Boas PráticasJORGE CUSTODIO
Professor de Geografia. Doutor em Sociologia e Direito.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I
CAROLINE CARDOSO DOS SANTOS
Professora de Geografia.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I
ANGELICA CALBINHO RIBEIRO
Professora de Matemática.
CARGO/FUNÇÃO DO AUTOR:Professor I
Realizamos rodas de conversa para discutir o uso do humor. O racismo recreativo, assim, a partir de experiência de vida, aparece recorrentemente na vida cotidiana de alunos, cultivando, equivocadamente, desprezo por pessoas negras, porém explicamos e demonstramos como ele se disfarça em tom de brincadeiras. Trata-se de uma camuflagem do preconceito racial expresso tanto em relações sociais quanto no imaginário coletivo, embora passe despercebida na fala dos alunos.
O racismo se rearticula em piada ou humor, mas o propósito é socialmente desrespeitar, humilhar e sujeitar. Ressaltamos o poder das piadas para estigmatizar o negro como sinônimo de índolência, inépcia e vadiagem, mostrando, ao mesmo tempo, como nos livros e na televisão existe o esquecimento da representatividade de pessoas e culturas negras na sociedade brasileira.
Discutimos a presença de elementos do racismo em programas de humor da televisão para desvalorizar a pessoa, identidades e culturas de matriz africana ao naturalizar tratamentos depreciativos ou estimular estereótipos raciais. Retratamos tudo isso como uma construção do racismo recreativo em personagens como Mussum (Os trapalhões, Rede Globo) e Charles Henrique (O pânico, Rede TV).
O racismo recreativo tem seus sentidos desconstruídos historicamente pela análise de biografias pretas. Destacamos para isso duas trajetórias de vida: Luiz Gama e Lima Barreto. Relatamos que o advogado negro Luiz Gama é um contraponto frente à lógica do humor com sentido racial. Ele tinha talento e, no entanto, por muito tempo, foi esquecido pelos livros de histórias, mesmo sendo uma grande liderança abolicionista. Lima Barreto, escritor preto, é outro símbolo de talento também e, na literatura, deu protagonismo ao negro, porém sentiu a falta de reconhecimento intelectual em vida.
Relatamos, além disso, que tanto o advogado quanto o escritor escapam de estereótipos pelo poder da educação. Eles sofreram na memória coletiva um processo de esquecimento por muitos anos, mas, mesmo assim, resistem como referência para uma educação antirracista, o que é útil para romper estereótipos do racismo recreativo. Temos assim a oportunidade de estimular pesquisa de biografias pretas de homens e mulheres marcantes na vida social do Brasil, um contraponto ao racismo recreativo.
DIASZ, A (2022) Barreto, Lima Barreto. Campinas: Mostarda.
DUBAR, C (2005) A socialização. São Paulo: Martins Fontes.
FANON, F (2020) Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu.
GOFFMAN, E (2008) Estigma. Rio de Janeiro: LTC.
LIMA NETO, F (2022) Luiz, Luiz Gama. Campinas: Mostarda.
MOREIRA, A (2019) Racismo recreativo. São Paulo: Pólen.
RIBEIRO, D (2019) Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras.
SOUZA, N S (2021) Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Zahar.
Registros
Professores e alunos comemoram a exposição de cartazes para comabater o racismo recreativo em inglês.
Alunos conhecem mais biografias de mulheres e homens negros com representatividade na sociedade brasileira.
Aluna relata que sempre quis ver uma princesa preta nos livros ou na tv e que descobriu apenas agora, com nossa discussão, que elas existiram e existem no Brasil e na Àfrica.
Aluno descreve o mal-estar de vivências de racismo recreativo e diz que isso é para afundar a pessoa. 