a colaboração deu o tom para a atividade e, mesmo os que permaneciam com a dúvida sobre quem pesquisar, perceberam que seria possível desenvolver a tarefa, pois teriam ajuda. A atividade foi planejada e debatida em sala de aula, com as crianças, quando definimos o formato de compartilhamento dos dados coletados: apresentação física (cartaz) e apresentação oral para a turma. Posteriormente, a ação foi explicada no grupo de mensagens de responsáveis da turma, para que as famílias tomassem ciência de que havia uma proposta de interação com as crianças na construção dos cartazes, que consistia numa atividade avaliativa. Dias depois, as crianças já começaram a produzir e trazer seus cartazes, os quais guardávamos nas gavetas do armário azul no fundo da sala, a fim de evitar acidentes em casa ou no trajeto. Assim foi até o dia marcado para a apresentação.
Seus pesquisados foram: uma avó muito presente, a Dona Tânia Cerqueira, o mestre de capoeira Dentinho Bemvindo, a influencer digital Bia Ben, o multiartista Mussum, a atriz Taís Araujo, a escritora Conceição Evaristo, os políticos e ativistas Nelson Mandela e Marielle Franco, os cantores e compositores Cartola, Thiaguinho e Iza, os atletas Ronaldinho Gaúcho e Rebeca Andrade e a astronauta Mae Jemison.
A avaliação foi pautada na verificação da história pesquisada, na justificativa e na confecção e apresentação do cartaz. Todos poderiam fazer perguntas ao final da apresentação, mas somente alguns o fizeram. A ordem de apresentações se deu pela disponibilidade das crianças, a fim de evitar constrangimentos, e posteriormente pela posição dos estudantes na sala, para aqueles que não se prontificaram a apresentar de imediato. Vale ressaltar que há um combinado nesse grupo de que estamos em um lugar em que todos precisam se sentir confortáveis para falar para/com a turma, ler um texto complementando a aula ou contar uma história para os colegas. Assim, construímos esse ambiente de trocas seguras ao longo de nossa trajetória juntos.
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