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Boas Práticas
Educação das Relações Étnico-Raciais
Racismo recreativo parece brincadeira, mas não é
Informações
Relato
Resultados Observados
UNIDADE DE ENSINO
Centro de Educação de Jovens E Adultos Ceja - Avenida Brasil - 4ª CRE
Avenida Postal, 49 - Ramos
Unidade não vocacionada
Educação de Jovens e Adultos

AUTORES

JORGE CUSTODIO

Professor de Geografia. Doutor em Sociologia e Direito.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I

CAROLINE CARDOSO DOS SANTOS

Professora de Geografia.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I

ANGELICA CALBINHO RIBEIRO

Professora de Matemática.

CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I

ANOS/GRUPAMENTOS ENVOLVIDOS
EJA II - Bloco 1
EJA II - Bloco 2
OBJETIVOS
Temos como proposta discutir o sentido racista de piadas na vida cotidiana dos alunos. Trata-se de um micropoder para agredir pessoas pretas. Ressaltamos para tanto práticas e lógicas do racismo recreativo, além de explicitá-lo como uma fonte velada de relações de poder. O racismo recreativo é produzido por supostas brincadeiras, piadas e canções, formas de pensar e formas de agir estereotipadas para desvalorizar emocional e socialmente culturas e pessoas negras. Contrapondo-se a isso cultivamos referenciais para educação antirracista a partir da apresentação de trajetórias biográficas de mulheres e homens pretos.
HABILIDADES
EJA II - Bloco 1 - História/Geografia - Analisar possíveis causas das desigualdades sociais, do racismo estrutural, do racismo ambiental, a partir do modelo de domínio e ocupação do território brasileiro (colonização), seus efeitos nas sociedades atuais e possíveis soluções.
EJA II - Bloco 1 - História/Geografia - Compreender a cidadania como um processo de ampla e irrestrita participação na sociedade, incluindo o exercício de seus direitos e deveres civis, sociais e políticos
EJA II - Bloco 2 - História/Geografia - Compreender a cidadania como um processo de ampla e irrestrita participação na sociedade, incluindo o exercício de seus direitos e deveres civis, sociais e políticos
PERÍODO DE REALIZAÇÃO
Abril/5/20 até atualmente
PÁGINA(S) DA PRÁTICA/PROJETO NA INTERNET

Realizamos rodas de conversa para discutir o uso do humor. O racismo recreativo, assim, a partir de experiência de vida, aparece recorrentemente na vida cotidiana de alunos, cultivando, equivocadamente, desprezo por pessoas negras, porém explicamos e demonstramos como ele se disfarça em tom de brincadeiras. Trata-se de uma camuflagem do preconceito racial expresso tanto em relações sociais quanto no imaginário coletivo, embora passe despercebida na fala dos alunos.

O racismo se rearticula em piada ou humor, mas o propósito é socialmente desrespeitar, humilhar e sujeitar. Ressaltamos o poder das piadas para estigmatizar o negro como sinônimo de índolência, inépcia e vadiagem, mostrando, ao mesmo tempo, como nos livros e na televisão existe o esquecimento da representatividade de pessoas e culturas negras na sociedade brasileira.

Discutimos a presença de elementos do racismo em programas de humor da televisão para desvalorizar a pessoa, identidades e culturas de matriz africana ao naturalizar tratamentos depreciativos ou estimular estereótipos raciais. Retratamos tudo isso como uma construção do racismo recreativo em personagens como Mussum (Os trapalhões, Rede Globo) e Charles Henrique (O pânico, Rede TV).

O racismo recreativo tem seus sentidos desconstruídos historicamente pela análise de biografias pretas. Destacamos para isso duas trajetórias de vida: Luiz Gama e Lima Barreto. Relatamos que o advogado negro Luiz Gama é um contraponto frente à lógica do humor com sentido racial. Ele tinha talento e, no entanto, por muito tempo, foi esquecido pelos livros de histórias, mesmo sendo uma grande liderança abolicionista. Lima Barreto, escritor preto, é outro símbolo de talento também e, na literatura, deu protagonismo ao negro, porém sentiu a falta de reconhecimento intelectual em vida.

Relatamos, além disso, que tanto o advogado quanto o escritor escapam de estereótipos pelo poder da educação. Eles sofreram na memória coletiva um processo de esquecimento por muitos anos, mas, mesmo assim, resistem como referência para uma educação antirracista, o que é útil para romper estereótipos do racismo recreativo. Temos assim a oportunidade de estimular pesquisa de biografias pretas de homens e mulheres marcantes na vida social do Brasil, um contraponto ao racismo recreativo.

Construímos na escola debates e reflexões antirracistas. Tornam-se experiencias de socialização que tanto problematizam o humor como desrespeito ao negro pessoal e culturalmente quanto valorizem referenciais afro-brasileiros para desenvolver a autoestima e relações sociais em nossa sociedade. O racismo recreativo se tornou com isso um ponto a ser discutido e criticado em sala de aula. Representa relações de poder para reduzir o status social e a autoimagem do negro, pois estigmatiza-o e lhe corrói a autoestima. O resultado é um estímulo tanto para desnaturalizar quanto desconstruir práticas de racismo recreativo na escola. Tem-se com essa educação antirracista o desmascaramento de relações de poder, além de sugerir revisões do repertório de ações para fazer da escola um espaço de igualdade e liberdade para todos. Os cartazes montados a partir das discussões de nossa proposta estimulam recordações da educação antirracista pra combater o racismo recreativo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIASZ, A (2022) Barreto, Lima Barreto. Campinas: Mostarda.

DUBAR, C (2005) A socialização. São Paulo: Martins Fontes.

FANON, F (2020) Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu.

GOFFMAN, E (2008) Estigma. Rio de Janeiro: LTC.

LIMA NETO, F (2022) Luiz, Luiz Gama. Campinas: Mostarda.

MOREIRA, A (2019) Racismo recreativo. São Paulo: Pólen.

RIBEIRO, D (2019) Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras.

SOUZA, N S (2021) Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar.

Registros
IMAGENS
Aluna desenha e escreve sobre o racismo recreativo em programa de tv.
Professora orienta a confecção de cartaz sobre racismo recreativo.
Professores e alunos comemoram a exposição de cartazes para comabater o racismo recreativo em inglês.
Aluna exibe cartaz sobre Lima Barreto aos colegas, explicando a vida a vida do autor.
Alunos e professor conversam sobre persalidades negras.
Alunos conhecem mais biografias de mulheres e homens negros com representatividade na sociedade brasileira.
Aluna expoe seu cartaz com mesnagem antirracista.
Aluna relata que sempre quis ver uma princesa preta nos livros ou na tv e que descobriu apenas agora, com nossa discussão, que elas existiram e existem no Brasil e na Àfrica.
Professor explica o conceito de racismo recreativo.
Professor e alunos discutem relações de poder e vivênvias marcadas pelo racismo recreativo.
Aluno descreve o mal-estar de vivências de racismo recreativo e diz que isso é para afundar a pessoa.
Professoras apreseantam as ideiais do autor que criou o termo racismo recreativo.
Aluna relata caso que considerou como racismo recreativo, algo sofrido pelo filho na escola, e explicou como criticou a brincadeira para proteger a autoestima da criança.
Alunos escrevem texto para cartaz para comabeter o racismo recreativo.
Profefessores e alunos realizam conversa sobre a trajetória de vida de Luiz Gama e Lima Barreto.
Alunos debatem e confeccionam cartaz antirracista.
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